sábado, 25 de julho de 2009

Benvindos ao Dia Fora do Tempo !!

minha foto das raízes.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

o flõ...e eu que vou na lua todo o santo dia?!


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inventei um burrito de salmão... agora vo na ana maria brega ensinar a receita e daí ganho um prêmio e mudo de vida. construo uma casa na gamboa pra ser vizinha da dani e de lá pinto receitas com tinta de dedo e vendo livros digitados em máquina de escrever e faço vídeos da chuva no mar.

tá, mas por enquanto vou fazendo a mochila que tá chegando a hora de voltar ao normal.

sobre o FLõ, as pessoas estão enviando e-mails a perguntar de inscrições
e eu queria deixar dito que tivemos essa vontade de mudar e arejar e só por isto estamos em breve período de certo silêncio. pela magia da preparação dos novos rumos. reciclagens necessárias. reinvencionices.

já não me parece tão diferente a gente apenas não exigir prazo de validade aos filmes inscritos. já não me parece ajudar tanto quanto queremos se apenas fugirmos do formato de júri do melhor e pior. júri de festival?
já não é suficiente apenas repensar critérios depois de tanta experiência de cine mochila... critérios?

quero mais, porque estamos vivos e conectados em rede mas, ao redor do tanto que temos feito à margem, grita um marasmo corporativista cheio de grana, preguiçoso e político-partidário e burrocrático. textos ensaiados, falta de verdade, músculos flácidos, olhos cansados e um medo de si, de ti, de mim, do revertério que dá quando algo não tem definição. imprevisível. medo do raro, medo do simples.

desconjuro! queria do FLõ o que ele é, solto mas nosso (quem somos nós?)
e quantos desafetos que agora se perderam na poeira cinza, dominados e tristes no mar pré-fabricado. sempre os mesmos passos em circulo, os modos previstos, sempre os mesmos. previsíveis e já não nos causando desconforto algum.

e quem diz que queremos comodidade?

que as pessoas entendam e se divirtam e participem desta calma toda na fase do flõ reflexivo, desta providencial falta de pressa, desta falta de preocupação com a 'concorrência', que isto pouco importa no nosso mundo florido.

foram tantas mostras, tantas vozes, tantos olhos, tanto que aprendemos e trocamos.
era natural que a gente desse uma paradinha pra pensar, organizar arquivos, reler relatos, lembrar de tantos hermanos. a gente? e quem somos nós?

muita coisa mudou, eu sempre digo, e mesmo não explicando exatamente o quê, sei que aqueles curiosos, os que perseguem os projetos do cine desconstrução, já estão lendo no vento o que eu quero dizer.

o que sei é que a coisa vai sem preocupação com prazos ou região.

este ano está sendo intenso num outro sentido, como um teste ao nosso fôlego.
nisto, sei que o FLõ se manterá tupiniquim e com seus orixás. coração na boca. tanto que eu represento corisco.
foi o que fez pararmos pra repensar a versão gringa e esperar pra repeti-la, após belas mostras no exterior. o flõ lá fora cresceria neste ano com subvenção do velho mundo e parceiros novos. mas ficamos mesmo só com a pequena mochila no Japão e, de resto, recuamos porque, literalmente, os parceiros novos,
não queriam nada com bandeira brasileira ou rebolado tupiniquim, conforme nos disseram textualmente. e não queriam nossos troféus orixás... nos pareceu que não queriam a gente, só a história rica do FLõ, espertinhos!

ou seja, grana deles, conceito descaracterizado e nós apenas visitas, dando vivas porque nos pagariam pra fazer turismo e não pra mostrar nossa filosofia. só que lá, nossos filmes do Brasil, em pleno FLõ, não seriam mais o melhor tempero em nossa mochila... bem, pensamos entre nós, melhor permanecermos pequeninos e invasivos por enquanto.

assim, após semanas tensas, mandamos pegarem seus poucos euros e guardarem pra si, que a gente iria repensar, daríamos um tempinho, veríamos novos parceiros...
ademais, mesmo que fossem muitos os tais euros, o FLõ não muda porque um punhado
de pessoas preconceituosas acredita que estamos babando pela zorópa.
mas nunca deixaremos de ter os parceiros certos, seja no ocidente, seja no oriente.
os livres fazem a manutenção do planeta... e do ano a melhor parte foi a nova parceria com o The Rabadas em Tokyo.

os tempos são de observação, avaliação, antigos laços que merecem ser mantidos, novas caras.

e os tempos são de cortar os restinhos que sobraram de qualquer aparente ligação com gente que não faz cinema, nem arte, nem cultura mas usa o santo nome de
pra fazer turismo, ganhar poder, se divertir e criar currais para seus partidos.

e a liberdade é retomar coisas da gaveta, repensar certezas e conceitos, pegar a idéia que estava aguardando paciente. acreditar em quem merecia e nós nao percebíamos.

bóra.... que a vida é muito linda nestes dias azuis ou cinzas de inverno. clima de férias, mas nunca totalmente parados. o coração e a mente instigados e curiosos e
tranquilos por não precisarmos desconfiar ou enrijecer as veias do pescoço dando discursos mentirosos.

