terça-feira, 1 de agosto de 2017

Muito é Pouco.

Já aguentei muita coisa nesses 20 anos de carreira. Mas foi coisa séria. Como cineasta, cheguei a ficar doente e sem trabalhar todo o ano de 2004, pois sofri recorrentes difamações pesadas, machistas de outros jovens cineastas que faziam um festival que se considerava "concorrente" ao meu, embora o meu projeto fosse anterior.
Isso tudo a gente passa, acontece porque artistas tem umbigo gigante e esquecem a que viemos ao mundo. Nos colocamos demais em primeiro lugar, antes da nossa tarefa, antes dos motivos da lida.
Como atuo em várias artes, meus problemas se multiplicam nesse quesito. Pessoas plagiando fotos ou não dando créditos em músicas... Acontece de quando em vez. Ano passado tive um roteiro roubado, fotos e vídeos plagiados. Este ano está indo tranquilo.
Acabo desistindo de brigar porque o mundo gira. Por exemplo, os dois ex-colegas que roubaram meu roteiro não conseguiram levar adiante o projeto. Perderam mais do que eu, pois para eles a sensação de vitória era mais relevante. Eu não quero ganhar nada, faz anos que nem me inscrevo em festivais e eventos competitivos. Acho um saco esse glamour falacioso.
Enfim, nunca consegui processar ninguém. Sofro de início, depois resolvo meditar, superar, esquecer e seguir a vida criando minhas coisinhas.
Por exemplo, nessas brigas por direitos autorais, me parece sempre que a pessoa que plagia algo, plagia o que já nem somos mais, pois nos modificamos e, com sorte, melhoramos.
Tanto que, no mais das vezes, criticamos nosso próprio trabalho assim que o finalizamos, Ou ficamos paranoicos, revisando e reeditando com medo de levar a público, como se nunca estivesse pronto.
Não é raro você lançar uma obra nova e no dia seguinte achar que podia ser melhor pois teu olhar se aprimora com as experiências.
Então... sei lá, não entendo quando um artista entra na justiça e tira do ar um trabalho com milhões de visualizações por causa de uma discussão com seu parceiro criativo. Me parece que a fama rouba o dom do diálogo (ou bate boca) comum e humano.
Pra mim, é como matar o filho porque discutiu com o ex marido.
Ando certa de que ter apenas milhares de fãs seja meu segredo de felicidade. Milhões de gentes e dinheiros talvez faça o artista esquecer o que o levou até lá.
Um beijo.
biAhweRTher