domingo, 28 de dezembro de 2008

Cler.i.cot

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008


Queridas Pessoas do Bem :)

Percebi que muita gente não lê os créditos dos filmes.
Então muitos não sabem que faço cenários, objetos e figurinos porque foco sempre
meu blog na atividade de cineasta, diretora, editora...
Bom, mas se eu ando divulgando pouco as demais atividades, resolvi mudar isto.

A partir de hoje, bem no Natal, abro oficialmente,
para visitação virtual, o meu lar-ateliê :)
Estou animada, sempre em viagem e criando...
Exporei coisas novas a qualquer momento,
sem preocupação com temporada ou tendência, claro!!
Visitem sempre, opinem, comprem e repassem aos amigos :)

E o ..Cinema8ito..? Calma. Estamos em trabalho
interno de transição de ano, estudo de propostas,
orçamentos, preparação de estréia, atualização de saites,
decisões do Flõ Barcelona... Recesso de mostras e rodagens, mas ativos demais.

Super 2009 PRA GENTE!!!

Paz y Gentileza \o/
biAh weRTHer
cineasta e criativa
www.atelieabierto.blogspot.com

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma janela na janela



Festa de final de ano do Cinema8ito e M.i.p.V só poderia ser com câmera, projetor, guitarra e baquetas nas mãos. Perfeito e dulce!! Lotou de gente pra ver a exposição dos objetos e bazar na parte interna do Muffuletta e
pra ver as projeções do Cine8 e o show da MipV na calçada;
Fernanda Herrera é uma das pessoas novas do nosso coletivo,
foi nossa primeira ação juntas. Ela foi sensacional, porque eu fiquei
rodando imagens do show bucólico e envolvente, do público que foi se chegando, das imagens na janela, da polícia que veio saber o que se passava... senhoras batendo o pé, senhores fazendo fotos, Adriana Deffenti de vestido rosa dançante,
casais, crianças, meninas comparando as tatoos e os inevitáveis síndicos sisudos à espreita em vãos de cortina, .

O Rico Assoni, um dos atores mais 8itistas do planeta e o Yury hendrik (que faz nossos troféus do FLõ) foram apenas duas das muitas pessoas importantes que chegaram tarde. Mesmo assim eu os apertei até suar!
Como diz a Laura do MipV:
- Tem que começar as coisas na hora!

E as nossas atividades começaram as 18, em ponto, nós ainda montando e a galera
já chegando pra ver os trabalhos da Claudia Porto, que chegou do Rio, do Mulheres de Quinta, Gica Fetter e Salve Jorge. (Mas as fotos desta parte estão no blog da minha
loja tridimensional
, onde mostro pedacinhos do meu ateliê-lar junto com meus desenhos)

O show assim, num final de tarde quente, na rua, ainda mais do MipV,
foi da mais pura emoção, entao eu nao consegui mais largar a câmera.
Conforme a noite caiu as projeções foram se destacando.
Fiquei coordenando a dinãmica das imagens que a Nanda fazia pra que as interferências
valorizassem o material que quero transformar em clipe, ou ao menos documento editado.

Comprei um tecido translúcido e projetamos de dentro pra fora, a janela se movia atrás do batera. Fui me emocionando muito. As imagens foram de trabalhos meus em super 8 e em vídeo, e trampos do André Arieta e do Rick Cançado.

Bem, nós não temos sorriso esquisito e nem estávamos bebadas apesar das cachaças ali atras. Rolou que esta é a única foto em que minhas olheiras chamam menos atenção do que nossa felicidade.
Ah! Essa é a Fernanda, que deu o show de imagens invasivas junto comigo no Muffuleta. Festa de final de ano, nós diante do projetor, uma sensação de 50 graus, mas tudo lindo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

minha singela carta de final de ano \o


.
.
Colegas ativistas, cineastas, artistas, apoiadores e amigos do bem :)


Minha última viagem de 2008 foi a Floripa,
onde participei do júri do edital de longas, curtas, docs...
iniciativa imensa com incentivo pra 6 categorias de realizadores.

