quarta-feira, 25 de junho de 2008

cine.CLUBE.8ito


Hoje destaco os vídeos de Dellani Lima, Dago Ávila e Ana Moraes...

Seleção virtual de curtas no cine.CLUBE.8ito.
Já somos 254 curtas experimentais do mundo todo...

!!! Logologo num larzinho melhor !!!
Uploadeia o teu porque exibir coletivamente é bem legal ; )

http://br.youtube.com/group/cineCLUBE8ito

Paz & Gentileza \o/

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Debby e as Animações na Película

Seguindo a minha promessa de abrir janelas com meus trabalhinhos
solitários, trago o SELF, que já me deu preminho até... mas
é muito simples, apenas uma das minhas primeiras animações diretas na película super8. Depois aprendi muito mais. Eu e o Edu Ioschpe fizemos uma oficina
com o meu herói, o Richard Reeves. Foi uma das viagens mais legais que fiz pra aprender coisas, uma mochilagem das boas. Ele tem uns segredos de desenhar na banda sonora pra fazer a trilha. Muiiito fantástico.

INFELIZMENTE, O Reeves não está no youtube, então eu trago
o Harry Smith, que a meu ver não é tão incrível como o Reeves no que se refere às cores e formas, mas tem um trabalho de som muito impressionante também e, claro,
a obra é muito superior ao meu Self :)

Enquanto assistem - se quiserem, comentem -
eu fico aqui vivendo essa vida, que anda caaalma e bizarra.
Hoje cedinho uma pessoa ligou pedindo o endereço do Cinema8ito
pois queria vir aqui pra ver como é. Eu disse que não temos uma sede
pra visitação, que somos um coletivo virtual e tal, mas que ela poderia me adiantar o assunto pra vermos juntas se tinha a ver uma visita.
Ela ficou muito ofendida e pediu pra falar com meu superior.
Percebi que a moça pensava que o Cinema8ito seria algum lugar público, talvez. Demorou o papo, e ela não desligou muito convicta de que eu estava sendo honesta.

Durante o FLõ a Rachel era bem calma, explicava que não somos uma entidade, um museu de cinema ou um espaço a ser visitado. Isto é uma casa meio ateliê onde mora o cinema, dizia ela poéticamente. Enfim, o que alguém faria num apartamento com cara de cenário, que muitas vezes só tem eu e os gatos ou nem,
porque os 8itistas estao pelo mundo, inclusive eu.
Quando tem FLõ tem gente dormindo enquanto outros trabalham...
Não é um escritório com uma secretária e tal.
Como explicar que somos um coletivo virtual?
As pessoas se zangam quando querem vir aqui, ver o que é isto, que tanta divulgação desse Cinema8ito que nem sede tem??

Fico imaginando se não seria o caso de deixar a senhora zangada aparecer
pra nos ver trabalhando em horários malucos.
Pior, um em cada canto do planeta e ainda sem um superior. De repente ela
ficaria amiga, me animaria a projetar um super 8 da janela na parede do prédio vizinho, coisa que nunca mais a gente fez.

Nestas horas lembro sempre da Debby (este foi o nome artístico que a Marcia Briones deu pra ela), uma moça loira de uns 30 anos que me perseguiu por um bom tempo
até que deixamos ela entrar aqui, sei lá porque.
Ela contava que fora a uma produtora no bairro Petrópolis e lá teriam dito ser eu a pessoa indicada para ajuda-la. Ela ligou pro Iecine, pegou o endereço e veio pra cá. Entrava e dizia que só queria ficar num cantinho, me ver trabalhando, falando no telefone,
tomando café. Ela só queria ver o que acontecia aqui dentro mas na real atrapalhava, falava, fuçava.
Costumávamos dizer pros guris que ela era um ser de outra dimensão
porque nunca alguém do cine8 a viu, só nós duas, eu e Marcia. Ela só aparecia quando estávamos sozinhas aqui.

A Debby tinha um sonho na vida: ser atriz num filme nosso. Nosso medo era revelarmos o Kodachrome 40 e ela estar invisível.
Mas ela também tinha uns roteiros, que não eram bem roteiros, eram uns contos românticos escritos a caneta bic quatro cores.

E a Debby queria dirigir algum grande filme um dia, com nossa ajuda na captação dos recursos. Ela tinha muitos sonhos e uma voz muito assustadora que não a deixava escutar nossos nãos. Ia entrando, curiosíssima.