estes são dias de respirar ouvindo música, fazendo música, transando, criando cores, errando as rimas, repensando coisas e fazendo trabalhos voluntários pra salvar animais. sim, porque política de cinema é um voluntariado desperdiçado, quem quer de fato mudar algo, diversificar programas, mexer com o estabelecido? optar pela ação ou por uma reunião de diretoria? cada qual que escolha. pra mim invasão, isto sim é fazer política. ir pra rua e pra internet e procurar o que há. e tem muita coisa que os caras dos manifestos e cartas e abaixo-assinados e amigos do ministro raramente conseguirão visualizar das janelas dos seus hotéis. a não ser que percam o medo das expressões do agora.

vamos ver, vamos ver, podem ir se manifestando sim, cobrando abertura de inscrições. ok!

já vem o FLõ por aí, todo todinho novo e inovador, pautando o ano que vem dos moribundos tristes, abrindo caminhos, com menos grana do que as caricaturas que virão depois. e tudo bem. alguém precisa ser feliz, fazer a parte sanguínea, se virar do avesso,

a mão na janela aberta, espalmada,tentando acariciar o vento.

biAh weRTHer

sexta-feira, 17 de julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

As mortes da década

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Como eu ia dizendo e parei de escrever no meio do post porque deu preguiça,
tenho acordado muito cedo porque as minhas gatas começam a morder minha bunda as 5 da manhã e não tem quem consiga ficar na cama ...
É tão energética esta fase, tão diferente dos períodos em que viro a noite editando ou escrevendo, porque a noite... ah, não importa.

O que sei é que as coisas andam vagorasas por estes dias. Estou traindo a mim mesma com muita vontade. Errando pra mudar as coisas ao redor. Vou pro Rio no final do mês depois de um outono e início de inverno gaúchos. Tanta coisa mudou. Mas antes vou ficar uns dias num lugar que ninguém sabe, no interior, vou fazer imagens e vou cozinhar. Desde o verão não brinco desse negócio into the wild. Tão importantes pra mim estes sumiços de mochila e coisas secretas.

E daí me questionam:
- Quando tu vai atualizar o blog?

Então eu faço o login, paro e me pergunto sobre o que eu iria escrever. Sobre o dia do rock não, né! Quando uma coisa ganha um dia especial é porque já morreu. Falar de morto nem se fosse do 'Maicol, Maicol eles não ligam pra gente'!! Coidado do Maicol.

Repetir fora Sarney? Isso tá na cara que eu to dizendo. E também seria falar de morto. Uma pessoa de minha família sofreu muito no intercâmbio que fez na américa do norte porque uma professora chegou na aula e disse que Brasília era uma capital que não tinha dado certo e estava em ruínas e a floresta amazônica tinha já invadido os belos prédios tão modernos. Ninguém levou a sério quando ela pediu a voz e afirmou que isto não era verdade. Hoje eu acho que tinha um fundo de razão na fantasia da professorinha americana. A morte do nosso sistema não é causo que se comente porque seria notícia requentada.

Comentar o que então neste blog??

A morte do jornalismo como conhecíamos antes de a revolução tecnológica deixar todo mundo perdidão?
Até tentei falar um pouco mas alguns amigos se ofenderam e não quero perder amigos legais.

Nós do cinema também estamos discutindo nossas mortes e muitos resistem e sofrem e levantam o punho socando o ar. Mas é só o medo do inevitável desconhecido. No entanto, que tesão quando não sabemos direito o que vem!

Tentei argumentar com amigos jornalistas que na escola você aprende forma, decora o número de toques, aprende a digitar, aprende o 'o que, quando e como'- que ultimamente vem sendo usado para desvendar a rotina dos famosos. E até aprende muito mais sim, mas não se vê muita gente aplicando porque estão muito dominados. Além do mais, você já nasce curioso e escrevendo. Não se forja um jornalista na escola, você aparelha - ou não - mas esta não é uma profissão que precise título porque é de todos nós. Não adianta espernear e não adianta fazer um quadrinho do diploma e esfregar na cara do resto do mundo nos chamando de zés manés. Todos nós somos e geramos e editamos notícias e muitos poderão viver disto, com ou sem diploma. Mas então, a parte a falta de tato de alguns profissionais que saíram gritando que somos todos zés ninguéns quando não temos um canudo pra usar o megafone - e isto é uma questão de educação, esta sim dá pra aprender na escola - o que realmente temos que discutir é a revolução que as novas mídias trouxeram pra o modo como pensamos e noticiamos pensamentos e ações e eventos do nosso presente.

O que muda nestes tempos? Onde os veículos se rediscutem? Porque o jornalismo das grandes redes está fazendo quase que só fofoca? Devemos dar canudos pra fofoqueira do teu prédio então? Quantos dias faltam pra morrer o jornal impresso? Isto tem alguma coisa a ver com a morte da qualidade do que se publica na grande imprensa?

