quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Síndrome de Estocolmo

Cada país vê história a seu modo. No nosso, preferimos pensar que é só uma matéria chata dos tempos de colégio. De certo modo, pelo jeitinho decoreba como grande parte dos métodos a apresenta e "ensina". E será que história é pra aprender ou apenas pra conhecer, interpretar?
Seja história, matemática, a língua, o modo como passamos a vê-la na escola, especialmente com as reformas criadas para e pelo regime militar, tudo fica parecendo só acúmulo, um porre, um tijolo  que a gente fica louco que nos joguem logo na cabeça e os meses corram e chegue logo o final do ano quando, graças a Deus, nunca mais precisaremos pensar nisso.

Conheci poucos professores de qualquer matéria que apresentassem seu assunto como algo pra vida, mas posso dizer que sempre que um professor esquece conteúdo no primeiro dia de aula e prefere contar sua história e a história da sua história muito mais alunos, sentindo o amor dele, ficam contaminados.

Uma vez, na sétima série, eu tinha uma professora apaixonada por história. Naquele ano eu fiquei viciada em pesquisar a Segunda Guerra Mundial e fiz um trabalho totalmente desnecessário de umas 40 laudas sobre o assunto. Acho que tá lá nos guardados da minha mãe até hoje. Era pra fazer algo simples, 5 páginas ou nem isso. Por culpa do modo como a professora de história gostava de abordar história, eu passei noites acordada fazendo aquilo, lendo, pedindo livros pro meu pai...

De verdade, história não é algo que aconteceu no passado, mas algo que vai acontecer adiante dependendo de como estamos escrevendo a história de hoje.
Por exemplo, esse fenômeno do ódio e da intolerância. Erramos, andamos em círculos. erramos de novo, muitos já esquecidos de tragédias recentes como a ditadura militar por toda a América do Sul. Isso tudo tem a ver com o desconhecimento de que a história é o presente e se você se distanciar como se não fosse com você, vai apenas ficar na mesma. Por outro lado, ao brincar de prever o futuro, verá que não é uma matéria de currículo, mas o preço da passagem, o lixo no chão, os desejos, manias, vícios, o gosto das coisa, aquele cheiro que a gente sente quando passa na rua e puxamos pela memória pra saber de qual pedaço da infância saiu tal perfume.

Certa feita, convidei uma amiga pra ir à praia passar um final de semana conosco. Na época eu andava viciada em Dalva de Oliveira e ao saber que ela nunca ouvira falar nessa cantora, não pude disfarçar minha surpresa e decepção. Então ela argumentou:
- Mas como eu iria conhecê-la, se tenho apenas 28 anos? Eu ainda nem tinha nascido!

Quase tive um faniquito tepeêmicos, mas no final, até agradeci. A garota, na verdade, me deu um dos exemplos concretos, dentre os muitos do dia a dia, que me convencem do que eu falei no início, sobre como nós brasileiros nos relacionamos com o passado infantilmente. Tão infantilmente, que não sabemos que ele é presente e é futuro, pois sendo crianças o mundo nos parece só aquele onde alcança a nossa tangente, ali na porta do quarto.

Vejo pessoas bem vestidas levantando plaquinhas com dizeres sobre mudar o país mas, diferente dos dizeres dos seus cartazes, suas vozes pedem mais distancia e menos igualdade social e isso não é mudar, é retroceder, é voltar ao círculo viciado.  É como quem muda até um ponto, mas esquecido dos motivos, no meio do caminho sente medo e regressa ao ponto do qual tanto quis sair.
Então, me lembro sempre de fatos. Não de cartazes, mas acontecimentos, como esse fenômeno do ódio que tanto anda acontecendo no nosso país. Isso é história. Passado, presente e futuro que servirá pra alguém que lembra de tudo muito bem e manipula o desconhecimento da maioria.

História é agora.
E a história será a mesma de sempre, como um joão bobo, um bumerangue, se continuarmos votando em coronéis, valorizando o consumo, nos separando em classes pela única e vazia insegurança, nosso medo de sair um dia a rua e percebermos uma mudança inadmissível, uma nova, dura realidade onde ninguém estará a apostos pra fazer uma reverência à nossa passagem e, pior, não teremos que reverenciar ninguém por ter mais coisas. Isso sim é uma prisão. A prisão do puxar sacos e tapetes é princípio e valor, é uma calosidade grossa.

