terça-feira, 31 de março de 2009

gavetas, o grito, um interlúdio, minhas panorâmicas do mar e o Estado de falácias

video

A ressaca de uma mostra do FLõ é idêntica ao dia após um set de filme desconstrutor. Não pude dormir muito na semana passada,
até porque eu queria fazer uns trampos Vjs em meio as exibições deste domingo.
Era nervoso estar de volta a exibir em Porto Alegre, em casa tudo tem uma responsabilidade muito diferente...
Queria montar algum vídeo na hora, era muito pra elaborar...

O domingo chegou num clima de luta entre o outono e o verão, que não se vai nem com reza forte.
Menu, copiagens, vinhetas, montar o circo, organizar, editar, projetar, representar...

As 22:30, após 5 hs de projeções, meio rouca de tanto falar,
não sentindo bem meu corpo e deveras emocionada, entrei no carro sem palavras...
As lides de cinema livre nunca se furtam de trazer surpresas, contato com mil gentes, mas é diferente. Parece um show.
E é um show, não uma sessão de cinema normal!

Hoje, acordei e assisti dois filmes na tv a cabo,
dormi de novo e sonhei que eu estava numa praia linda
e que tinha que fazer fotos dela pra usar no topo do meu blog.
Eu queria enquadrar um pouco do mar, das pedras,
do morro cheio de verdes e de uns bichinhos sem igual que escalavam as pedras limosas.
Fiz tantas fotos! Bem como eu gosto...
Quis ver no google algum site de significado dos sonhos,
mas foi um dia de relatos do Cine Mochila e acabei esquecendo.

Quando abri meu laptop eu vi entre os milhões de e-mails não lidos
uma espécie de release, um texto conservador, quadradão e requentado
avisando que tinha por aí um tal dia de cinema gaúcho.
Assim, olhando de fora, alheia faz horas ao que eles fazem,
me pareceu apenas mais dia de MEIO por cento do cinema gaúcho!!

Até porque cinema, enquanto objeto de livre expressão, não tem cor, nem religião, nem tendência, ou sobrenome,
nem é separatista, tampouco tem planeta de origem. Isto tudo ele até pode ganhar,
depois, e daí precisa ser exibido sem discriminação.

A tal mostra, claro, tinha um ar excludente e antipático.
E, como todo o ano, burocrática e fechada aos amigos e companheiros políticos de alguém que faz um programa medroso (não é uma curadoria)
Nunca a propor diversidade ou inovação ou inclusão ou vontade de lutar
por algum tipo de mercado palpável e ar fresco.
Vem do nada, pronta, de uma sala de três ou quatro.
Uma festa verdadeira precisaria qualquer convite antecipado, feliz e abierto a todos os que lutam
e representam as mais diversas línguas e olhares do cinema feito no Estado.
Não importa quem, que tipo de filme faz, com quem anda.

Me pergunto quem vai nos contar o que o historiador oficial oculta sobre o presente dos cinemas do mundo. Como será este processo, como se dará o rompimento com a maquiagem e as perucas perfumadas?

De qualquer modo, dou de ombros, pois até onde sei este dia foi uma invencionice política que nada tem a ver com a verdadeira data do primeiro filme produzido no estado... É o que ouvi dizer numa reunião, uma vez,
quando um grupo fechado decidia o dia dos poucos e nada se poderia fazer além de enfrentar seus olhos secos e seus sorrisinhos amarelos.
Voz é algo inexistente nisto que chamam cinema gaúcho,
me desculpem dizer isto... fazia tempo que eu procurava não me posicionar!

Não entendo como não se constrangem e seguem passando este aparência superficial de um cinema que soma publicitários descompromissados para com mundo ao redor, pessoas escravas do monopólio televisivo e um rodízio estudado nos postos do poder. A fórmula é a mesma em todos os meios desde o princípio. O cinema não tentaria ser diferente.
Não se vê alguma voz mais corajosa e não deixam que ninguém perceba
que não é só isto que temos. Há muita diversidade neste que chamam de cine gaúcho,
mas que é cinema apenas, casualmente, pensado por diferentes personalidades que vivem aqui e falam bah, tchê, mas não falam apenas isto. Falamos todos a língua do que cada um viu e sentiu ao longo da própria vida.

Isto tudo eu não falava faz tempo porque as pessoas ficam com muita raiva e se vingam mesmo! Eu que sei como se vingam... eu que sei... é um lugar de aparências, branco... Pó de arroz, por assim dizer.

Mas ao ver o teatro gaúcho dando uma aula de mobilização enquanto nós representamos ou somos representados pelo
controle e pelo medo dos meninos comportados, e ninguém sequer sabe distinguir cinema independente de peça encomendada pra televisão...