A Márcia tinha mais medo que eu, que me lembre. Ela só queria ver se eu era
real, me tocava e dizia: Biaa!
A Márcia estremecia!! E a gente tinha a nítida impressão de que ela sim era irreal,
fruto da nossa imaginação. Sinistra.
Daí, um dia não se conteve e se foi pra dentro do meu quarto, querendo abrir gavetas, sei lá, queria ver como era que eu dormia!!!
Foi daí que pedimos que ela fosse embora. Nem bem pedimos, nós praticamente a expulsamos. A Márcia pálida, a Debby irredutível, eu tive que dar um jeito:
- OLha, é melhor tu ir embora e não voltar mais aqui, ok? Não queremos tuas visitas!

Dias mais tarde o porteiro tocou dizendo que ela tinha chegado
(ela já era amiga dos porteiros, jardineiros, do carteiro que trazia
os nossos sedex!!). Falei com ela pelo interfone,
avisei que estavamos muito ocupadas, e estávamos mesmo,
acho que tínhamos como sempre alguma viajem pra uma mostra ou algum filme sendo
produzido. Daí a Debby ficou ofendida e não queria ir embora.
Ficou me pedindo pra subir, que ia ficar quietinha num canto,
nao iria nos atrapalhar, ela só tinha essa chance de aprender, ninguém
dava uma oportunidade a ela... quase chorou, depois começou a ficar agressiva.

Ela tinha aquela sua voz super estranha que dava medo, a Márcia
fazendo gestos pra eu não deixa-la subir.
Bem, nesse dia eu não cedi, disse que não poderíamos mesmo recebê-la e que nunca tivemos a menor pretensão de chamá-la pra ser nossa atriz, disto ela sabia bem.

Daí ela, muito chateada, me pediu pra dar um endereço de alguém mais legal, menos prepotente que eu, alguma produtora onde ela pudesse ver o dia a dia, mostrar seus roteiros, tentar ser atriz.

Daí eu vi a luz!!
Alguém de outra produtora me mandou a Debby, então era só eu repassar ela!!
Devia ser alguma espécie de brincadeira dos deuses do cinema, sei lá! A Debby devia ter alguma tarefa transcedental e eu só precisava deixar fluir!!!
Eu me acalmei e lhe disse que a melhor e maior produtora de cinema que existe no RS é a Casa de Cinema. Que eu, por certo, não forneceria o endereço, mas que
ela acharia, como me achou.

Dito e feito, ficamos exultantes e a Debby ficou outra, muito feliz, mudou o tom, me agradeceu mas frizou estar muito decepcionada comigo, que um dia eu ainda veria que não sou dona do cinema e que não posso impedir as pessoas de competirem comigo. Daí ela se foi, seguiu seu caminho. Nunca mais soubemos dela, só uma vez quando nos disseram que ela andou de produtora em produtora. Acho que todo mundo sacaneava os outros mandando a Debby de casa em casa... buscando algo que ninguém entendia.

Nós, às vezes, lembramos da Debby em nossas conversas por msn..
Ainda pensamos se ela realmente existiu ou era apenas um fantasma
tipo a loira do banheiro. Nem sei...

Abaixo os filminhos que prometi, um meu e um do Harry Smith por falta de Richard Reeves. Dados técnicos? Só clicar duas vezes na janela e cai no youtube. Comentem, se der... \o/

Pax
biAh



sábado, 14 de junho de 2008

Borboletas no Estômago

Hoje é um sábado lindo e frio,
a minha manhã começou as 7 horas, tomei pó de guaraná e agora vou fazer um café do mercado, porque ele não está aqui pra me trazer uma xícara sem açúcar que eu deixaria esfriar, distraída na sua boca e nas pernas.

Tenho um nó na minha garganta, mas é uma coisa boa, estas idéias todas, tantas delas. Na quarta saí a caminhar no parque assim que amanheceu. O ar gelado doía, ardía quando entrava, depois saía como uma fumacinha, olhei o sol e fiz as pazes, voltei pra casa e nunca mais saí desde então.
Vou fazendo as coisas daqui mesmo... ando trabalhando muito, quase só trabalho, fora o vinho chileno.