E assim, não sabendo de nada, ouvindo dizer, repetindo resumos e orelhas nós estamos sempre apaixonados por algum senhor que mastiga, coça a barriga, dá ordens, bebe vinhos caros e vive em algum palácio enorme onde só os puxa-sacos privilegiados e os serviçais podem penetrar. Não importa se somos de terra ou de cimento, o que nós queríamos, queremos e quereremos pra poder tocar a vida, é algum coronel dono de jornal, de canal de tv, proprietário de homens e de mulheres que nos diga qual é a história. Ela apontará um caminho que dá confortavelmente sempre no mesmo lugar, e nós agradecidos o amaremos e respeitaremos seus filhos e netos pra todo o sempre amém.

E a guria que não conhecia a Dalva de Oliveira porque ainda nem tinha nascido? Bá, cortei relações. 

sábado, 27 de setembro de 2014

A senhora e as senhoras.

Descia eu pelo elevador de serviço num dia desses em que se aproximava um temporal. Como sempre com roupa confortavelmente suja de tintas e colas, de quem está trabalhando no ateliê.
Uma senhora de uns 65 anos, ar de cansaço, entrou comigo. Comecei a conversar com ela e antes do térreo já descobrira que mora em Cachoeirinha, pega dois ônibus e ainda tinha que cuidar dos netos, pois a filha é mãe solteira e ela tem que cuidar da casa da patroa, no meu prédio, pra sustentar sua família. Foi muito legal a conversa e eu senti vontade de dar um abraço nela. Já no térreo, conversamos mais um pouquinho e ela me perguntou sorrindo: - Tu também trabalha aqui?
Respondi que, de certo modo sim, pois meu local de trabalho é na minha casa mesmo. Ela ficou constrangida e pediu desculpas. Daí não me contive e a abracei dando risada, explicando que, na verdade, me senti lisonjeada.
Já nos afastando ela me disse: - É que tu sabe, né minha filha, o pessoal aqui não é de dar trela pra gente!
E lá, se foi ela, com medo de ser pega pela chuva, enquanto eu gritei de longe:
- Em quem a senhora vai votar?!
- Na Dilma, claro! disse ela com olhar de criança marota.

Essa senhora povoou meus sonhos por dias, mas nunca mais a vi, horários diferentes e tal. Me apaixonei por ela imensamente.

Lembrei disso hoje, após ler posts de umas senhoras, talvez mães, creio que uma ou outra até avó, comentando que as pessoas que votam na Dilma são "pobres coitadas", gente que não sabe nem escrever direito. Havia  na conversa uma plaquinha dessas de deboches que circulam com letras arial em cores primárias e o artista gráfico não assina (acho que ninguém assinaria essas artes toscas e mal redigidas, certo?) e os comentários debochavam das pessoas pobres que não sabem escrever, falam errado...

Diria que é contraditório odiarem as ações que tem levado os pobres para as escolas e universidade, já que tanto reclamam que pobres não tem escolaridade.
E diria ainda que ser pobre e não saber escrever é compreensível, mas uma classe média exibidora de títulos não saber escrever é imperdoável. E isso é o que mais se vê quando desandam a arrotar status e xingar os menos privilegiados que limpam seus pínicos.
Além do mais, a língua falada é livre e o caráter de uma mulher brasileira não se forja nessa ou naquela classe social, muito pelo contrário.
E complementaria que uma mãe de família, avó, tia, qualquer mulher adulta que se considera bem educada, elegante, de bom gosto, com poder de consumo de coisas e mais coisas, deveria envergonhar-se de falar mal de gente mais pobre, quando não teriam nem suas calcinhas bejes para vestir, não fossem esses seres inferiores, muitas vezes em condição de trabalho escravo.

Mais que tudo, se eu quisesse uma amiga pra conviver, tomar chá na cozinha, contar sobre a vida e trocar receitas e mudas de plantas, seria aquela senhorinha que já idosa ainda trabalha numa casa de família de classe média pra sustentar seus netos, enquanto as patroas se metem na internet, escrevendo mal e porcamente ofensas e maldades contra os que lhes servem.
Essa gente que odeia pobres e acha que sabe votar melhor porque fez curso "superior" precisa é voLtar pro útero e nascer de novo, reaprender sobre a vida, respeito, igualdade e sobre amor.