Bom, nós muitos, como acontece em todo o mundo, nós a maioria, que não damos palanque pra dona Mônica Leal e similares,
que não acreditamos na ingenuidade de qualquer envolvido na milionária
falácia que se arrasta faz anos e já papou muita grana e ainda não
nos entregou a tal Cinemateca do Estado(e caso um dia ela se torne realidade, não será a nossa mas a cinemateca da minoria),
Esta maioria sem informações precisas do que se passa atrás das audiências não é convidada a participar de uma mobilização de amostragem e reflexão do cinema do RS,
mas recebemos, talvez num deboche, talvez por distração,
um convite feio e preguiçoso pra irmos ver os filmes chatos de alguns meninos comportados.

Desculpem se algum livre ali estava, por acaso, no meio do tal programinha burrocrático.

Mas enfim, só li hoje porque estou descansando minha beleza,
não poderia ter-lhes dado o ar de minha graça.

Assim como eles,embora eu seja melhor em divulgação,
nunca dariam o ar rarefeito de seus gestos contidos em nossas mostras floridas!
Acho que eles pensam que se aparecerem numa mostra que eu programo
poderemos tranca-los num quartinho dos fundos e praticar as mais terríveis torturas chinesas e torná-los estrelas de um snuff movie.

Ou, quem sabe, temam que nosso aroma de vida e nuvens e indagações
lhes desperte prazeres esquecidos ou nunca vistos e os torne sanguíneos como um dia no passado ou como nunca antes ...
Seja isto ou aquilo, sentem muito medo.. de se incluirem, de se misturarem, de ganharem uma cor nas faces, de serem a vera o que definem como coisa de gaúcho, isto de se aprochegar, vivente.

Sei lá sobre isto de falta de coragem!

Olhem, casualmente, eu estou bem Porto Alegre pelo menos até final de abril,então o Brawl me convidou
e fizemos esta super mostra livre e bela e diversificada que salvou a pátria nesta semana des festas em Porto Alegre.
Dentro deste evento de várias manifestações,
aberto ao mundo todo, o Grito Rock, que,
segundo a produção só foi mesmo apoiado pela imprensa livre e independente.

Mas as redes estão revolucionando o mundinho dos janotas e tivemos muito público!

Colo, abaixo, meus relatos felizes:

A TODOS OS QUE PARTICIPARAM ATIVAMENTE DO GRITO ROCK!

Eu e a turma toda do colectivo ..Cinema8ito..,
do FLõ Cine Mochila, todos os cineastas que pude exibir,

Queremos AGRADECER ao Brawl, Juliano e equipe pela oportunidade :)

O RS ainda não sabe integrar de fato, intimamente, todas as artes como tenho visto em minhas muitas viagens de cine.
Acho que o Grito Rock se abriu pra isto de um modo muito lindo e democrático.
Muita gente mais antiga meio que olha pra gente e não entende o que estamos fazendo num evento de música.
E pra quebrar estes paradigmas um projeto como este é mais que simbólico!

É preciso se misturar com a rotina do outro, saber onde nos cruzamos, porque este é um século onde tecnologias e linguagens não entendem fronteiras.
Dividir o mundo em gavetinhas é coisa de revista de fofoca!
Bem, Foram 5 horas de projeções para um público super diversificado.

Durante alguns filmes o lounge ficou lotaado, noutros momentos, quando tinha banda no palco, ficavam menos pessoas, quase sempre as mesmas, inclusive.
O que deixou ver que teve gente que queria mesmo era prestigiar e conhecer audivovisual livre.
O público mais fiel por ali era muito legal,
curiosos e opinativos de 20 a 40 anos que não aceitavam se ficavamos nas vinhetas por mais de 5 minutos.

Uma maravilha! Lavei a alma, pois desde 2005,
quando fomos convidados pra ir a Cuiabá fazer uma invasão de cinema no Calango, pouco fizemos de eventos junto ao povo roquenrou.
Para nós, que fazemos música e trilha, é um jeito de rever amigos e nos sentirmos em casa.
É sempre complicado tecnicamente, muita coisa é de pensar e melhorar pra uma próxima, reunir as equipes antes pra estudar logísticas e dinamicas e tal, mas mesmo assim, fomos super bem tratados pela equipe do Grito e por todas as pessoas.
Todo mundo se ajudando e convivendo na maior paz y gentileza!

Estou escrevendo um relato a cada um dos cineastas que exibi, especialmente ao diretor do Veludo e Cacos de Vidro, de SC,
que foi o maior sucesso da noite no nosso cantinho de cine,
seguido dOs Boçais, RS,
que fez com que muita gente viesse perguntar sobre o filme.
E o trabalho do Electro-I-Man foi o que mais nos pediram pra reprisar, várias vezes. Grande parte do que se chama de cinema gaúcho é muito certinha e limitada ao
que se chama de 'curtas gaúchos',
então as pessoas ficaram muito surpresas com o trabalho corisqueano.

