quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Diários do Cine Mochila no CINE BH


Mais uma vez cansativos os preparativos. Eu não poderia voar antes de finalizar e divulgar o programa das sessões e o método do laboratório pra o Cine na Mochila em São Leo, que seria na semana seguinte.. Ainda dei uma forcinha pras pessoas do Cine.Sangre, porque estava pra acontecer mais um nos pampas e eu sempre ajudo a divulgar.

Bom, mas eu estava animada demais porque a produção do Cine BH é de um cuidado só, em todos os sentidos - talvez porque é dirigido por garotas - e eu ainda não tinha conseguido participar de nenhum dos festivais da Universo.
O vôo foi estressante porque era Gol, que é sempre um trauma...
Aliás, amanhã viajo de TAM e fiquei pensando no efeito psicológico.
Apesar de a Tam cair mais lá do céu, abrir o e-mail da produção com os dados de passagem e ver que não era Gol, já matou metade da minha preocupação com este final de semana...

O CINE NA MOCHILA DE BH


Guarulhos era um tumulto, como sempre. Se eu não pensasse tanto que chegar lá é ruim, talvez uma vez na vida este pior aeroporto do universo me surpreendesse com alguma paz.

No entanto, desembarcar em BH me fez relaxar rapidinho.
O receptivo era uma simpatia, falamos de futebol e do prefeito eleito.
Minhas olheiras eram um susto, busquei uns óculos ainda mais escuros.
Fiz meu checkin e segui sendo bem tratada pela produção. Ansiosa, preferi ficar ali pelo lobby encontrando pessoas.

O festival estava quente! Depois de anos conversei de perto com a Andréa Cappela, com quem rodamos no Rio em 2003. Almoçamos lá pelas 2 da tarde junto com o Felipe Bragança, que seria o mediador no seminário.

Demoramos no almoço, claro. Avisei a produção que dormiria meia hora antes da minha sessão. Foi pior porque meu corpo queria 12 horas de sono. Mas tudo bem, hora de incorporar mais uma sessão do FLõ Cine na Mochila!!
Encontrei a Dani Saba, que eu não via desde Goiânia.
Nos levaram até a praça maravilhosa onde acontecia o festival. Fiquei apaixonada por tudo, sempre com a câmera na mão.

O foyer do Cine Tenda já tinha pessoas legais aguardando a sessão. Encontrei o Edu Rennó e o Vinícius Cabral... tomei mais café e parti pra dentro da sala pra ver se conseguia testar a projeção.

Antes da sessão me ofereceram uma plaquinha de homenageada. Muito fofa atitude... fiquei surpresa e me senti acariciada :)


A sessão foi marcante, mas dois ou três filmes não passaram muito bem por causa do áudio da projeção. Não achei algo grave, apenas acho que deveríamos ter um teste de projeção já pré combinado (este hífen cai ou nunca teve?), pra tudo ficar bem certinho. Havia uma certa pressão porque o público já estava entrando. Nervosa...

Seja como for, eu gostei de tudo e todos e ouvi elogios. Quando as pessoas mais elogiam do que metem pau, é porque as coisas vão bem... Ao menos no meu caso, ninguém costuma fingir quando não curte alguma coisa.

A minha seleção de curtas foi radical e a nova vinheta de abertura, assim na tela grande, me deixou daquele jeito que eu fico!!
Eu não cabia em mim de orgulho e fiz fotos dos nossos filmes na tela. Os filmes mais comentados, ao menos comigo, foram o 'Coração de Dom Quixote' da Nina Tedesco e Dedeco; Uma, do André Arieta e o Lilith..., meu curta que faz 10 anos neste ano. Cá com meus botões, entendi com a resposta do público, que alí naquele momento Belzonte estava a fim de poesia, texto, elenco, trilha, um pitaco de surrealismo, coração, útero e tato!