Voei pra lá justo na semana mais problemática para o lugar mais
cheio de graça do país. A natureza não consegue convencer o homem de que ela vencerá...
À espera da reunião de júri, aprisionada pela chuva, não podendo ver amigos
porque não seria ético, estudei mais um pouco os projetos inscritos, visitei o Palácio Cruz e Souza, fiz fotos e escrevi textos, ainda não publicados, sobre as animações fantásticas que Santa Catarina vai nos exibir brevemente, vocês vão ver.
Aproveitei o momento para pensar sobre este vendaval de

Duas mil e 8ito AÇÕES que vivi neste ano.

No coletivo desorganizado ..Cinema8ito..
usamos sempre a expressão 'paz y gentileza'.
Mesmo nos momentos em que me revolto com a estupidez humana,
especialmente em relação à escravidão de animais e aos que usam recursos públicos pra seu próprio benefício, juro que estas duas palavras juntas têm seu poder,
paz e gentileza.

Dizem que em 2009 teremos a maior das crises financeiras da história...
Sei lá sobre isto, pois o mundo das pessoas comuns têm estado sempre em crise financeira.

Aqui, nas redes livres, os paradigmas são outros.
Só mesmo a ação virtual pode ser tão frágil a ponto de cair do dia pra noite e
sómente isto daria vida às lágrimas secas dos poderosos.

Então, vamos viver e deglutir a crise,
pra que eles chorem, empobreçam, se defenestrem em desespero e saibam como é a rua. A nós não assusta a falta de verba, é a nossa rotina, nunca perderemos tempo chorando as pitangas.

Outro dia um colega de mesa, num debate, dizia que foi, nos EUA, a um encontro das grandes distribuidoras de cinema e que lá só se falava o tempo todo do quanto
estão apavorados, sem chão, como foi com a música, meio perdidos diante deste surto de novidades tecnológicas e a perspectiva do descontrole sobre as obras, a internet e as mentes.

Me peguei exultante a falar pro público:
- Que bom que eles estão apavorados, que coisa linda de se ouvir.

O nosso mundo real é de Ações, no sentido de Atitude. Ora, ação palpável não cai, no mínimo voa ao sabor do vento, a mudar o rumo da história!

Então seguimos ricos, rumo a 2009,
nós todos em rede, olhares brilhantes, liberdade criativa, pessoas gentis e
artistas corajosos, livres e independentes.


Em 2008 o coletivo desorganizado..Cinema8ito.. fez 8 anos!


8ito é infinito...
então nós do FLõ festival do livre olhar
não somos somente o Edu Ioschpe, o André Arieta, o Edu Marino,
o Tangerino, a Rachel, a Nina e eu. Há uma 8itava pessoa,
e ela são o tudo, aqueles que procuram assistir os filmes e

todos os que se juntam à nós a cada invenção,
esta 8itava pessoa são cada um dos novos que estão integrando
agora os trampos de transição de ano, são os coletivos amigos,
são também os alunos dos laboratórios descontrutores em cada cidade que invadimos,
o povo da FilmeLivre.com, trilheiros, produtores, coordenadores de sala, projecionistas, motoristas, técnicos, Prefeituras, Sescs, Universidades Federais, espaços culturais, entidades de cinema e de outras artes.

Foi 2008 o ano do meu aniversário de 10 anos de carreira no cinema
e meu coração de vidro não parou de andar, como diria Sérgio Sampaio.
Invadimos o Brasil e a Espanha
com o FLõ - Cine na Mochila, cujos programas da temporada com os filmes e locais de exibição estão quase todos no sítio do Flõ.

Foi o ano em que meu corpo doeu muito
porque meu quadril tá com um problema estranho e to fazendo mil exames,
mas daí eu brinco que sô mesmo neta da Frida Kahlo e bóra a voar.

Foram cerca de 50 filmes exibidos em várias cidades,
3 lindos trabalhos experimentais realizados nos laboratórios
de cine desconstrução,
fizemos curtas, compusemos trilhas
e existem as minhas video-instalações e videoarte sanguíneas que preparo nas madrugadas insones
e convenço as pessoas a montarem comigo nas aberturas e ficamos
extasiados, em outra dimensão!

Mantivemos o cineclube virtual
e a equipe de pós produção do longa que está em negociação com distribuidora e apoiadores para lançamento, planos de circuito...
Vários trailers estao no nosso youtube .

Finalizamos o biênio de exibição e homenagem a Luiz Rosemberg Filho,
o Rô, que ajudou a incomodar muitas cabeças duras.