Sobre os nossos filmes 8iteiros, só posso dizer que fico sempre muito feliz quando exibo.
Faltou um microfone ali pra falar de cada filme,
apresentar a alma do cine na mochila e deixar as pessoas mais a vontade pra se aproximarem da tela, pois poucos sentaram diante dela onde em geral a galera pode se deitar e conviver com os filmes.
Isto geralmente é assim, precisa ter uma performance de palco, cinema também tem sua miséncene, chamar o povo pra mais perto, porque a tela de cinema independente, no mundo globalizado e monopolizado, ainda é algo com o qual as pessoas não têm intimidade.
Especialmentre numa cidade onde o público em geral pensa que curta metragem são aqueles ensaios pra novela exibidos na globo local e que filmes devem passar uma 'mensagem', tipo pastor do poatv.

Mas cinema independente é mais que tudo toque, troca, liberdade, guerrilha e invasão! Vou postar no meu blog, que muita galera brasileira lê, de várias partes do planeta.
Espero nos vermos numa outra oportunidade.
Espero que meus filmes cheguem até vocês.
Quem assistiu ontem deve ter percebido que o cinema que fazemos não vive sem a música.
Trabalhamos com trilha original e muitas vezes nosso tema é o underground.

PARABÉNS, OBRIGADA, DESCULPAS POR TER PARADO AS 22'30'' COM AS PROJEÇÕES MAS EU NÃO ESTAVA PAGANDO AS ASSISTENTES E NÃO QUIS CANSA-LAS DEMAIS. Coisas da vida de cine independente...

Paz y Gentileza y Invasão!

sábado, 28 de março de 2009

Ah! E os Boçais!

Pessoas todas!!!!


Faltou um filme no programa do Grito Rock que divulguei abaixo!!
que eu ainda não tinha recebido a confirmação.

Mas não se faz um programa destes sem ele!
Já tive o prazer de exibir no Rio, em Minas, em São Leo... muitos lugares!
Sempre com destaque ao coreógrafo de lutas.



OS BOÇAIS, 16’39, Dir Lufe Bollini, 16’39’’, 2008, RS
Roteiro e Direção: Lufe Bollini
Fotografia: Juliano Dupont
Arte: Anna Carolina Oliveira
Som: Nicky Klopsch
Montagem: Lufe Bollini
Coreógrafo de Lutas: Fred Ruas
Direção de Produção: Clarissa Brittes

Elenco: Danny Gris, Matheus Walter, Rico Assoni, Astor Kelen-Anouk, Mariel Sosa, Zeca Brito

Sinopse: Na Província de São Pedro, três jovens libertinos comandam o quarto distrito e buscam a fama com a bençao de uma figura misteriosa chamada Pai José. Com a chegada de um jovem forasteiro a verdade é revelada.
TODO O PROGRAMA? Sõ correr a barra enquanto ouve o Sid Vicius ou o Cartola ou o Jackson do Pandeiro ou a Nancy Sinatra ou Nico ou....

paz e gentileza

biAh weRTHer

quarta-feira, 25 de março de 2009

em qualquer rua de qualquer cidade


O colectivo ..Cinema8ito..
a convite do nosso hermano mil faces musicais e cinematográficas, o Brawl,
vai invadir o Grito Rock na semana de Porto Alegre.
Na tela, no teto e nas almas , projeções de Brasil e Espanha !!
http://gritorockpoa.blogspot.com/--------------------------------------------------------------------------------

Já que o tema é som, resolvemos exibir
o VJ Eletro-I-Man, Representante de Corisco em Barcelona.
E levaremos
curtas de gente que faz cinema e roquenrou,
como Marco Martins (SC) e André Arieta (RS).
Estréia interplanetária do curta-metragem REVERSO de Edu Egyto (RJ).
O filme do Daniel Marvel que levou o prêmio Sonidos no FLõ festival do livre olhar.
VideoClipe do Sol na Garganta do Futuro (ES).
A projeção invasiva tem a performance e as artes vídeo-sonoras de biAh weRTHer e sua outra face, VJ Cler.i.cot.
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Abaixo o programa todo do Grito Rock cinematográfico demás.
MANARA, Av.Goethe, 200
dia 29 de março COM ENTRADA FRANCA + 1kg de Alimento ñ perecível
10 bandas+feira.rock+arte+cine desconstrução:

ABERTURA DOS PORTÕES - 15H



CURTAS NO GRITO ROCK:



CONSTELAÇÃO DE SONHOS, 3'30'', Barcelona
Electro.I.Man

Animação experimental

SINOPSE: O vídeo Constelação de sonhos é uma viagem pelo universo de Ítalo Calvino e sua obra Cidades Invisíveis. O vídeo nos cria uma constelação de conceitos e imagens, um recorrido por estruturas lúdicas e estímulos sensoriais. A literatura do autor é retratada como um ritmo pulsante inseparável da existência humana.