Voto com os pobres coitados, com as mães que tem direito ao bolsa família e com os estudantes que conseguem chegar aos cursos universitários graças às cotas.

Beijinho no Ombro ;)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Eu faço cinema.

Estréia dia 30 de novembro de 2014 


No final de 2013 meu negócio era uma exposição de várias séries de fotografias. Neste, meu negócio será imagem em movimento. 16 mm, só pra começar 

Aranha e o coliseu das moscas

Quando eramos pequenos, os livros de história da escola falavam sobre a escravidão no Brasil como um dado, um momento econômico, uma situação quase natural, "cultura" que teve um fim (teve?) porque uma princesinha boazinha assim o quis, um ponto para decorar e tentar ir bem na prova. Sobre as tragédias que viveram nossos índios, era também assim.
Nem as aulas de literatura resolviam muito a desinformação e um despertar de senso crítico, porque já estava na moda essa mania de achar a leitura um saco.
Sempre fui muito esquecida, mas não lembro de uma escola voltada para a sensibilização das crianças a respeito das vergonhas que nossos entes consideravam normais e necessárias (como é que os latifundiários farrapos iriam manter seus honestos negócios se acontecesse a libertação dos escravos?), as dores de nossos outros entes, idênticas as que hoje vivem ainda tantos indivíduos humanos e não humanos. Não precisa ler tantos jornais pra saber que há famílias, mulheres, crianças e animais escravos nas grandes cidades e em zonas rurais.
Ok, ainda há quem pense que os livros de escola são textos acadêmicos e precisam ser frios. Tal pensamento tradicional pode operar desastres.
Por tudo isso, para uma criança crescer vendo a vida real por dentro, sem artifícios, desculpas, perfumes e mentiras, dependíamos de pais inteligentes e outros modelos e informações menos genéricas.
Quando tínhamos sorte de ter pais curiosos, responsáveis, corajosos e atentos, tínhamos informação ao nosso redor. Livros, filmes ficcionais e até documentários (coisa rara uma família que assiste documentários, mas acontece).
A televisão até tentava ser boazinha e, pra quem era muiiito preguiçoso, as novelas eram um bom jeito de talvez até perceber que a escravidão não foi, ela é e será até que a sociedade repense seus conceitos velados. O problema é que, na mesma tv que falava mal da escravidão e assegurava o seu fim graças à tal princesa e blábláblá, os atores negros eram sempre os empregados.
O que quero dizer é que agora que nós crescemos, muitos de nós se tornaram pessoas com falha de caráter, com um vazio que a falta de informação e a educação covarde e frágil lhes deixou como marca indelével. Falta-lhes empatia, senso de justiça, compreensão sobre coletividade e verdade.
A escravidão não acabou, apenas aprimorou-se. Já se sabe que não há animais humanos livres e, por nossas escolhas, já não há tampouco animais não humanos livres. Engana-se o branco debochado que se considera superior, pois é mais prisioneiro que os prisioneiros que o servem. Mas bem, isso todo mundo já sabe, certo?
A respeito da história e detalhes de como viviam os escravos e da traição que sofreram, por exemplo, os Lanceiros Negros aqui no RS, onde vivo e entendo como o lugar mais assumida e orgulhosamente racista do país, era raro algum professor aprofundar-se. Até porque talvez nem eles soubessem mais do que a leitura fria dos tópicos e resumos. Porém, tanto a ficção quanto os relatos reais, documentais, orais dão conta de que alguns escravos, seres humanos com personalidade própria e não ferramentas, optavam por trabalhar na casa grande, dedurar outros negros, curvar-se, puxar o saco. Atenção, não vejo sentido em culpá-los. Inclusive, pelo tipo de gente que nos tornamos, acho que grande parte da minha geração faria o mesmo. Passos miúdos medrosos, reverência, engolindo sapo, traindo irmãos para garantir uma roupa limpa.
Quero dizer com isso, que não me surpreendo quando alguns conterrâneos se atrevem a alegar que o Pelé é um bom exemplo de bom negro, já que ele diz que está errado revoltar-se.
Bem, não preciso dizer mais nada aos racistas e escravistas, a não ser que vocês são ignorantes, cretinos e psicopatas.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Meu trabalho está no Vídeotipos

