A ressaca de uma mostra do FLõ é idêntica ao dia após um set de filme desconstrutor. Não pude dormir muito na semana passada,
até porque eu queria fazer uns trampos Vjs em meio as exibições deste domingo.
Era nervoso estar de volta a exibir em Porto Alegre, em casa tudo tem uma responsabilidade muito diferente...
Queria montar algum vídeo na hora, era muito pra elaborar...
O domingo chegou num clima de luta entre o outono e o verão, que não se vai nem com reza forte.
Menu, copiagens, vinhetas, montar o circo, organizar, editar, projetar, representar...
As 22:30, após 5 hs de projeções, meio rouca de tanto falar,
não sentindo bem meu corpo e deveras emocionada, entrei no carro sem palavras...
As lides de cinema livre nunca se furtam de trazer surpresas, contato com mil gentes, mas é diferente. Parece um show.
E é um show, não uma sessão de cinema normal!
Hoje, acordei e assisti dois filmes na tv a cabo,
dormi de novo e sonhei que eu estava numa praia linda
e que tinha que fazer fotos dela pra usar no topo do meu blog.
Eu queria enquadrar um pouco do mar, das pedras,
do morro cheio de verdes e de uns bichinhos sem igual que escalavam as pedras limosas.
Fiz tantas fotos! Bem como eu gosto...
Quis ver no google algum site de significado dos sonhos,
mas foi um dia de relatos do Cine Mochila e acabei esquecendo.
Quando abri meu laptop eu vi entre os milhões de e-mails não lidos
uma espécie de release, um texto conservador, quadradão e requentado
avisando que tinha por aí um tal dia de cinema gaúcho.
Assim, olhando de fora, alheia faz horas ao que eles fazem,
me pareceu apenas mais dia de MEIO por cento do cinema gaúcho!!
Até porque cinema, enquanto objeto de livre expressão, não tem cor, nem religião, nem tendência, ou sobrenome,
nem é separatista, tampouco tem planeta de origem. Isto tudo ele até pode ganhar,
depois, e daí precisa ser exibido sem discriminação.
A tal mostra, claro, tinha um ar excludente e antipático.
E, como todo o ano, burocrática e fechada aos amigos e companheiros políticos de alguém que faz um programa medroso (não é uma curadoria)
Nunca a propor diversidade ou inovação ou inclusão ou vontade de lutar
por algum tipo de mercado palpável e ar fresco.
Vem do nada, pronta, de uma sala de três ou quatro.
Uma festa verdadeira precisaria qualquer convite antecipado, feliz e abierto a todos os que lutam
e representam as mais diversas línguas e olhares do cinema feito no Estado.
Não importa quem, que tipo de filme faz, com quem anda.
Me pergunto quem vai nos contar o que o historiador oficial oculta sobre o presente dos cinemas do mundo. Como será este processo, como se dará o rompimento com a maquiagem e as perucas perfumadas?
De qualquer modo, dou de ombros, pois até onde sei este dia foi uma invencionice política que nada tem a ver com a verdadeira data do primeiro filme produzido no estado... É o que ouvi dizer numa reunião, uma vez,
quando um grupo fechado decidia o dia dos poucos e nada se poderia fazer além de enfrentar seus olhos secos e seus sorrisinhos amarelos.
Voz é algo inexistente nisto que chamam cinema gaúcho,
me desculpem dizer isto... fazia tempo que eu procurava não me posicionar!
Não entendo como não se constrangem e seguem passando este aparência superficial de um cinema que soma publicitários descompromissados para com mundo ao redor, pessoas escravas do monopólio televisivo e um rodízio estudado nos postos do poder. A fórmula é a mesma em todos os meios desde o princípio. O cinema não tentaria ser diferente.
Não se vê alguma voz mais corajosa e não deixam que ninguém perceba
que não é só isto que temos. Há muita diversidade neste que chamam de cine gaúcho,
mas que é cinema apenas, casualmente, pensado por diferentes personalidades que vivem aqui e falam bah, tchê, mas não falam apenas isto. Falamos todos a língua do que cada um viu e sentiu ao longo da própria vida.
Isto tudo eu não falava faz tempo porque as pessoas ficam com muita raiva e se vingam mesmo! Eu que sei como se vingam... eu que sei... é um lugar de aparências, branco... Pó de arroz, por assim dizer.
Mas ao ver o teatro gaúcho dando uma aula de mobilização enquanto nós representamos ou somos representados pelo
controle e pelo medo dos meninos comportados, e ninguém sequer sabe distinguir cinema independente de peça encomendada pra televisão...
Bom, nós muitos, como acontece em todo o mundo, nós a maioria, que não damos palanque pra dona Mônica Leal e similares,
que não acreditamos na ingenuidade de qualquer envolvido na milionária
falácia que se arrasta faz anos e já papou muita grana e ainda não
nos entregou a tal Cinemateca do Estado(e caso um dia ela se torne realidade, não será a nossa mas a cinemateca da minoria),
Esta maioria sem informações precisas do que se passa atrás das audiências não é convidada a participar de uma mobilização de amostragem e reflexão do cinema do RS,
mas recebemos, talvez num deboche, talvez por distração,
um convite feio e preguiçoso pra irmos ver os filmes chatos de alguns meninos comportados.
Desculpem se algum livre ali estava, por acaso, no meio do tal programinha burrocrático.
Mas enfim, só li hoje porque estou descansando minha beleza,
não poderia ter-lhes dado o ar de minha graça.
Assim como eles,embora eu seja melhor em divulgação,
nunca dariam o ar rarefeito de seus gestos contidos em nossas mostras floridas!