Assisti a sessão ao lado do projecionista, porque sempre me grudo na sala de projeção. Num certo momento, o público me pareceu se revezando, porque tinha o filme sobre o Waldick Soriano se iniciando no meio da praça e a estréia do longa do Selton Mello no Cine Santa Tereza.
Essa competição de sessões, o entra e sai das pessoas, tudo me deixou meio como numa festa constante. Lembrei de como me sentia em 1998, quando comecei a levar meus filmes em seus primeiros festivais e fazer minhas primeiras mochilagens.


Apresentar os filmes do Ricardo Cançado e o Vinícius Cabral na cidade deles me deu um orgulho especial. Me senti brilhando quando os mais recentes trabalhos do Representante de Corisco abriram este Cine na Mochila...
Se bem que, em meu nervosismo, cometi uma super gafe imperdoável, porque o Vincícius estava na sessão e eu não o chamei à frente!! Quer vergonha fiquei depois...

O SEMINÁRIO SOBRE AS SAÍDAS PRA EXIBIR E DISTRIBUIR

Quem disse que eu não iria mais uma vez esquecer de dormir?
Conheci o Bolão e tomei seleta, claro!
Mas eu queria pensar no seminário, então acordei cedo, fiz uma sauna, fiz fotos do lindo parque que botaram só pra mim embaixo da janela,
meditei e fiquei num clima spa (coisa de gaúcha) até quase a hora do debate.

Meu almoço foi comigo no terraço do hotel, salada, salmão e suco de tomate. Pronto!! Passou o efeito da noite festiva entre amigos que eu não via há séculos.

O seminário foi bastante animado e o público participou muito. Encontrei o Dellani, que não via pessoalmente desde o FLõ 2003!!
Fiz um super sucesso, como sempre, porque eu sou boa com microfone, uaauauaa!!
Brincadeira! Nada a ver. O tema era legal mesmo, o modo como o Felipe conduziu, as pessoas legais que estavam na mesa, algumas polêmicas,
tudo fez valer a pena aquele segundo dia. Pra mim o festival estava maaiis que de parabéns. Algumas pessoas ficavam felizes em me ver de perto porque tem muita gente de Minas que manda filmes pro FLõ e participa da lista Cine8. No entanto, acho que eu é que fiquei muito mais emocionada em vê-los.

O cansaço me derrubou numa das vans e eu adormeci enquanto olhava as pessoas em seu prá lá e prá cá de cine!
A noite fotografei o Cine Santa Tereza, o Bolão, gentes,
entrevistei pessoas na praça de cine mais fantástica que eu já vi
e segui por alí até o dia seguinte, quando fomos todos pro aeroporto e eu comprei cachaças, doces e fotografei novos e antigos amigos.

Embarquei... nem a Gol conseguiu me incomodar :)

O Salgado Filho estava me esperando de novo, limpinho. Eu feliz demais, dever cumprido. Mais tantas fitas no case da câmera, os diários de minhas jornadas... Material que preciso decupar, editar, exibir um dia... Quem sabe um dia...

Paz, Gentileza y Invasão \o/

domingo, 9 de novembro de 2008

O ar é imortal

Linda amiga Cris Lis!

Vou divulgar tua sessão de autógrafos no meu blog com muito orgulho \o/
Me apresente Sylvia, a que não sabe dançar.

Sinto tanta saudade... Tento amenizá-la lendo teu blog.
Conheci em Natal uma família de Uruguaiana que me lembrou a sua.
Ainda não pude ir à Feira do Livro deste ano, o que me entristece, por certo. É uma das únicas rotinas desta minha vida sem parada. Visitar a feira todo o ano me fez ver o Dedé crescer, pra teres idéia da relevância. Creio que minha sensação deve ser a mesma que meu avô sentia toda a manhã, às cinco, tomando seu chimarrão e olhando seu campo a se perder da vista. Ele pensando na vida, ouvindo os pássaros de todo o dia, a rádio AM e depois saindo a cavalo por lá... Não sei se me entende, Cris. Eu, que não quero ter nada de meu, parece que tateio alguma referência, alí no Centro, entre as almas centenárias. É alí que senti pela primeira vez, aos 12 anos, que já nasci velha, bem velhinha. Isto que eu nem tinha lido ainda a Hilda Hilst, claro que não! Nem a Clarice, nem o Qorpo, não. Sómente Machado, Érico e os Garcías.