Relato vermelho, o nascimento dos suprasensoriais, 3'38, Barcelona
Electro.I.Man

Animação experimental


SINOPSE: O vídeo Relato vermelho, o nascimento dos suprasensoriais conta a mitologia do cangaço contemporâneo, um universo visual que retrata a iconografia corisquiana e seus personagens.

REPRESENTA CORISCO, 2' Barcelona
Electro.I.Man


Cler.i.cot, 2', 2009
Plano para VJ
Cler.i.cot


PREMIER DO CURTA REVERSO, 6', RJ
Direção Eduardo Egyto
Fotografia Bruno Diel e Cláudio Brandão

Direção de Arte Raul Marques
Trilha Sonora biAh weRTHer e Nelson Realista
Montagem Daniel Cunha e Eduardo Egyto


BORBOLETAS NO ESTÔMAGO, 2'47'', um curta do Cine Desconstrução.
biAh weRTHer

SINOPSE: Busca inodora, espera salgada e vida líquida.
| Yo Mismita | & ..Cinema8ito..

SELF, 2', Animaçao na película

Direção, Pinturas e Ranhuras de biAh weRTHer

Trilha A Cretinice me Atray e biAh weRTHer


O MUNDO DE SOFIA, super8, 5', RS

Direção e Roteiro André Arieta
Direçao de Arte Macia Briones
Fotografia Vinicius Nora

Montagem biAh weRTHer

Elenco: Sofia


CABRA CEGA

Colagem de arquivos em super8 e cenas da ditadura militar brasileira. Paisagem das contradições de um tempo ainda não resolvido.
"Cabra Cega" é um videoclipe do grupo Sol na Garganta do Futuro.

Roteiro: Sol na Garganta do Futuro
Fotografia: Magno Bosi
Direção de arte: Sol na Garganta do Futuro
Montagem: Sol na Garganta do Futuro
Música original: Sol na Garganta do Futuro
Som direto: Sol na Garganta do Futuro
* Melhor Videoclipe, 14˚ Vitória Cine Video, Vitória, 2007


VELUDO E CACOS DE VIDRO, 17', SC
Direção Marco Martins
Elenco Julie Cristie, Renato Turnes

SINOPSE: A ascensão e queda de uma história de amor.



PORCOS NÃO OLHAM PARA O CÉU
, 11', RS – Prêmio de ‘Sonidos’ no FLõ festival do livre olhar

Direção: Daniel Marvel
SINOPSE: Você tem mania de que? Catarina tem de tudo, limpeza, organização e até de curiosidades. Cansada de tudo resolve acabar com a própria vida. Esperando pelo fim de sua agonia algo inesperado desperta a sua curiosidade e ai que ela se lembra da decisão e precisa agir rápido se quiser voltar atrás.

MAIS SOBRE O PROGRAMA:
http://gritorockpoa.blogspot.com/

discotecagem:
Alessandra L. (Lautmusik)
Yog Mars (London Calling)

line up:
ALCAPHONES (myspace.com/alcaphones)
ANDINA (myspace.com/andinarock)
APANHADOR SÓ (myspace.com/apanhador)
CLÃ MCLOUD (myspace.com/clamcloud)
FRANK JORGE (myspace.com/frankjorgesolo)
LARANJA FREAK (myspace.com/laranjafreak)
REDOMA (myspace.com/redoma)
SUBTROPICAIS (myspace.com/subtropicais)
SUCO ELECTRICO (myspace.com/sucoelectrico)
WALVERDES (myspace.com/walverdes)

MANARA, Av.Goethe, 200
dia 29 de março COM ENTRADA FRANCA + 1kg de Alimento ñ perecível
10 bandas+feira.rock+arte+cine desconstrução.

segunda-feira, 23 de março de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

O Castelo, O Abismo, Os Mirantes e a Revolução

ou

O Segredo estará com a Mulher da Câmera.



2009. Foi um Janeiro quente no Rio de Janeiro.
Chuva ácida... meleca.

Me cite um diretor de arte, digo criativo de verdade,
destes do Brasil, que nunca se misturou, fascinado, pelo Saara,
a comprar detalhes, a ver as coisas que ninguém olha... imaginando cenários
e desenhando pequenos objetos.