Acho que eles pensam que se aparecerem numa mostra que eu programo
poderemos tranca-los num quartinho dos fundos e praticar as mais terríveis torturas chinesas e torná-los estrelas de um snuff movie.
Ou, quem sabe, temam que nosso aroma de vida e nuvens e indagações
lhes desperte prazeres esquecidos ou nunca vistos e os torne sanguíneos como um dia no passado ou como nunca antes ...
Seja isto ou aquilo, sentem muito medo.. de se incluirem, de se misturarem, de ganharem uma cor nas faces, de serem a vera o que definem como coisa de gaúcho, isto de se aprochegar, vivente.
Sei lá sobre isto de falta de coragem!
Olhem, casualmente, eu estou bem Porto Alegre pelo menos até final de abril,então o Brawl me convidou
e fizemos esta super mostra livre e bela e diversificada que salvou a pátria nesta semana des festas em Porto Alegre.
Dentro deste evento de várias manifestações,
aberto ao mundo todo, o Grito Rock, que,
segundo a produção só foi mesmo apoiado pela imprensa livre e independente.
Mas as redes estão revolucionando o mundinho dos janotas e tivemos muito público!
Colo, abaixo, meus relatos felizes:
A TODOS OS QUE PARTICIPARAM ATIVAMENTE DO GRITO ROCK!
Eu e a turma toda do colectivo ..Cinema8ito..,
do FLõ Cine Mochila, todos os cineastas que pude exibir,
Queremos AGRADECER ao Brawl, Juliano e equipe pela oportunidade :)
O RS ainda não sabe integrar de fato, intimamente, todas as artes como tenho visto em minhas muitas viagens de cine.
Acho que o Grito Rock se abriu pra isto de um modo muito lindo e democrático.
Muita gente mais antiga meio que olha pra gente e não entende o que estamos fazendo num evento de música.
E pra quebrar estes paradigmas um projeto como este é mais que simbólico!
É preciso se misturar com a rotina do outro, saber onde nos cruzamos, porque este é um século onde tecnologias e linguagens não entendem fronteiras.
Dividir o mundo em gavetinhas é coisa de revista de fofoca!
Bem, Foram 5 horas de projeções para um público super diversificado.
Durante alguns filmes o lounge ficou lotaado, noutros momentos, quando tinha banda no palco, ficavam menos pessoas, quase sempre as mesmas, inclusive.
O que deixou ver que teve gente que queria mesmo era prestigiar e conhecer audivovisual livre.
O público mais fiel por ali era muito legal,
curiosos e opinativos de 20 a 40 anos que não aceitavam se ficavamos nas vinhetas por mais de 5 minutos.
Uma maravilha! Lavei a alma, pois desde 2005,
quando fomos convidados pra ir a Cuiabá fazer uma invasão de cinema no Calango, pouco fizemos de eventos junto ao povo roquenrou.
Para nós, que fazemos música e trilha, é um jeito de rever amigos e nos sentirmos em casa.
É sempre complicado tecnicamente, muita coisa é de pensar e melhorar pra uma próxima, reunir as equipes antes pra estudar logísticas e dinamicas e tal, mas mesmo assim, fomos super bem tratados pela equipe do Grito e por todas as pessoas.
Todo mundo se ajudando e convivendo na maior paz y gentileza!
Estou escrevendo um relato a cada um dos cineastas que exibi, especialmente ao diretor do Veludo e Cacos de Vidro, de SC,
que foi o maior sucesso da noite no nosso cantinho de cine,
seguido dOs Boçais, RS,
que fez com que muita gente viesse perguntar sobre o filme.
E o trabalho do Electro-I-Man foi o que mais nos pediram pra reprisar, várias vezes. Grande parte do que se chama de cinema gaúcho é muito certinha e limitada ao
que se chama de 'curtas gaúchos',
então as pessoas ficaram muito surpresas com o trabalho corisqueano.
Sobre os nossos filmes 8iteiros, só posso dizer que fico sempre muito feliz quando exibo.
Faltou um microfone ali pra falar de cada filme,
apresentar a alma do cine na mochila e deixar as pessoas mais a vontade pra se aproximarem da tela, pois poucos sentaram diante dela onde em geral a galera pode se deitar e conviver com os filmes.
Isto geralmente é assim, precisa ter uma performance de palco, cinema também tem sua miséncene, chamar o povo pra mais perto, porque a tela de cinema independente, no mundo globalizado e monopolizado, ainda é algo com o qual as pessoas não têm intimidade.
Especialmentre numa cidade onde o público em geral pensa que curta metragem são aqueles ensaios pra novela exibidos na globo local e que filmes devem passar uma 'mensagem', tipo pastor do poatv.
Mas cinema independente é mais que tudo toque, troca, liberdade, guerrilha e invasão! Vou postar no meu blog, que muita galera brasileira lê, de várias partes do planeta.
Espero nos vermos numa outra oportunidade.
Espero que meus filmes cheguem até vocês.
Quem assistiu ontem deve ter percebido que o cinema que fazemos não vive sem a música.
Trabalhamos com trilha original e muitas vezes nosso tema é o underground.
PARABÉNS, OBRIGADA, DESCULPAS POR TER PARADO AS 22'30'' COM AS PROJEÇÕES MAS EU NÃO ESTAVA PAGANDO AS ASSISTENTES E NÃO QUIS CANSA-LAS DEMAIS. Coisas da vida de cine independente...
Paz y Gentileza y Invasão!