Cheguei a Porto Alegre faz uns dias e estou até o final do mês por aqui. Depois Floripa e então volto ao Rio, acho eu...
Mas bem, hoje dou uma palestra em Gravataí, ao longo da semana dou oficinas e curo mostras em São Leopoldo. Isto significa que estarei
amanhã, cerrrrto, na Feira do Livro pra tua sessão de autógrafos, toda arrumadinha, como pede o momento :)

Me lembrei agora que nos perdemos na festa da Liberdade num certo junho de 2006.
Naquele domingo, São Paulo estava úmida como deve ser e a Liberdade estava com as árvores cheias de pedidos pendurados pelos convivas - deixei também os meus, mas os esqueci.
Foram dias e noites de exorcismo em SP, não consegui te ver... um dia te conto tomando um chá. Tá?
Inquietos, eu e meu amigo fizemos um filme na oficina do Richard Reeves, fizemos fotos com câmera analógica na Ipiranga com a São João, fomos num show do Wander - outro que tão pouco encontro - e tomamos cachaça no São Cristóvão, entre tantas outras coisas. Agora já são dois anos sem ir a Sampa... isto é triste sim, quem sabe brevemente?

Te amo, Cris! Nós não temos fotos juntas? Cuido disto amanhã, lá na feira do livro! Prepare os cílios e as madeixas :)

O que? Sessão de autógrafos de Sylvia não sabe dançar.
Quando? dia 10 de novembro,as 18:30.
Onde? na Praça dos Autógrafos, na Feira do Livro
Sylvia o que? http://www.xn--sylvianaosabedanar-nvb.com.br

sábado, 8 de novembro de 2008

vou mostrando como sou, e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo..

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Participo amanhã, domingo, 09 de novembro, do Gravacine, que começou hoje:

Vou estar no Debate, as 16h. Se estiver em alguma cidade próxima, aparece:

Mediação de Mary Mezzari, da Ipanema FM. Presentes os cineastas Carlos Gerbase (PUC / RS e Casa de Cinema de POA), Beto Rodrigues (Unisinos e Panda Filmes), Tânia Ferreira (Secretária Adjunta da Sec. Municipal de Governo e Vereadora eleita no último pleito), Rodrigo Castelhano (Alvoroço Filmes), e a biAh weRTHer (Cinema8ito e FLõ). A intenção do debate é através da experiência dos convidados buscar novas soluções para antigos problemas como captação de recursos e novas estratégias de distribuição. Será realizada também uma homenagem ao ator Sirmar Antunes.

No teatro do SESC Gravataí localizado na rua Anápio Gomes, 1241.
Site: www.gravacine.com.br
Blog: http://gravacine.blogspot.com/

domingo, 2 de novembro de 2008

Nova vinheta :)

Pessoitas :)

Pena que não dá pra todo mundo do mundo
estar na 2ª MOSTRA CINE BH. O seminário do qual participarei tem por tema
um assunto de todos nós e o Cinema na Mochila vai finalmente reencontrar
vários mineiros amigos e premiados no FLõ, uma beleza! (www.cinebh.com.br)

Tô muito animada e fiz uma nova vinheta loquita de abertura
da sessão.


Paz, Gentileza e Invasão \o/
biAh

OS GATOS, PESADELOS SOBRE PENAS DE GANSO E O CINE DESCONSTRUTOR

Cine Desconstrutor em Natal - PARTE 3

Tarde de vento, claro.