Muito embora hoje em dia estejamos todos espalhados pelo mundão,
resolvi fazer a última invasão do ano em nossa cidade natal,
Porto Alegre. Descompromissadamente, em clima de festa,
já com gente nova na equipe,
em meio a projeções experimentais e invasivas, como gostamos.
É evento de artistas que, como a gente, vivem pra levar a cultura independente numa caravana infinita.

O e-fly tá abaixo e release, too.

Pretendo virar meu ano no Rio, cheia de amigos de cinema,
de lá coordenar os maravilhosos projetos... pra nós 2009 já iniciou.
Quem quiser o FLô - Cine na Mochila em 2009, com suas novidades esquisitas,
nos peça o projeto, já estamos fechando
o cronograma de viagens do ano e acertando o FLõ em Barcelona.

A vida livre é de uma intensidade tão energética, que não entendemos
nada a respeito dos conceitos relativos ao impossível, não sabemos nada sobre isto.

FELIZ ANO NOVO!! APAREÇAM NO MUFFO QUE A ENTRADA É FRANCA ATÉ PORQUE TUDO JÁ COMEÇA NA CALÇADA!!

paz y gentileza
biAh weRTHer

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

... 2009... quanta coisa...



Amigos do coração,

O e-fly acima foi desenvolvido por mim sobre uma foto que fiz da Gica Fetter num dia em que tomávamos um champanhe nas mesas de mosaico do Muffo, a combinar o evento de final de ano.
É que nós do Cinema8ito, resolvemos encerrar o circuito livre deste ano na nossa terra natal, Porto Alegre, com a presença dos 8itistas de Barcelona, que chegam agora pra iniciarmos os preparativos do FLõ a la fresca 2009.
Nossa última invasão do ano será neste acontecimento cheio de artistas que, como a gente, vivem pra levar a cultura independente numa caravana infinita.
Repasso abaixo o release da assessora de imprensa, Laura Leiner, com um orgulho imenso de tudo o que representou este ano para o coletivo ..Cinema8ito.
(Veja num dos blogs de cultura mais lidos da cidade: www.sabrinaortacio.blogspot.com)

paz y gentileza
biAh weRTHer

--------------------------------------------------------------------------------
Músicas intermináveis para Viagem
..Cinema8ito..
biAh weRTHer
Exposição
Lançamentos
e Bazar


Todas essas atrações fazem parte do evento que o Muffuletta promove neste domingo, dia 21 de dezembro, para encerrar o ano de 2008 com show, projeções, exposições de fotos e objetos, lançamentos de marcas e bazar.

Como define a cineasta biAh weRTHer, uma reunião de artes e expressões altamente positivas e energéticas.

* A M.i.p.V retorna do seu circuito na Europa e faz um show na calçada, no fim de tarde, pra tomar fôlego e seguir viagem.

* O coletivo ..cinema8ito.. encerra seu circuito pelo Brasil e Espanha e exibe as vídeo-artes que produziu ao longo do ano.

* Exposição de objetos da cineasta biAh weRTHer, que retoma seu circuito nos primeiros dias do ano, pelo Rio de Janeiro.

* Lançamento da marca Dolls Exchange, da designer Giselle Fetter.

* Lançamento e exposição das jóias falsas (bijuterias) da confraria Mulheres de Quinta.

A banda Músicas intermináveis para Viagem (M.i.p.V), de trip rock instrumental, faz seu último show do ano em Porto Alegre, depois de fazer uma turnê de 19 shows na Europa, circulando por 6 países.

O destaque da tour fica para a participação da M.i.p.V no Ferrara Buskers Festival 2008, que aconteceu nas ruas de Ferrara, uma cidade medieval ao norte da Itália.

Retomando os ares deste festival, neste domingo, a M.i.p.V se apresenta no lado de fora do bar, na calçada, na frente do Muffuletta, num show aberto ao público.

Já o ..cinema8ito.. invadirá o show da M.i.p.V com projeções, que serão exibidas na janela do bar.

E além dos objetos de biAh weRTHer, segue no Muffuletta a exposição de fotos de Viviane Gueller, um trabalho definido pela artista plástica como arte-reportagem, que fica em cartaz até dia 4/01/09.