Ganhei um panorama bem legal, com nada menos que 6 trabalhos meus (um Vídeo Retrato, um filme e 4 vídeos arte) na Videotipos, dentro do SALVE, Jundiaí - SP. No final de semana a gente vai postar na fanpage Clandestina os links dos trabalhos que apresentarei por lá  Na divulga abaixo tem um pouco da minha bio e isto me lembrou que meus filmes, vídeos e fotos já estiveram em um monte de países e tomara que seja sempre assim ebaeba :)




Programação da Mostra Videotipos, que rola dias 20 e 21 de setembro, paralela às outras atividades do SALVE! Dois jundiaienses, dois artistas convidados e homenagem à Bill Viola!
Panorama BILL VIOLA
Videoartista estadunidense, começou sua carreira na década de 1970 com trabalhos no Everson Museun em Syracuse, Nova York. Foi influenciado por artistas como Nam June Paik, Joseph Beuys, Wolf Vostell, Bruce Nauman e Peter Campus. Seu trabalhos em vídeo consistem em instalações, vídeos e performances, sendo marcados por um uso transparente do aparato videográfico, um controle e entendimento complexo do tempo, e por um inventivo uso do som.
Panorama Jundiaí
Lyara Oliveira
Nascida em Jundiaí, Lyara Oliveira é artista audiovisual, pesquisadora e professora e atua profissionalmente há 16 anos no campo da produção audiovisual. Graduada em Rádio e TV pela UNESP, é também Mestra em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, com bolsa da FAPESP. Além de lecionar no curso de Rádio, TV e Vídeo da FMU-SP, edita um Blog de discussão sobre audiovisual e arte contemporânea, o Linhas de Varredura. Dedica-se à produção e pesquisa artísticas, investigando processos de criação e experimentação com meios audiovisuais. Participa de exposições coletivas e festivais de vídeo desde 1999 e realizou sua primeira exposição individual em 2012, intitulada AO VIVO/GRAVADO, na Galeria de Arte Fernanda Perracini Milani em Jundiaí/SP.

SEGREDO (DV - 5' - 2009)
Uma mulher recebe um bilhete que lhe causa intensa comoção e angústia.
Com Jennicer Perez.
AO VIVO/GRAVADO+GRAVADO (DV - 10' - 2010)
Proibido fotografar ou gravar sem a prévia autorização. Exercício conceitual sobre apropriação, montagem, direito de uso de imagem e som e procedimentos audiovisuais. As imagens foram captadas no show da cantora Cat Power realizado no teatro Polytheama em 2010. Como era proibido fotografar ou gravar o show, foram gravadas imagens precárias da plateia interagindo com o espetáculo. O resultado visual é uma poética movimentação de luzes e sombras, o som também precário capta a reação do público.
23-24 (HDV - 3' - 2011)
As imagens surgem da aproximação de uma lembrança, remoída durante anos, de uma madrugada de terror. O título está ligado a essa data, a madrugada do dia 23 para o dia 24. A idéia era expiar aquela experiência vivida intensamente e que, apesar de ter sido uma experiência particular, se configurava em uma situação facilmente reconhecível: a de receber um telefonema com uma notícia desconcertante no meio da madrugada.

