segunda-feira, 28 de abril de 2008

Aqui nas nuvens...

O primeiro Cinema na Mochila deste ano será em Goiania, graças ao Douglas Pinheiro e demais pessoas do MIAU.

De Niterói, isolada e tomando fôlego, me preparo. Sei que a oficina tem quase 30 alunos e isto, como sempre, me deixa muito envolvida... tomada mesmo. A sessão comentada do FLõ foi um tanto difícil selecionar porque sempre temos mais grandes filmes que minutagem. As próximas motras me deixaram, por algumas semanas, reclusa em Porto Alegre, onde estive preparando tantos projetos pra este ano. Nisso fui me deixando invadir também pelo novíssimo cinema de Goiás. Uma cena engajada, livre, coerente, surpreendente. Fiquei belas madrugas assistindo curtas junto com a Glau, minha gatinha que não gosta de filmes clássicos.

Para o FLõ 2007 chegaram 4 filmes goianos. Todos são documentários, todos autorais. Um deles,
produção executiva e roteiro do próprio Douglas Pinheiro, não foi selecionado por nossos curadores para o flõ competitivo, mesmo assim se trata de um filme com a cara do FLõ... E bem, todos sabem que a curadoria das itinerancias é minha em grande parte e que não temos nenhuma vontade de comentar e expor apenas os premiados ou selecionados para as competitivas do festival.

Mas tivemos um goiano premiado em 2007 e nisto acertamos, porque o 'Subjetivo' do Erasmo Alcantara é, de fato, um filme muito 'florista' :) Parece que o Erasmo vai estar comigo numa mesa de debate.

Goiás tem ainda um dos melhores documentários que assisti nos últimos tempos, 'Rapsódia do Absurdo'. Gostaria de leva-lo para o FLõ de Barcelona, cuja lista de filmes está tão atrasada que já estou com vergonha. Mas enfim, a respeito deste filme ainda falarei muito depois.

Enfim, estou aqui, programa fechado, ainda tentando entender esta cena que tem uma cara tão própria, longe dos grandes, tão corajosa que me leva até lá... eu e minha mochila de filmes livres.

Escreverei mais sobre tudo, viverei muito intensamente os 5 dias, como sempre faço nas minhas viagens e, desta vez, creio que começarei a tornar mais visíveis estas andanças. Torço que saibamos finalmente encontrar um espaço para veicular os tantos mofs de viagens.

O programa está no http://www.mostramiau.com.br/

Apareçam aqui :) O FLõ cura aqueles vícios... O FLõ cura a indecisão !!

Paz e Gentileza \o/

sábado, 12 de abril de 2008

ESTE NÃO É UM BLOG

...um Favo


Comecei este texto inspirada por um comentário que recebi, de um amigo que foi do ..Cinema8ito.. faz uns anos (hoje em dia não escrevo como na época que tanta gente lia meus diários e meus egoriais... tudo tão coloquial e eu dava os nomes das pessoas, não sei se todos curtiam). Se trata de um amigo especial porque sempre comentou só quando eu publico o Moscas Volantes ou artigos, bobagens pessoais acho que nem lê, daquelas pessoas que guarda textos meus e está tentando me ajudar a resgatar materiais perdidos. Perdi muito material sem backup. Cada vez mais tenho colocado as coisas no lixo! Mas quando me arrependo é mais pelos textos de qualidade 'publicável' ... Ah! Esse meu ritmo, pra umas coisas rááápido, pra outras livre do tempo, lento, gavetas e gavetas...

Bom, mas meu amigo me disse que adora mais agora meu blog, ‘tu mudou muito, tem sido um cantinho discreto perdido na web, intimista, sóbria, só, até soturna, escreve pra ti e foda-se a popisse, o hype, o creu’.
De fato meus pseudo-blogs, andam muito discretos, por uns tempos estou até sem contadores de acesso que antes eu gostava de olhar. Tudo hoje tem me parecido muito mais um estudo de mim mesma. Olho. Nunca pensei que ao ficar adulta, logo eu, iria preferir o silêncio, como quando eu era pequena lá no Belém Velho, devorando os livros amarelados da biblioteca que o pai trouxe da fazenda. Uma parte ficava no porão por falta de espaço. Ali que eu li Os Meninos da Rua Paulo. Criança velha que eu era, de amar dias de chuva, o outono, o inverno e o vento. E os temporais. A empregada fazia cruz de sal nas entradas e tapava os espelhos pra espantar alguma coisa, nunca entendi exatamente o que.

Enfim, uma vez eu usava meus blogs mais como a maior parte de meus amigos e conhecidos. Era mais festivo e bacaninha, por assim dizer. Não escrevia tão de quando em vez, era toda espertinha, saía bastante, tomava stolichnaia de pimenta, falava das coisas do dia a dia, das noites malucas, essa nossa curiosa não-rotina de artista. E falava das coisas do meu coração, graças, amores platônicos. Muita gente entrava pra ver se fora citada, hehe.

Curioso, acho que eu era mais piadista, e como não sou boa em decoreba, não sei contar piada pronta, a graça saia no calor da hora. Foi uma fase de muita exposição... boa pra quem lia, tinha gente que vinha todo o dia só pra ver que coisa esquisita eu tinha aprontado no lançamento de um curta na noite passada. Onde eu ia fazer uma mostra amanhã, se eu tava viajando, se eu ia rodar hoje. E, por conta da minha ingênua vontade de aparecer vieram os inimigos, que enviavam mensagens ruins, em geral anônimas ou com nicks fakes, e na sua inveja tola falavam coisas tão pesadas que eu chorava, hehe, porque eu era mais vulnerável. Alguns, escreviam mentiras em veículos da imprensa. E tinha os mais malucos que espalharam coisas pesadas sobre meu caráter. Foi quando tudo não era mais tão divertido assim.

Olhando daqui, acho que ser famosa no udigrudi foi muito divertido e, aliás, tem suas super vantagens porque se alguém fala uma mentira sórdida sobre você na 'cena' undergroud, ou num jornal local, ou se um 'crítico' inventa que você se drogava e tinha estrelismos bizarros nos bastidores de um filme em uma revista de poucos leitores ou numa coluna de fofoca de fanzineiros, hehe, isto cai no esquecimento, fofocas de província. A gente sobrevive. Tá, fica no coração da gente uma decepção e fica no olhar dos que te machucaram a sombra funesta, pra sempre. Se você encontra o cara num 'evento' ou num café do 'meio', vê um fogo requentado de ódio que passa no olhar ferino, com num filme B, com trilha tosca e tudo. Ainda recebo uns e-mails em resposta a alguma dovulgação onde alguém diz: - Morra, biAh weRTHer!!. Isto vai diminuindo já e mesmo que não, tô na paz. Ando tão normal, tateando, lendo, bem na minha, misturada na multidão de pessoas que tentam, a gente busca algo, essa incógnita antes que a água termine, a ódio domine, os olhos secos...

Lenta como preciso, não tenho mais um blog cheio de alegrias passageiras, não estou saindo muito nem quando estou no Rio, minha gatinha teve filhotes e eu fiz o parto. Hoje não teria o apetite de contar coisas malucas que estão acontecendo dentro do meu coração, minha paixão, essa brisa, a excitação. Meus dias dariam diários muito mais densos, intensos que curiosos são estes dias, mas apenas meus. Já não acho esperto falar muito de mim, do que senti tomando vinho na madrugada enquanto fazia uma curadoria, de como me senti na outra noite quando vi um velho amigo que me ensinou a tocar contra-baixo... Estas coisas são muito blogueiras, e definitivamente, isto não é um blog!

Paz e Gentileza \o/