Edu me acompanhou até o Galeão, não sem antes fazermos umas fotos
tri nouvelle vague em Icaraí.
No aeroporto de Salvador meu corpo voltou a sentir as tais dores nos quadris. Não consegui tempo ainda pra levar as radiografias pro médico...
Umas senhoras gritonas e deselegantes embarcaram e se espalharam em assentos em torno de mim. Fiquei com vontade me teleportar pro aeroporto de Curitiba, onde todos são comportados, a iluminação dá uma calmaaa e todos usam a camisa pra dentro das calças e falam com classe. Tá, eu sei que este tipo de pensamento é ridículo e
este é uma versão branquela dos fatos. Tem horas que eu fico com essa cara blasé porto-alegrense, mas passa rápido...
Peço fones pra aeromoça, encontro uma rádio boça nova e subo tanto o volume que as senhoras sem educação começam a ficar interessantes assim, só no gesto, felizes e excitadas.

Repenso, então:
- Bem que eu podia ser assim como elas! Gozar de prazer com um simples vôo Salvador-Natal. Esse micro-momento que os antipáticos não saboreiam.

Encontrei uma estação kids que me fez mudar de assunto!! Era o céu!
Lembrei de quando éramos pequenos e ouvíamos vinis coloridinhos num toca-disquinhos cor de laranja (existia até máquina de escrever cor de laranja!).
Fiquei em êxtase ouvindo aqueles tons e cantorias a respeito de mágicas e festas na floresta. As senhoras, antes insuportáveis, agora eram mesmo bonitas de se ver, liguei a câmera discretamente... Sim, eu mudo de opinião conforme o clima vai esquentando!!


Quase meia-noite.
Começamos a sobrevoar o eterno verão de Natal.
Na minha mala pesada eu tinha desde luvas pretas de pelica compradas na Argentina até roupas de primavera, biquini que é bom, necas! Porque no começo de mais essa jornada deixei uma Porto Alegre muito fria e úmida. Depois fiquei 13 dias numa chuvosa Niterói.

O Ricardo me recebeu entre atencioso, ansioso, animado e ultra cansado!!
Ele me entregou no hotel cheio de turistas gringos, com gigantes piscinas que só aproveitei em duas noites de vento, uma praia particular que visitei sozinha em alguma madrugada pra falar com a iemanjá, exuberantes lagos internos com queda d'água, fundo de quartzo rosa e carpas...
Mas nada, nem as tapiocas e a solicitude disfarçavam os filhotes felinos em busca de restos, os bichos de rua maltratados e uns pavões aprisionados e tristes,
como, de resto, todos os animais que pude ver na capital do RN
são desrespeitados e tem olhos terrívelmente tristes. Dizem que o modo de controlar os bichos de rua por lá não é fazendo campanhas de castração ou adoção, mas sim proibindo que as pessoas os alimentem. Ou é lhes dando sardinhas misturadas com chumbinhos, pra explodi-los por dentro. Foram noites de muito pesadelo e solidão. Mas os dias eram muito cheios de objetivos, expectativas, gente interessante e cinema livre, como sabem pelos textos anteriores.

CINEMA NA MOCHILA

Ainda no Rio, quando li a programação de Natal, descobri que além do nosso projeto complexo, havia um curso de produção de vídeo que, só mais tarde fui saber, não era bem um curso de produção. Embora divulgado como tal, era mais um fórum pelo e para a difusão de um projeto social que busca levar para jovens educadores a idéia de trabalhar com vídeo em escolas de periferia. O plano já é real e parece que dezenas de professores estão se engajando.

Fiquei curiosa...

Após a instalação de abertura do laboratório de cine desconstrução,
a sala multiuso que eu ocuparia nas tardes tinha de se tornar, de novo, uma
sala de aula convencional e a referida professora tomava posse.
Muito simpática e muito engajada, ela se apresentou e me convidou pra assistir um pedacinho do seu curso.
Nunca me canso disto tudo, então, enquanto desproduziam minha invasão de projeções contraditórias, me acomodei quieta numa das classes.
Estranhei os poucos alunos mas dever ter sido pelo tal equívoco na divulgação do projeto que prometia um curso de produção em vídeo.