Entrei numa igreja um pouco deteriorada
que um dia foi muito linda, por certo. No meu mosaico de reflexões
tenho certeza que os segredos de todo o universo estão sempre nos rejuntes dos
azulejos. Todas as respostas
pairam ali, muito mais que nas pirâmides do Egito. Não quero entrar nas
pirâmides esvaziadas, quero ver os ladrilhos de todas as calçadas
e os azulejos de todas as paredes, os entremeios.
Na tal igreja, achei um quarto ao fundo, dos pedidos e promessas. Figuras dos santos
aprisionados. Uma cela, velas, papeizinho, calor, suor, as manchas pretas de chamas mortas
Pensei num quilombo para os santos, nao pedi nada, eles pareciam tão
cansados...

Final de tarde, eu dentro do frescão pensando longe, muito longe, sonhando
coisas de cinema.
De repente o ônibus para, eu olhando da janela, avisto a placa da Ancine.
Não sabia que era assim, imaginava diferente, sei la,
uma coisa tipo Avenida Paulista.

Fiquei tentando fazer uma conexão transcedental.
Nunca entendi pra que me serve a Ancine.
O nome tem sua pompa. Agencia Nacional de Cinema...
Agente lembra algo da Cia. E a única vez que recebi algum
contato direto da Ancine foi uma carta bem burocrática que dizia
que devo pedir autorização pra continuar exibindo filmes nos projetos
de mochila pelo Brasil e no festival. Não sei se teria multa,
não sei de nada. Nao sei se teria que pedir autorização pra exibir
ate meus próprios filmes...
E, afinal, nao tenho uma secretaria pra ficar
mandando uma lista de todas as centenas de filmes nacionais que difundimos
ano a ano no Brasil e fora do Brasil. O que precisamos é apoio para um mínimo de organização do acervo.
Então, como não sei direito pra que nos serviria isto de autorização,
não respondi e segui vivendo normalmente.

Agencia... Repartição Pública...

Agencia também me lembra Agencia de Modelos.
Daí que, o ônibus parado na tranqueira do transito carioca,
eu ali olhando a placa da Ancine.
Fiquei me perguntando
que fazem as pessoas agora lá dentro?
Estarão de férias? Usam gravatas caras, sorriem para seus amigos,
abafam os passos em tapetes importados?
São modelos de qual cinema? Será que sabem que eu estou aqui agora
e que faço filmes sem sua autorização?
E se eu subisse ali? Será que é grande, grandes janelões,
secretarias, burocratas, salas, mesas, papeis, regras,
modelos?

Cinema...

Dois dias depois,
de novo,
eu no frescão pensando em vários filmes que temos parados na edição, essa falta de tempo,
esta falta de grana pra fazer tudo o que precisa.
O ônibus para na frente da Ancine.
Eu ali,
olhando o mundo cheio de gente com meus olhos de cineasta,
uma pequena câmera que levo na mochila e gravo alguma coisa em alguma hora,
sem saber porque. Gravo e fica, muitas fitas, tantas fitas...
E se eu subisse e gravasse eles trabalhando?
E fosse entrando com a câmera na mão
e dizendo oi pessoas, sou uma cineasta, vim ver o que se faz aqui?
Quem lhes paga sou eu né? Como vivem, quanto ganham,
são advogados, são cineastas reformados, são marqueteiros,
são o que vocês? Pra onde vamos, pra onde vão?

Daí uma secretara fria me diria
- A senhora nao pode gravar aqui sem autorização,
- A senhora precisa marcar audiencia,
- A senhora por favor acesse o nosso site...

Acho que seria meio assim.. não sei.
Agencia, agente. O que faz um agente.
Ah! Agencia!
Então eu diria,
vocês não querem agenciar a gente?
E os burocratas me olhariam
e se entreolhariam e fariam estalos assim
- tsc, tsc, tsc. De onde saiu essa louca?

Depois tomariam mais café seguiriam sua tarde, de gravata, pomposos -caso não estivessem de férias ou viajando para dar seus discursos-
De vez em quando um robô enviaria alguma carta pra mim,
porque sou um nome no arquivo, a dizer que preciso
fazer isto, preciso obedecer aquilo. E eu aqui, fazendo os filmes, exibindo filmes,
divulgando filmes, estas coisas assim.

De tanto que pensei no assunto,
cheguei em casa e escrevi sobre um planeta
do cinema que existe no Brasil.

A história, como é o nosso presente, não tem ainda fim, então eu adivinhei um final feliz.