A revolução na notícia se dá quando ela transcende o furo do dia e vira história, não apenas manchete lavada no papel reciclado de amanhã. Dos jornalistas amargurados e agressivos com os não jornalistas que escrevem sem canudo, muitos se detém no seu dia a dia em falar dos famosos, celebridades da política, da música, da tv. Daí a morte, porque desprezar gente de carne e osso é erro estratégico. Desde os anos 70 já se previa que manifestações como artes das ruas e novas mídias trariam a voz do homem comum. E cineastas previam as religiões eletrônicas e o assassinato dos livros.

Viram que aconteceu a morte da globalização? Esta aí durou pouquinho. Então, pra que nos serviria o modelo de escola que prima pela objetividade e pela formula?

E quem pode afirmar que responder a pergunta ainda não formulada não é jornalismo? Não resposta e sim pergunta? Sem o 'como quando onde'?

E não somos todos nós jornalistas? Todos e cada qual? Da fofoqueira ao dono da padaria? Acaso a diferença não é apenas na editoria mais ou menos livre, mais ou menos tendenciosa? O limite das laudas, o conceito de furo, o furor, o caixeiro viajante da notícia, a pressa antes da verdade.

Destaquei aqui no podcast do blog, faz uns dois meses, uma entrevista do Peréio com um jornalista que decretava a morte da profissão de jornalista no modelo como conhecemos. E, claro, ele falava dos blogs e das novíssimas mídias, das mil janelas.

Hoje vi uma entrevista com o Gay Talese e ele falava da subjetividade e do noticiar o homem comum, coisa que segundo ele, embora a imprensa do formato quadrado diga que é um jornalismo de vanguarda, na verdade é apenas o óbvio que vem permeando o jornalismo desde antes de ser inventado.

E daí já penso novamente nas inevitáveis novas mídias e na resistência a elas quando se pensa uma redação de formato tradicional. Ocorre que todos nós escrevemos as novidades, assim como todos nós contamos a história do nosso tempo.

O que fazer com os blogueiros zé ninguém? Não são milhares deles jornalistas sem canudo? Como regulamentar, como impedir alguém de publicar o que quiser, quando quiser?

Estamos em meio à milhões de notícias do homem que não tem nenhum destaque na grande mídia e não dá matéria aos olhos da imprensa que já não vende tanto jornal, a não ser que tenha o Obama supostamente olhando a bunda de uma brasileira. Alguém me diga porque alguém precisa de um canudo pra noticar isto?! As coisas passam a ser éticas se quem as produz tem passagem pela academia? O que é ética mesmo? É na escola que você descobre o significado?
E o que fazer com os jornalistas que passam o dia inteiro buscando um furo sobre a vida da atriz da novela? Estudaram 4 anos pra terminar aí? O que há pra regulamentar nisto?

Ninguém perde o emprego de jornalista se for um jornalista que nasceu pra ser jornalista. Mas se é tão importante, pombas!, lhes deixem então enquadrar o canudo! Títulos, títulos....

Longe disto, na vida real, a mudança continuará se dando e o homem sem canudo, se tiver o que dizer, se tiver alguma resposta a dar ou pergunta a fazer continuará, seja ele médico ou açougueiro, escrevendo. Um fazendo um jornal de bairro, outro um fanzine, algum até ganhando um bom salário pra trabalhar num grande jornal, outro cuidando de uma radiozinha comunitária. Porque a comunicação será sempre de todos.

Porque quem tem o que dizer, vai arranjar uma folha de papel, um microfone ou um blog. E se ele for bom, vai viver disto, irá se profissionalizar. Isto é o que se dá, com ou sem corporativismo. A primeira vez que escrevi pra um jornalzinho da escola eu tinha uns 8 anos e nunca mais parei. Não quis estudar jornalismo, prefiro as artes integradas como profissão, mas continuei publicando, já tive fanzines e um jornalzinho de cultura e várias vezes recebi pra escrever artigos sobre os assuntos que domino. Será que estive à margem da ética? Será que alguém teria conseguido impedir minhas publicações? Acho que não. Afinal era simples, a imprensa não dava atenção aos releases? Eu ia lá, fazia meu próprio veículo e dava a notícia! Do mesmo modo que muitos jornalistas o fizeram em tempos de censura. Falando nisto, o corporativismo não tem um tanto de censura?

Noticiar, escrever, falar, se comunicar pelos canais de informação, inventar novos meios, deva ser algo que qualquer um que domine alguma língua e uma ferramenta pode e deve fazer. E tomara que todo mundo no mundo domine uma língua e desenvolva uma ferramenta. Sem restrição alguma. Porque noticiar é tão importante e livre quanto receber a notícia passivamente.

Em algum momento, em algum nicho, em tradicionais veículos será necessário ter decorado a forma? Sim,sim. Mas em outros, ao contrário, será preciso desconstruir a forma. Notícia dada pelo zé ninguém sobre o zé ninguém é o que realmente interessa para que o mundo respire. Quem dará esta notícia? Qualquer um de nós! Quem resolver fazê-lo, tenha ou não frequentado a escola de jornalismo.

E afinal, quando os jornalistas, que deveriam ter a cor da novidade se assustam com o novo é que realmente a morte é iminente. Mas morte é só vida. Mil novas faces, mil novas línguas, tantos milhões de veículos quanto de gente no planeta.


biAh weRTHer