O Muffuletta bar café é um espaço aberto a manifestações artísticas e culturais e desde sua inauguração, em 2003, tem sido o local para lançamento de livros e revistas - como a Teorema -, e exposições de artistas como Fabio Zimbres, Gelson Radaelli, Maria Tomaselli e Brito Velho, entre outros. Em 2008, participou do concurso Boteco Bohemia - Petiscos de Boteco e, em julho, ampliou a casa, reinaugurando com show da banda Justine e uma série de eventos, incluindo o lançamento de seu site www.muffuletta.com.br .

Domingo, dia 21, a partir das 18h,

Show com a banda Músicas intermináveis para Viagem (M.i.p.V)

Projeções do coletivo ..cinema8ito..

Exposição de objetos da cineasta biAh weRTHer
Lançamento das marcas Dolls Exchange (design) e Mulheres de Quinta (jóias falsas)

Entrada franca

No Muffuletta bar café
(rua da República, 657, Cidade Baixa, Porto Alegre, fone: 51-3224-1524)

www.muffuletta.com.br

Divulgação: Lassessoria arte&independência
lassessoria@hotmail.com - 51-9298-9591

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

VERÃO, novo filme de Carlos Gerbase



Gerbase saiu para tomar a fresca.
Digo do seu longa livre, o 3Efes (não curto esse título!).
Conheci o filme faz pouco, pelo Canal Brasil, embora eu prefira assistir os filmes nacionais na sala de cinema, deixando coisas como os premiados na cerimônia do Oscar pra tv a cabo.

Assisti 3 Efes do modo como faço em tempo de férias,
em duas fases. Numa noite, tomando chardonat, e numa manhã de folga, bebendo chá verde. Dois espíritos opostos.

Começa o filme e me vem uma certa leveza!
Precisei um tempo pra entender que esta sensação era o simples fato de não estarem por ali alguns atores globais tentando forçar um gauchês e deixando o ambiente com aquele ar de novela.
Foi aí que entendi onde estava o ponto incomodativo quando assisti o Sal de Prata e o anterior, que tinha uma trilha que adoro até hoje, o Tolerância.
Existe uma diferença entre usar um ator que casualmente trabalha na tevê aberta e chamar atores de novela pelo mero estratagema comercial, uma fórmula ilusória de sucesso que alguém achou esperto e muita gente vai atrás tocando tambor.
Eu não saberia e nem quereria comentar qual destes é o motivo para os globais tão insosos nos dois longas anteriores do Gerbase, mas o fato é que 3Efes ganhou um bocado por estar fora deste padrão. É um exercício de reencontro.

Fiquei surpresa e antes de publicar minhas impressões,
saí num sábado lindo de Porto Alegre a saber
o que pensavam outras pessoas. Aqui a vida é animada e provinciana, encontramos
as gentes mesmo que não queiramos e seria fácil ouvir opiniões.

Estacionei numa fábrica abandonada, encontrei o Sheila que me contou alguma coisa
enquanto operava um elevador de obra que nos levou até uma vista da ponte do Guaíba. Enquanto eu fazia fotos de demolições, do trensurb e do horizonte
ele me contou que o cabelo de sua personagem foi idéia própria e que, muito aberto, o diretor deu o sangue como alguém que estivesse em seu primeiro filme.
O Sheila.. que aliás foi uma das boas coisas apesar de ser só o porteiro.
Curti os dois no 3 Efes, o Gerbase
que deu uma personagem 'sem Sheila' para o Sheila, e o Marcos Kligman, que esqueceu de ser 'O Sheila', aquele que desliza pelas ruas de Porto Alegre Sheio de histórias cinematográficas da sua vida real.

No pôr-do-sol na Usina encontramos o Alfredo Barros em rítmo do final de tarde, distraído, fumando seu cigarro. Esperamos o elevador
indecisos entre um filme, um concerto ou uma peça enquanto eu ouvia o Alfredo, que falou do mesmo jeito que outros. A pessoa olha pra cima, dá um risinho, coça a barba (quando a tem) e diz:
- Ah, não sei porque tanta gente mete pau! Eu curti!Tem algo de volta às raízes...
Muito bom, disse ele empolgado.

Mais tarde, o André Arieta entre seus longos goles de breja me falou várias coisas boas, mais sobre o elenco, que é seu vício, seu mestrado e sua paranóia. Só não curtiu a fotografia. Gostou da performance do Leonardo Machado, que é nosso ator em dois trabalhos.