O Castelo, O Abismo, Os Mirantes e a Revolução
ou
O segredo esta com Mulher da Camera


Segundo a acadimia,
cinema nao é arte, esta na coluna da comunicação,
porque a acadimia vive seu mundinho ilusório, correndo atrás de títulos
e não tem tempo para se atualizar. Precisam bancas e teses que dirão
tudo o que todo mundo já sabe, só que em tom de grande descoberta.
Em sua soberba infantil a acadimia é uma das tres pontas
de um tripé. Ela serve o poder. Calculista, não vive qualquer fantasia
de que alguém perderá tempo a rezar alguma cartilha, mas sabe que precisa encerrar o debate dentro de sua casta, montando um brinquedo mórbido movido pela e para a exclusão que será providenciada pelos burrocratas.

Os burrocratas travestidos de políticos (ou vice-versa)
sao a segunda ponta do tripé. Ninguem sabe a diferença entre um burrocrata e um politico nos dias de agora.
Servidos pelo mingau da acadimia, vivem no
castelo
com uma bela vista, acima da camada do sonho. Eles nao precisam sonhar, apenas acumular posses e poder.

No fundo do abismo, está a acadimia, onde crianças cegas de vaidade e
mimadas,
amarradas pelo tornozelo, ganham muita comida e muita bebida.
Elas também nao precisam sonhar, precisam apenas acumular títulos.
E acumulam. Eles saem dos bolsos dos seus pijamas e estao
presos embaixo dos talheres de prata.
A estas crianças cabe a tarefa de transformar o que se pratica
num mingau. Eles nao entendem o que se faz, mas acreditam
que não sabemos o que fazemos.
O mingau passa por um cano e vai ate o castelo, alimentar os
burrocratas travestidos de políticos (ou vice-versa)
que estao no castelo, logo ali.

A terceira ponta do tripé, empírica, é a mulher (ou homem ou outro sexo) com a camera.
Unica que pode medir
o tamanho do abismo
entre aquilo que se pratica e o que se discursa.
E única que pode sentir o peso do buraco que as duas primeiras pontas causam
na camada do sonho. E sem sonho, tudo morre de cansaço. Menos os
burrocratas travestidos de políticos (ou vice-versa), que estes nao sonham, sõ aculmulam posses e dao discursos.
Menos as criancas cegas de vaidade, que elas não sonham, só acumulam títulos e fazem mingau.

O que os burrocratas e os meninos cegos de vaidade e mimados nao tem como saber é que
cada indivíduo nasceu habilitado a fazer sua própria
crítica sobre qualquer espetáculo real ou imaginário.

Resta aos caçadores de títulos e aos burrocratas
levantarem a bunda do conforto que lhes bancamos
e darem uma olhadinha pela janela (no caso dos burrocratas do castelo)
ou para o céu (no caso dos meninos cegos de vaidade).

As coisas não andam fáceis para ninguém, é o final dos tempos.
Impedidos de exercer sua individualidade as pessoas com a camera estão
fora do castelo, separados pelo abismo, comendo umas as outras.

Mas de repente, alguém apontará na direção certa e as pessoas com a câmera na mão vão parar de se comerem umas as outras e vão atravessar o abismo, em direção ao castelo.

Os cegos de vaidade, não poderão ver de onde veio a foice,
porque estarão chafurdando de pijama e mingau, colando grau.
Os burrocratas, estufados, sempre com sede, quando sentirem as chamas, vão chamar a segurança e vão correr pro microfone
e vão se abraçar nos cofres, e vão chorar de gravata, vão perder a pose, vão pedir pinico.

Mas entre o poder, a vaidade e a ganancia, nada lhes será perdoado,
porque o segredo estará com a mulher da câmera.

Cito mais uma vez o Picasso
‘Não, a pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo.’

No mosaico de imagens da camera, tal qual no rejunte dos ladrilhos, estará a nossa resposta. As gravatas rasgam, os títulos viram pó.

terça-feira, 10 de março de 2009

UM CORDEL

( Por Miguezim da Princesa * )

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.



(*) Poeta popular, Miguezim de Princesa,
é paraibano radicado em Brasília.

domingo, 8 de março de 2009

dia da criança? e eu que nem acredito em papai noel?

As duas coisas que mais me angustiam nesta história de dia da mulher sao
a infantilização da figura feminina em todo o cartaz, propaganda, abertura de programa 'feminino', vitrine, mensagens em power point...
Essas coisas como musiquinhas tolinhas e flores cor de rosa e olhares sofridos de maria. O universo feminino é uma caricatura,
e as mulheres ainda não saíram dela. Ao contrário, a maioria tem orgulho desta mentira.