Nesta tarde, direção e elenco principal do novo filme se reúnem pra ver o corte quaaase final. Creio que não irei lá me ver na tela, apareço demais, acho que estou gorda inclusive, uns 53 kilos, e pálida. Emagreci uns dois kilos depois das rodagens, me sinto mais leve. A personagem era pra ser assim mesmo, uma mulher de verdade, tá tudo bem. Mesmo assim,se eu sair pra rua vou ao Museu Iberê Camargo. Depois assisto, no meu quarto, fecho os olhos nas minhas aparições, anoto minhas impressões...

Estou pensando nas pessoas que me pedem pra ver trabalhos meus, como cineasta, na internet. Por isto, abro aqui a janela pra um singelo filminho, que realizei especialmente para rede, daí foi convidado por um saite de cinema, depois outro e começou a agradar. Quando vi
estava exibindo em sala, mesmo achando que seria mais adequado em uma
vídeo instalação, talvez uma destas cabines que vivo inventando, porque o formato se altera. É uma janela, por assim dizer, inconstante, errada...

Mesmo assim, fui em frente, estreei ele em Barcelona na mostra do Representa Corisco, depois lá mesmo, numa outra mostra só com coisas do Cinema8ito, daí exibi no Rio e por aí foi andando, nunca inscrevi em festivais,
não era esta a pretensão.

A mais recente exibição me deixou muito emocionada com a reação das pessoas. E olha que não assisto nunca meus filmes junto ao público, é uma espécie de ritual ficar do lado de fora, sozinha, querendo que o tempo ande mais rápido e me prometendo que nunca mais vou me expor deste jeito, que mudo de profissão amanhã. Sei fazer tricô tão bem, sei fazer designs lindos, luminárias, mulheres nuas de terracota que gritam... Porque então teimo em me expor numa tela, desse jeito? Mas desta vez, quando retornei à sala ainda estavam aplaudindo e deu pra sentir o calorzinho, depois os comentários, tínhamos exibido dois filmes meus direto, eu em cena pra piorar. Muitas vezes eu estou dentro do circo,
nunca entendo o que me chama tanto pra dentro da cena, que coisa é essa? Não me bastam as outras mil atividades num filme? Mas não, quando vejo lá vou eu, fico outra, posso tirar a roupa, tocar theremin, beijar outra mulher... Dentro do circo não tenho nenhuma insegurança nessa vida! Depois de tirar o figurino é que fico assim de novo.

Destas sensações fala o Borboletas..., fala desta vida líquida, e dessa eterna paixão por tudo, um misto de medo e excitação,
uma curiosidade que instiga e deixa o coração em sobressalto. Como se só encontrasse a calma na busca, não parar, procurar mais, muito mais, muito mais.

Mas é um trabalho muitíssimo simples o Borboletas, mero poema. Foi a primeira vez que fiz uma trilha totalmente sozinha. Acho que a edição de som tem uma falha, estoura em uns três momentos, inexperiência. Fico de consertar, mas nunca dá tempo.

Pra quem pede, no youtube tenho um pequeno repertório, e no Veoh, mas sei que não dá uma amostra do meu trabalho mais 'pesado', é algo muito discreto, apenas exibe a minha alma como artista, os tons que busco, o jeito como a inspiração me chega e mergulho nela, mas não é meu trabalho concreto, os filmes, as direçõesss, os roteiiiros....

Prometo que breve, muito breve me encorajo a publicar vários filmes nossos,
coisas premiadas e tal... Por enquanto, sigo preferindo trazer para a internet
pequenas autorias solitárias, muito experimentais. Sei lá, me parecem
ter mais a cara da internet. É como se nada pudesse substituir a sala de cinema
quando um filme é mais 'filme', assim com grande equipe, um roteiro, um orçamento, uma vida coletiva...

Por enquanto, assim como o Borboletas, outros que posso ir postando aqui são meros retratinhos poéticos, não exatamente cinema no sentido como o público entende, acho eu.

O Godoh, numa entrevista que fez com o André sobre nosso cinema, se referiu a mim como uma poetisa.
Casualmente, o Egisto, numa outra entrevista sobre uma banda que tivemos (aliás, trilha do meu curta de animação direta, Self), também se referia a mim como uma poetisa.

Engraçado, e eu que me considero uma contista de Moscas Volantes...


Paz e Gentileza \o/

domingo, 1 de junho de 2008

Atentem para os cartazes de filmes atrás dela \o/

color vibrations passin' me by