Falei com mais duas ou três pessoas na festa do Ocidente e por msn,
que disseram as mesmas coisas, tão lineares as opiniões.
Não dei importância às opiniões negativas porque nenhuma me convencia a repensar algum ponto de vista. Eram só pessoas falando mal de tudo, menos do filme, que era o meu assunto. Mas esta é só a parte ruim de nascer numa província, o nosso umbigo, encontramos todo mundo tantas vezes em torno da praça que falamos o que não deveria nos interessar.

Retomei o texto neste domingão Greta Garbo.

O 3 Efes é um filme de entretenimento, a gente adivinha o que vem, mas ele passa tranquilo, vai caminhando e tu vai assistindo, curtindo.
Tem códigos gaúchos,
propositalmente ou não, como todos os filmes de todos os lugares. A meu ver isto é sempre mérito. Sotaque, língua, olhar.
O Gerbase nunca é de mirabolâncias tecnológicas. É cru, quer contar sua história.
Não foi na narrativa que ele ousou, mas depois desse filme tudo pode acontecer. Vai que ele resolve fazer uma vídeo-arte ou um filme desconstrutor?

A minha opinião sobre o filme?

Me parece mesmo que a presença, nos filmes anteriores, de atrizes meio duras fazendo cara de 'sou gostosona e meu tom é morno porque decorei este modelo e assim é mais elegante', ofuscavam a boa mão do Gerbase. Caricatura é uma coisa que grita muito. Por isto, achei até esquisito que os destaques do elenco de 3Efes tenham sido esquecidos como apelo midiático. Sei lá se o filme temeu a sua própria ousadia, assim de voltar pra terra, ter um tom palpável, sem barbies, meijors e trololós..

Quero dizer, os motes da divulgação estavam no fato de ter sido captado em vídeo e lançado em 4 janelas ao mesmo tempo. Ora, produzir em vídeo e invadir todas as janelas é algo muito comum nas redes livres e nada comum no cinema dos ricos, então funcionou a estratégia, e foi somente isto que vi nos comentários de iniciantes, público ou jornalistas nas minhas viagens deste ano. Não se falava tanto do filme como obra. Possivelmente isto que me pareceu um equívoco midiático tem a ver com este encontro com o fato novo, o de se atirar das nuvens, por assim dizer. Deve ser refrescante e enigmático.
Depois de ter rodado cenas de sexo da Maitê (não muito boas) e contado com a Columbia (em outro sentido, menos boa ainda), Gerbase nos aparece com as estrelas dos filmes de seus alunos e atores que antes ganhavam apenas uma pontinha, e eles dão conta.

Não digo que o elenco não é instável em alguns momentos, como em quase todo o filme brasileiro, afinal. Perde ali, ganha aqui na mesma dinâmica sanguínea dos filmes livres. É busca coletiva do nosso cinema, diálogo entre tempos e espaços. Nos momentos em que senti uma certa dureza, fiquei pensando que o Gerbase estava apenas num reaprender, diante de um elenco que ama. Fazer um filme com muito pouca grana deve ter sido o maior dos desafios. Certos atores exigem mais tempo e muito laboratório e isto pede verba, pois, de fato, os atores ficam chateados quando a gente tem mil pesquisas e ensaios e um pingo de grana pelo tempo deles. Observei alguns momentos do elenco que precisariam mais tempo de trabalho, talvez. Mas não digo que comprometeu, até porque alguns impressionaram, deu gosto em vários momentos.

Destaco a Carla Cassapo. No tom, tranquila, exata, um eixo que valorizou as performances ao seu redor. Quando o centro não seria ela, roubou a cena, por assim dizer. Me pareceu muito adulta a atriz. Mérito do diretor, mérito dela. Achei que Carla é o grande lance do filme, aquele que deveria ter sido o objeto midiático. Mereciam este destaque, diretor e atriz. Como foi que o Gerbase conseguiu tanto da Carla natural, à vontade sem botox nem silicone, de quatro, algemada, dando risada na cama com dentes de verdade, quando tirou tão pouco das globais, ombros duros, seios empinados, risadas de arquivo, olhos distantes e, acho eu, bons salários? Daria um seminário!

Sobre o ator Felipe de Paula eu ainda pretendo fazer um artigo inteiro. Estive uma vez apenas com ele, num teste de elenco em que a minha personagem estava definida, entao eu ficava sempre em cena. O Leo Felipe ganhou o tal papel, mas depois disto eu fui observando o trabalho de Felipe de Paula, fui exibindo seus filmes pelo Brasil e até participei de um júri que premiou um filme onde ele dá um show. Ou seja, não me surpreendeu ele se sair bem no 3Efes como um apaixonado inexequível. Aliás, foi a partir da personagem do Felipe que admirei o roteiro.