A algumas semanas, o Edu (aliás preciso dizer que a foto atual do meu blog ele que fez :) me mostrou um filme de um cara experimental dos anos 60. Ele me trouxe com uma emoção na voz e nos olhos, muito empolgado.
Primeiríssimo plano de uns olhos em lágrimas, mãos crispadas, boca se retorcendo,
dor, a beleza da dor? O ponto de virada, o nascimento, do pranto fez-se o riso (ao contrário do amor segundo Vinícius de Moraes),

Fiquei triste, decepcionada mesmo. Pra mim parecia uma propaganda de supermercado.
Acho que o magoei porque não vi beleza não!
Mas é que ali eu me vi a mulher, ele se viu a criança.
Deve ser isto. E eu já tive um filho e não foi devido à dor
que ele é tão especial como filho. A dor é do que não preciso lembrar porque eu era jovem demais pra entender e agora sou adulta demais pra querer.
Registra-la eu entendo, mas adorá-la, isto não me entra. Onde eu puder, optarei por não sentir dor. Nisto estou sendo homem?

Naquele momento ali, odiando aquele vídeo,
eu nunca tentaria explicar a ele o outro lado da dor e ficamos
num silêncio típico dos silêncios entre homem e mulher. Quando não há como um compreender as entranhas do outro.
Todo mundo pensa que eu falo tanto... mas aqui dentro eu sei que eu nunca digo nada.
Quantas mulheres falam? Somos tão verborrágicas porque ainda não encontramos a palavra. Deve existir um único vocábulo, perdido numa língua morta ou esperando pra ser inventado, que nos deixará em paz e livres de sermos
deusas ou anjos, ou trepadeiras.
Não é nos condoendo ou tendo o olhar sofrido das imagens santificadas
que seremos grandes mulheres. Ao menos a meu ver.

Pra ser feliz, aqui neste planeta, a mulher tem que sofrer primeiro,
sofrer pra dar vida ao outro. Ao que parece, também teria que ser feliz pela vida feliz do outro,
do filho?, do homem?, de todos ao redor?
Não sei nada sobre isto! Mas me pego tentando fazer os outros felizes,
não a mim. E faço!! E fico de fora, vou saindo... cuidando que se riam, eu quieta.
Mulher é assim?
E tenta não ser, que tu vai ver o que te acontece!

Lembra a Macabéa, a cena que a colega de trabalho pergunta":
- Macabéa! Você é feliz?
E ela devolve:
- E feliz serve pra quê?

Ao homem cabe a busca do não sofrer,
então ele precisa a mulher 'perfeita', que chorará por ele e sofrerá
lindamente por ele.

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Sobretudo me chateia a máscara política que deixa uma áura de santidade neste dia falacioso. A ponto de muitas pessoas -especialmente os homens machistas- me insultarem porque desdenho da data.

Como diz meu amigo Carlinhos Carneiro,
se o dia da mulher é internacional, então deve ser algo a respeito do Colorado!
Sim, também acho Carlinhooo! Talvez um dia das mulheres que estão com a mensalidade atrasada há cerca de dois anos ganharem o perdão da dívida!!

Observa que os caras mais filhos da mãe, aqueles que passam o ano te dando cantada no msn, fazendo convitinhos, te fazendo elogios cínicos e te tratando como uma imbecil, sejam eles colegas ou falsos amigos, são os que te dizem sempre:
- Oi linda, parabéns pelo teu dia :)

Daí tu responde mais cínica ainda:

- Ué, mas eu nao tou de aniversário!

Neste ponto, ou você finge que caiu o teu msn, ou deleta o infeliz de vez ou vai ter que ouvir muita coisa superficial a respeito do que um homem, sobretudo um machista tosco, pensa que sabe a respeito do que é ser mulher.

E eles defendem o dia da mulher, tanto que aproveitam e te convidam pra esta noite. Acho que pra tomar uma e refletirem juntos sobre a importância de termos mais uma dia no calendário das campanhas do xópin.

A outra coisa que me aborrece no dia internacional da mulher,
é que este, diferente do Dias dos Namorados ou das Mães,
vem com um complemento.
Ele também serve para campanhas políticas. E quem perderia a oportunidade pra um discurso??? Só ser for muito burro.

E daí eles fazem matérias nas favelas, mostram as mulheres espancadas
e falam das burcas e tudo isto que você já sabe.

E eles nos infantilizam e nós os infantilizamos,
dando-lhes o que comer.
Eu sou uma mulher absolutamente livre de cumprir a rotina, foi minha única real conquista neste mundo,
então acho triste ver amigas e colegas ou familiares que precisam parar de falar no telefone porque é hora do jantar do fulano e ele já tá reclamando. Nunca entendi de onde mulheres inteligentes tiraram esta vontade de não mudar o mundo!
Às vezes eu ouço coisas muito estranhas em papos feminimos, como precirem fazer tal comida deste jeito mesmo que não achem legal, porque senão o fulano não come. Ela sempre em segundo plano... A comida como o símbolo de tudo,
pois a mulher não é ela mesma um cardápio?