AGORA É DOMINGO (HDV - 4' - 2011)
Observação dos limites entre o espaço urbano público e o privado, da intimidade, ao mesmo tempo em que trata da questão do instante/acontecimento. Numa modorrenta tarde de domingo, um acontecimento compartilhado suscita o questionamento proposto. Num instante a situação muda, apenas por um instante. A imagem nada revela, é o som que conduz a percepção de algo está acontecendo.
PASSANTE (HDV - 5' - 2011)
Observação, em espaço público e urbano, sobre as relações humanas que se estabelecem entre os indivíduos na rua; flagrantes situacionais. O que está no vídeo é resultante da gravação de um incidente urbano comum. A manipulação e a projeção da imagem reiteram a ação dos passantes, no vídeo e no espaço expográfico.
LESO.VÍDEO.FILMES
A LesoVídeoFilmes nasceu em 2002 e desde então vem realizando trabalhos em documentário e filmes experimentais, além de materiais ligados à história oral e de registro. Atualmente desenvolve o projeto VIDE-O-RAIS, que busca estabelecer uma relação entre os documentos orais e visuais, a partir do acervo áudio-videográfico da produtora.
SACÔ? (VHS - 6' - 2002)
Um evento sonoro e outro visual se completam perfeitamente, sem que tenham sido feitos um para o outo. O filme é o marco zero da LesoVídeoFilmes.
CATACLISMA (VHS - 15' - 2002/10)
Livremente baseado numa mulher de Clarice Lispector. Com edição realizada entre a câmera e um videocassete, o vídeo tenta estetizar os elementos do estilo literário da escitora, principalmente aqueles ligados às suas "mulheres": a repetição e o esvazimaneto das ações.
ESTREIA! (RE)PAIK (MiniDV - 15' - 2006/14)
Documentário observacional gravado durante uma retrospectiva do videoartista Nan June Paik, no então Centro Cultural Telemar, atual Oi Futuro, no Rio de Janeiro.
Panorama Convidados
biAh weRTher
Cineasta, VJ, diretora de arte, fotógrafa, designer, artista gráfica e escrevedora de Moscas Volantes, um livro que voa. Em audiovisual atua como Roteirista, Diretora, Produtora, Montadora, Diretora de Arte e Trilheira. Como vídeo-artista e VJ, costuma se servir de artes integradas, misturando novas e antigas tecnologias e fazendo edições in loco e mapping. Em design se dedica às artes gráficas, figurinos, objetos, pontos de luz, tridimensionais. Realizou vídeo instalações e ocupações em vários espaços de arte e espaços públicos em todo o país, em projetos coletivos e individuais ou ministrando oficinas de cinema desconstrução em Universidades, Sescs, Bibliotecas e outros.
Entre os filmes, estão trabalhos em todos os suportes: super8, 16 e 35 mm, MiniDV, HDV e mídias móveis. Premiada em vários festivais e editais, já exibiu filmes e participou de ocupações em muitos países, como Inglaterra, Espanha, Suíça, República Dominicana, Hungria, Japão, Canadá, França, Argentina, entre outros.
PORNOGRAFIA (Super8 - 5' - 2001)
Curta Experimental em Técnica mista. Animação direta na película super 8 com interferências digitais.
CANTILENA (Vídeo - 5' - 2010)
Eu. Uma. Duas.
GESTO SUBMERSO (videoretrato - 03'38'' - 2010)
Projeto contínuo iniciado em 2010, o Gesto Submerso - ou Underwater - são retratos e auto retratos nus submersos, feitos com câmeras analógicas de lente de plástico e também câmeras digitais em caixa estanque.
SUB (Vídeo, 91'43'' - 2014)
Territórios relativamente estáveis. No final de 2013, minha página em uma rede social foi denunciada e banida por pornografia, pois nela estavam divulgações de exposição e processos criativos de um projeto de nus femininos feitos embaixo da água. SUB é uma vídeo arte feita para homenagear as pessoas que denunciaram meu trabalho.
TRAVESSIA (Vídeo - 01'4' - 2014)
Vídeo sobre portais gaúchos e elementais.
Câmera: Nelson Realista - Música: Voz dentro da sua cabeça - Composição: Vinha da Chuva. Participação de Biah Werther tocando seu theremin.
Estreia - DANS[SA] (16mm - 8' - 2014)
A primeira dança no espelho.
Marcellvs L.
Marcellvs L. nasceu em 1980 em Belo Horizonte, Brasil e vive desde 2006 entre Berlim e Seyðisfjörður. Trabalha com vídeo e som e exibe internacionalmente desde meados dos anos 2000. Entre as exposições individuais recentes estão "Indiferença", na Galeria Luisa Strina em São Paulo (2013), "COMMA 34", no Bloomberg SPACE em Londres (2011), "VideoRhizome", no Kunsthalle Wien em Viena (2012), "Infinitesimal", na Carlier | Gebauer em Berlim (2010), "PhotoEspaña", em Madrid (2008), entre outras. Participou de diversas exposições coletivas e Bienais como a 16a Bienal de Sydney (2008), 9a Bienal de Lyon (2007) e 27a Bienal de São Paulo (2006). Já exibiu no MAC - Musée d'art Contemporain de Lyon (2014), Helsinki Art Museum (2013), Astrup Fearnley Museet, em Oslo (2013), Living Art Museum, em Reykjavik (2011), Singapore Art Museum (2009), Museu Nacional/Centro de Arte Reina Sofia (2008), ZKM - Museum of Contemporary Art, em Karlsruhe (2008), Museu de Arte Moderna de São Paulo (2007), entre outros. Alguns dos prêmios recebidos são: Ars Viva 07/08 Sound e o prêmio principal do 51° Festival Internacional de Curtas Metragens de Oberhausen em 2005.
Desde o início dos anos 2000, Marcellvs L. vem realizando uma série de obras nominadas Vídeo-Rizomas, que hoje conta com mais de 20 títulos. Extraída da botânica, a palavra rizoma foi apropriada pelos filósofos Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992) para tratar da ideia de ramificações do pensamento a partir de conexões e associações, que podem ser quebradas em qualquer parte e retomadas a partir de um de seus ramos. Marcellvs L. aproxima sua pesquisa audiovisual desse conceito ao propor que seus vídeos não sigam uma narrativa, mas que funcionem como fragmentos de uma história cuja complexidade remete à própria vida. Por meio de planos-sequência sem cortes, com a câmera imóvel num único quadro, o tempo cronológico se dilata num apelo à contemplação.
1716 (HDV - 07'12'' - 2008/09)
2222 (HDV - 14'47'' - 2010)
9493 (HDV - 11'16' - 2011)
0720 (HDV - 09'12'' - 2012)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Cineclube Consciência: SALVE- Semana do Audiovisual Livre