Mas bem, creio que o objeto, o contexto corajoso em torno do objeto e as opções artísticas é o que 3Efes tem de bom. Não acredito que, ao menos em Porto Alegre, alguém da geração do Gerbase teria a mesma coragem de nascer de novo, beber na fonte, deixar o elenco gaúcho falar pra dar tempo de pensar no que importa, a persona antes da maquiagem. O processo do Gerbase marca por não separar o cinema em gerações, coisa que no sul se faz muito e é um pecado, porque onde o homem cria não pode haver status, os valores são inversos aos deste território.

Sempre curti 'Verdes Anos', que assisti bem no começo da minha carreira, em 98 por aí. Mas o Gerbase às vezes dizia pra gente:
- Vocês tem que assistir é o 'Inverno', esse sim!

Bem, um dia ganhamos uma cópia da Casa de Cinema (que me roubaram depois em Cuiabá e nunca esqueço!) e exibimos no FLõ 2005. Depois a cópia ficou na sala da minha casa, exibida meio sem parar, porque era um entre sai das pessoas do Cine8 a desproduzir o festival e dar um bico no filme e comentar.
Passei a concordar que Inverno é o melhor filme do Gerba. Mais que os curtas!
Muito mais que os longas que ele realizou neste século, quando me parecia sempre o Carlão gaúcho (não o Carlão do Filme Demência, mas este de agora...)

E foi assim que estudei O Verão (ops! o 3Efes),
e vi que subverte a caretisse medrosa de uma 'geração'
que parecia ter perdido a coragem depois de ter nos incentivado com a sua própria.
Me deu uma sensação de sol, sem aquele cheiro de naftalina
com botox. Foi como quando eu assisti o Inverno, que também imprime marcas relevantes na história do nosso cinema urbano.
Todos vimos uns erros juvenis no 3Efes (pra mim chama Verão),
mas são aqueles erros que a gente gosta
porque é a pessoa aprendendo ou reaprendendo e se expondo e mostrando vigor,
porque nunca ninguém fez o filme perfeito, mas todo mundo busca. Quem não busca mais, quem se repete, morreu. Vá inventando e don't look back!

Finalmente, a fotografia é dura demais às vezes, difusa demais em outras,
Mas isto é coisa que com o tempo se aprende
e, afinal, sempre acho muito iluminados os filmes do Gerbase,
como se faltasse a finalização. 'Apagar a luz só que nem tanto' é mesmo super difícil. Não creio que tem a ver com a falta de verba. É estética,
e talvez o que eu esteja opinando seja uma questão de gosto. Pode ser...

No resumo de minhas impressões, o que posso dizer sobre o 3Efes
é que o valor do filme - posso estar repetindo alguém
ou muitos - é o viço que representa quando desconstrói o modelo estratégico que os longas do sul estão adotando cegamente e com isto engessando um pedaço da nossa história, logo agora que estamos povoados pela diversidade. Só que parecemos querer ocultar, com vergonha de sermos modernos. Não falo da retórica mercadinho diante do mercadão que levou todo mundo a falar do filme. Não. É algo mais abrangente, como se alguma coisa nova estivesse pra começar, ciclo.

Falo de um diretor com, sei lá, 25 anos de cinema,
que foi livre no começo, depois se encarceirou e, de repente deu a louca
e saiu ao sol, vivendo de novo coisas que só gente inquieta conhece e que se não cuidamos com muito carinho, perdemos e
depois que passa, nunca mais, porque a grana pode ofuscar a luz natural e emburrecer. Foi isto que curti, alguém dar uma banda pelas mesmas ruas vinte anos depois como se nada tivesse acontecido, de igual pra igual. O jeito leve do elenco, o descompromisso, o frescor, o sem frescura.

O cinema gaúcho que tem encontrado janela é o mais frio e bem comportado, a maioria fica aqui fora a forjar suas próprias ventanas. Acho natural que um cara que teve uma banda punk até os 40 anos, venha brincar, ao menos um pouco, com este medo.