Observei os participantes enquanto ela
iniciava os trabalhos, pra adivinhar quais deles visitariam o FLõ.
Fatalmente, quase todos apareceram sem que eu precisasse me apresentar ou convidar no corpo a corpo. Ainda, sei lá porque, todos foram incrivelmente felizes e debatedores nas minhas mostras, inclusive a professora, uma pessoa bem envolvida com seu projeto social.


Nada é perfeito mas eu sou muito crédula e animada, então devo admitir que a abertura da oficina da professora partiu meu coração imensamente. Por isto mesmo, foi muito importante vê-la em outra noite no FLõ, exatamente num momento em que exibi documentários sociais de narrativa desconstruída. Pensei comigo: - Acho que contribuí de algum modo então agora vou respirar melhor e ver se encontro uma dose de seleta nesta noite!!

Seleta não achei em Natal, e na verdade nem tenho tido tempo pra os momentos festivos, mas encontrei palavras. Passei a repetir sem parar que não existe luta quando voce pega o seu tema social e o transforma num produto que segue a estética, a narrativa, o sem-cheiro, o não-sabor dos produtos realizados pelo poder.
Repetindo a forma padronizada você se neutraliza, você se nega, você se mata, passa batido, se perde na imensidão de propagandas superficiais. Não é fazendo chorar de pena ou dando vitrine pra frases feitas que alguma revolução vai se estabelecer na cabeça e nas atitudes das pessoas.


E foi numa palestra daquelas em Natal, chateada com isto tudo da ingenuidade do audiovisual politizado no Brasil, que me assustei com a responsabilidade do cine desconstrução naquele exato instante e lugar. Daí,
antes de começar uma sessão, vendo as pessoas tão atentas e atenciosas, eu me empolguei:


- Não existe revolução se ela não começar pela forma. Porque na nossa época o audiovisual é o maior inimigo ou uma grande saída! Tudo dependerá de onde o criativo vai se posicionar. Está nas nossas mãos...
O audiovisual que precisamos descaracterizar e desconstruir é aquele que globaliza, achata, degenera, cria heróis e demônios, derruba por terra, massifica.
Não há informação concreta se usarmos o mesmo tom que eles usam! Pois este tom é a média, o médio, a mídia - tenho pra mim que as duas últimas frases não devo ter dito exatamente em Natal. Na verdade acho que acabo de rouba-las de um texto que escrevi em 2003 após um encontro de cineclubistas em Brasília, quando tive minha primeira e mais terrível crise de pânico e fiquei meses escondida do mundo de cinema compreendendo que somente na desorganização encontramos uma subversão palpável.

Enfim,
mas o que eu queria relatar nesse mimimi é que me doeu tanto quando a professora,
super animada, tão bem intencionada, tão feliz com seu trabalho, mais que merecedora de incentivo, exibiu um vídeo realizado como TCC por um grupo de alunos dela.
Ela sentia tanto orgulho em sua ingenuidade! Não me chateou pela abertura sofrível, porque afinal não era um trabalho do curso de cinema, mas de jornalismo e não precisava ser perfeito. Nem me deixou decepcionada o fato de lembrar
uma vinheta de dvd de locadora de vídeo. Não. Isto tudo é irrelevante e esperei pelo conteúdo palpável que parecia não chegar nunda,
até que p recheio veio, e gerou minha decepção
pela forma americana e conteúdo bonzinho!!
Se tratava de um vídeo que falava das influências do cinema róliudiano na história do cinema em Natal mas, equivocadamente, tinha muitos minutos dos piores filmes comerciais americanos sob uma trilha de entrega de Oscar e tudo aquilo parecia um repertório de distribuidora-meijor só que maior do que o normal num nunca terminar
de mostrar as caras deles, como se algum acadêmico não soubesse tudo aquilo só de ligar a tv ou ir na locadora.