Mas claro que estou falando de quem tem comida pra fazer. Sortudas!
Pior a maioria, que precisa antes arranjar a grana, depois comprar a comida,
depois cozinhar e depois servir ao gosto do freguês, que na verdade nem paga a pensão.

Um cara hoje me disse que é muito fácil eu desfazer do dia da mulher,
porque sou cineasta, respeitada e ocidental.
Mal sabe ele que este dia é invençao ocidental e, ao que parece,
como toda a história ocidental, é baseada numa mentira.
Quem inventou este dia foram as mulheres? Acho que não, mas o machismo
sim, este foram as mães que inventaram!

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O que sei é que não há registro algum de jornais ou outros meios,
uma nota que seja sobre as tais mulheres incendiadas na fábrica num certo 8 de março nos EUA.

Então 129 mulheres (alguns dizem que é 130)
são incendiadas vivas em 1857 e não se encontra nada a respeito nas publicaçoes da época?
Ja viram que todo mundo repete a história mas ninguém pergunta qual fábrica seria esta?

Li textos contradizendo a origem deste dia, achei um link interessante, com o argumento de uma origem verdadeira nas mulheres socialistas. http://www.piratininga.org.br/memoria/mulheres-vito.html#datas

Pelo sim, pelo não, vou pelo meu coração.
Eca pra este dia internacional da mulher,
porque não chegou meu ingresso pro próximo jogo do colorado,
olho em torno de mim e vejo mulheres sofridas, sobrecarregadas,
as mais ricas disfarçando, as mais pobres não podendo maquiar a dor.
Políticas traindo as mulheres, homens usando as mulheres,
meninas sendo abusadas.

E o que é essa palavra, mulher? Até dá um certo calafrio,
um nojo de tanto que usam até gastar.
Qualquer um diz que é mulher. Tem até uma governante por aí que é uma massa melequenta que um partido fedorendo esculpiu às pressas tentando dar um discurso de mulher. Mas mulher não é discurso, é gente.

O que vem a ser esse assunto de mulher pra cá, mulher pra lá?
Que nada muda, só piora.
Ja é 2009 e mulher no Brasil ainda é uma bunda, só que agora ficou tão grande e monstruosa que acho que nem o Crumb pensou!! E tem que errar quando fala,
ou fingir que erra, e tem que não gostar de pensar, ou fingir que não pensa,
e tem que engolir tudo, não pode cuspir porque não é de bom tom para uma mulher. Perde o respeito, entende?

E eu aqui, tentando entender o que é essa palavra que num dia destes nem
gosto de repetir? E se nada do que dizem dela é o que eu sou,
então o que eu sou?

Nas coisas simples da vida,
sigo tentando encontrar um só homenzinho que se diga teu amigo e nunca,
nunquinha tente transar contigo ou venha com piadinha machista em algum momento.

Sigo na minha vida pesada demais pra alguém do meu tamanho,
com raiva dos homens várias vezes por dia, com pena deles nos momentos que sobram,
decepcionada por muitas vezes, odiando quando mentem que eu dirijo mal o carro,
trabalhando muito mais que os homens que estão ao meu redor porque mulheres assumem mais responsabilidades pra o mundo correr normalmente, as casas ficarem habitávais, estas coisas.
Ainda luto pelo mesmo direito que eles, coisas comuns, como o de poder me abalar, ser transparente, uma hora ter um xilique (até agora, se tiver piti, a culpa não será dos erros deles
mas da minha tpm).

Sigo aqui, viajando por dentro e por fora e aguentando os homens,que
na minha profissão são uma esmagadoraaaa maioria, sempre querendo que eu faça tudo melhor mas finja que estou aprendendo com eles, sempre usando argumentos machistas quando perdem uma discussão, sempre exigindo que eu prove tudo o tempo todo, como se fosse um julgamento e não uma vida.

Observo que todos os homens ao meu redor esperam
uma projeção do impossível em nós mulheres, que não percamos a pose, que nunca tenhamos cara de bunda mesmo que seja o pior dos dias, que a voz esteja viva e feliz, que tenhamos a coisa boa pra dizer, que sejamos os ouvidos e não a boca (porque mulher que fala não dá!),
que estejamos sempre gostosas e que nunca sejamos agressivas. Que nunca saiamos do prumo, que nunca mandemos eles se foderem,
porque isto, pow!,
isto não pega bem pra uma mulher...

Mas,
como eu hoje não estou gostando muito das mulheres porque não percebem que isto é o dia da criança e mulheres adultas precisam alcançar seus sonhos aos poucos todo o dia e não rosinhas fake no msn nem mentiras de políticos,
eu peço licença pra mandar os homens SE FODEREM!

Sem gentilezas, mas é só hoje \o/
biAh weRTHer