Se é bom ou ruim o filme? O 3Efes? Este que não curto o título?
Acho que é bom e ruim, bem como são os filmes feitos no Brasil, onde a umidade boicota o termômetro do forno, e como os filmes do mundo todo, um dia bons, outro dia ruins.

E eu fico aqui por esta madrugada, quase ano novo, editando mais um vídeo surrealista. Jájá tará no iutube.

Paz y Gentileza \o/
biAh weRTHer

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Bettie Page Forever

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fundacine, Bitols, Champanhe e Otto Guerra


Final de ano. Passo o ano tão séria, só no meu blog me liberto. Mas vou inverter as realidades. Porque é fechamento de 2008, estou selecionando 03 curriculuns para formar as equipes de transição de ano e imersão nos planos de 2009 (que já anda quente).
O Edu Ioschpe chega dia 20 e definiremos o novo FLõ de Barcelona, além de matarmos saudades de irmãos Floristas!
Dia 26 viro carioca de novo, a ver coisas com a Filme.Livre.com, a definir
a distribuição do nosso longa, fazer coisas fofas junto com o Edu Marino lá em Niterói... Viver essa minha vida quente.

Enfim, se é final de ano, temos retornos pra cuidar, cerimoniais a cumprir
e todo o espaço deve ser aproveitado.
Por isto, resolvi deixar registrado aqui no meu blog
o jantar de 10 anos da Fundacine numa espécie de homenagem.

Pouco tenho frequentado os eventos de cinema e arte
em Porto Alegre. Inclusive ando abrindo os convites pra coquetéis depois que
as datas já passaram, porque viajo tanto ou porque me bate a Greta Garbo...

Mas o aniversário da Fundacine
era um rsvp, então deu tempo pra pensar a respeito e ver que era uma noite pra o ..Cinema8ito.. prestigiar, obrigatóriamente.

Eu também fiz 10 anos agora e pensei muito a respeito disto nos últimos tempos. Havia um sentido institucional, mas também emocional. A Fundacine não nos esquece em seus boletins e apoiou o FLõ como poucos no RS. Tem me parecido uma gestão focada em abraçar o cinema gaúcho idoneamente. Deveria ser óbvio, mas no cinema do Brasil ainda é raro. Assim, quando faço curadorias e seleciono equipes penso em exemplos como este, onde nenhuma definição passa pelo plano pessoal. Tem momentos em que o cinema no nosso país ainda se distrai, então acho que devemos brindar quando dá certo.

Ficamos um tanto tristes porque nosso longa não saiu no catálogo lançado
naquela noite do aniversário da fundação. Mas foram erros de comunicação e eles mais uma vez foram muito sérios com a gente. Procuraram os motivos, enviaram uma carta com relatos e poucos dias depois receberam nossa apresentação do filme, uma exposição bem ..8itista.. mas muito bem recebida. Não gostaria de fazer um longa gaúcho sem a presença da Fundacine de alguma forma, porque sou assim toda cheia de cerimônia. Coisa de gaúcha.

Achei legal registrar aqui minha felicidade sincera pelos 10 anos que são meus também, e me orgulho muito. Por isto trouxe uma das fotos que fiz
do evento. Um dos momentos que curti, em que uma camerata toca ao vivo trilhas de filmes apoiados pela fundação, enquanto cenas dos mesmos são projetadas no telão.
Muito bom gosto... Achei bem gaúcho aquele momento no Sheraton, com toda a cerimônia bem vestida e necessária e depois a festança de sempre, onde todo mundo se encontra, brinda e fala besteira.

Enfim, à nossa mesa estavam o Paulo Daisson, do Clube de Cinema,
Esdras Rubim, Jaqueline Sanchotene, André Arieta de terno sobre camiseta do Figueroa, Mário Nascimento,
o Cleber, da Quanta... Mais algumas pessoas. Boas companhias,
mas claro que quando os garçons começaram a derramar mais espumantes eu saí pelo salão a matar saudades e, claro, ouvir algumas pessoas fazendo fofocas
tolas que hoje, passados 10 anos, não me incomodam de modo algum, passam batidas. Só não entendo porque não crescemos logo e paramos com pequenas diferenças infantis,
a exemplo da Fundacine, inclusive, que mudou muito nestes anos, se organizou, fortaleceu e acho que mostra como a gente quer levar pelo mundo o nosso cinema. Sejamos nós da desconstrução ou os mais tradicionais, o que queremos é vender o nosso peixe vivinho e saudável.