Isto me aborreceu profundamente e tentei mais tarde debater o assunto com a professora. Não sei se ela se chateou comigo, tomara que não.

O vídeo seguia no escuro da sala ... Após cenas intermináveis que iam de 'E o vento levou' até 'Rambo', iniciava-se uma série de entrevistas que, a grosso modo, queriam demonstrar que aquele
trabalho tentava ser uma crítica ao cinema sem Brasil realizado no RN nos idos da presença do exército americano por ali. Alguns teóricos entrevistados ressaltaram algumas frases feitas, outros falaram com um pouco mais de profundidade e alguém falou sobre epsódios curiosos e interessantes daquele tempo.

Triste, eu saí dalí muito reflexiva, cheguei no hotel, fiquei umas horas com 8itistas no telefone relatando meu dia e pedindo opiniões,
depois fiquei no computador lendo um e-mail carinhoso do outro Edu, o Ioschpe, o irmão mais dedicado a acompanhar meus passos e desejar paz e gentileza.
Ano que vem o FLõ na Espanha vai ser muito maior.... no Brasil o jeito é seguir
incomodando...

Tenho observado faz horas que, na realização de vários filmes de tema engajado, o que mais se vê é justo o arremedo à linearidade pasteurizada do modelo. Em especial em filmes saídos de oficinas, onde a forma vem no automático, sem que se leve aos novos qualquer sombra de questão inerente à língua. Talvez pela conclusão rançosa de que o conteúdo e o discurso político precisam ser óbvios pra não ficar sombra de dúvidas de que um indivíduo crítico descarta a aparência. É, pode ser este o motivo, senão a preguiça latente... quem sabe.

Pra mim, esta ingenuidade nada mais é do que um velado desrespeito à língua, à livre interpretação, ao livre olhar, à interação... É um descaso inconsequente! Por isto exibo compulsivamente este nosso crescente acervo - tanto que agora, saída dos seus tapetes, a ancine me manda uma carta onde diz só posso exibi-los com sua autorização, ou algo assim... sei lá sobre isto de burocratizar o que não lhes diz respeito - E eu, que sequer conheço pessoalmente a maioria dos realizadores que me confiam seus trabalhos, na hora enlouqueço e, conforme o corpo a corpo com cada público, mexo na ordem, reviro a sessão, paro a projeção antes de determinado filme pra tecer comentários, contar causos de determinado coletivo... subverto a ordem com algum trabalho que não estava programado, ganho coragem e projeto até algum filme meu (mas saio rápida e aguardo do lado de fora até que termine a tortura desta exposição).

Nesta saga, tem uma pomba-gira que baixa em mim e eu vou falando. Por isso que depois me oculto na misantropia, com o meu coração apertado, 'será que fui agressiva?', sentada na capelinha da Nsa Sra da Conceição que tem em um fundo de corredor num hotel destes, pelo país. Sim, eu leio muito o abecedário do Deleuze, mas é que os teoremas... pra quem se atira no trânsito do vento...

Há poucos dias, já em Minas, um novo amigo de Maceió e uma amiga de SP ficaram estupefatos, de certo decepcionados, ao descobrirem estas minhas leituras malucas passeiam até pelas dores do Lucas e pelas tantas Oxuns, pra depois mergulharem no Fanon. Admito que é um sambinha literário pouco urbano, pouco branco, distante do curta-metragem acadêmico. Mas é que eu não aguento estas obrigações da moda na literatura ou filosofia, no cinema e até nos beijos! Se ninguém mais lê, a não ser as orelhas... Se bem que isto já é uma outra história, pro meu post a respeito do Cine na Mochila de BH :)

Paz, Gentileza y Invasão
biAh weRTHer