Outro dia, quando terminei uma palestra, alguém me disse assim que desci do palco:
- Adoro o quanto você fala bem e radicalmente. Só acho contraditório quando fica tão séria e repete que devemos lutar pela profissionalização. Será que os independentes devem pensar em dinheiro? Mas daí seríamos independentes?

Respondi a ele:
- Olha, ficar assim tão séria ao falar de qualificação é coisa de gaúcho e pensar em dinheiro é coisa de profissional.
Já a independência? Quem disse que independentes não querem receber para trabalhar? A independência que falo é a das idéias e também a financeira. Ser livre não precisa passar pela vontade de morrer de fome.

Pra não dizerem que ando séria até no blog, posto abaixo mais uma foto do aniver da Fundacine, eu já bem adiantada no champanhe e o chato do Otto Guerra \o/

domingo, 7 de dezembro de 2008

sábado, 6 de dezembro de 2008

Em Gravataí - RS

Estive palestrando em Gravataí.
O evento era o Gravacine, produzido pela Gaba Filmes.

Demorei algumas semanas mas nunca é tarde pra registrar. Faço questão de postar fotos do lindo local e
lhes falar da vontade de voltar
que a organização e o espaço do Sesc naquela cidade deixaram em todos os convidados.
A boa impressão começou com a equipe receptiva que nos apanhou em Porto Alegre, se fortaleceu na iniciativa dos coordenadores em diversificar os olhares dos debatedores e finalizou ao vermos o envolvimento do público que nos aguardava. Todos visivelmente orgulhosos. Ao que parece vem por aí um novo festival no RS.

No dia em que participei, um domingo, estavam
na mesa o Beto Rodrigues, Carlos Gerbase e a Vereadora Tânia Ferreira. Mediação da Mary Mezzari. Foi muito bom encontrar estas pessoas, nos sentimos à vontade, o público foi aumentando conforme o debate transcorria,
a qualidade do cine-teatro é impressionante e foi interessante debater
em torno desta vontade que Gravataí tem de se tornar um polo de cinema.
Espero ter contribuído e

quero participar mais vezes, exibir filmes, ver de perto o projeto se tornar realidade. Parabéns aos organizadores!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

E eu, que sô vizinha da Elis?!!



Cheguei de Minas e corri pro Zequinha isteidium!!
Show do REM. Nunca vi show mais tranquilo e seguro
em estádio lotado... Ou, vai ver os anos de
terapias diversas e meditações finalmente funcionaram
e perdi o medo de multidão. E também, essa banda é tão
antiga ... Sabe estes múdérnos com quarenta e poucos anos, caros
e muiiito blasé que tem às pencas em Porto Alegre e SP?
Estavam todos lá, me pareceu.

O Obama foi também!


O Zequinha tava uma Bombonera!!
Todo mundo de camiseta do Inter (menos os de pijama).
O André e mais umas mil pessoas estavam com fones, ouvindo o jogo.
A cada gol do Inter o estádio do Zequinha pulava e suava,
os gringos do palco achavam que era para eles... Mas só foram
ovacionados nos hits.

Encontramos o Marcelo Noah e até o Paul Stanley (ali atrás do Noah)

Acabou. Achei meio sem sal. A Ane acha que foi meio morno porque o som estava baixo. Fomos todos nós 5 mil em direção à saída estreita entoando hinos do Inter
e um hardcore do Sangue Sujo: Jesus Cristo vai voltar, aleluuuiaa, em Porto Alegre ele vai morar, aleluuuuia... Todos querem que ele more na sua ruuuua, mamãe quer que ele fique lá em caaaaasa.

Caminhando sem muita emoção, nos espalhando pelas ruas.
Como é tola essa minha pessoa, que só anda de carro... Eu nunca tinha notado que o bairro Mont Serrat é tão perto do IAPI, bem aqui.
Ah! Tem cada prédio legal no IAPI, todos baixinhos com seus jardinzinhos.
Diz que a Elis morava ali... Fiquei perguntando pra toda e qualquer pessoa... Em qual destas casinhas ou prédios ela morava?

PUTA MERDA!! Eu eu, que sô vizinha da Elis Regina!!!
Em que bairro Jesus vai ficá, em que rua Jesus vai morá. Na Santa Cecília ou na Conceição, no Espírito Santo ou na Assunção???

biAh weRTHer