ESTAREI NO VIDEOTIPOS, um momento invasivo dentro do SALVE!! Levo um vídeo retrato, um 16 mm e as vídeos-arte mais recentes. 



Cineclube Consciência: SALVE- Semana do Audiovisual Livre: Data:  15/09 a 21/09 Local:  Casa 493 – Rua Conde de Monsanto, 493 Centro . Organizada pelo Coletivo Coisarada e o Cineclube Cons...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MOSCAS VOLANTES 25

NOVO episódio da saga de Rita, aquela que sofre de moscas volantes.
Publico aqui, mas pra acompanhar, segue a página :)
http://biahwerther.blogspot.com.br/p/moscas-volantes.html

MOSCAS VOLANTES 25

Tarde morna.
Rita está preocupada com o menino cego vegetariano, que ficou esquecido na floresta.

Hoje saio a sua procura, pensa ela arrependida. Sem demora, junta seus apetrechos. Cantil, maçãs, um livro do Ernesto Sabato, o diário, canivete, lanterna e saco de dormir. Bate a porta e sai decidida, segue para o Morro da Gloria, caminhos estreitos, final dos caminhos, mata fechada.

De repente, a clareira. Ela para cansada, senta em uma grande pedra no meio do nada e se distrai com os pássaros. O sol poente encarando Rita. Um vulto se aproxima.
- Oi Rita!
É ele, o ex-marido que gostava de bifes e Rita assassinou quando moravam no bairro Partenon.
- Te matei?, ela pergunta.
- Não completamente, pelo que vejo.
- Quanto tempo faz?
Ele gargalha debochado:
- Tempo? Tu nunca soubeste nada sobre isso.
- Sei sim... Quantas vezes contei os dias? Quantas vezes contei os minutos? Quantas vezes senti a maior felicidade de todas, ao escutar a chave na porta ou a campainha e eu sabia quem era ali do outro lado, quase colado e em um segundo te veria, teus olhos, finalmente sentir teu abraço?
- Nunca fui de abraços, Rita!

Rita fala, fala, aumenta o tom.
- E quantas vezes te esperei e não vieste? Quanto aguardei, tanto me enganei...

Ele ronrona como um gato, acende um cigarro:
- A tua matemática é a das loucas.
- Na nossa aritmética, mais vezes sofri do que fui feliz na eterna espera que foi nossa vida e a tua morte.
- Meu assassinato, queres dizer? Tu me cortaste à faca, sua bandida!
- Mais vezes chorei sozinha do que te senti dentro de mim. Mais vezes humilhada do que amada. Menos carinho, mais raiva.
- Era isto que eu achava ridículo em ti. A dramaticidade do século passado. Pensei que tinhas mudado.

Pausa.
Rita se acalma, olha a grama, acompanha as formigas.

- Sabes, é meu quarto dia aqui na floresta, procurando o menino cego vegetariano. Que venha logo o quinto dia, o sexto, o sétimo, o centésimo, o milésimo... até que eu esqueça a dor e o amor. Que venha o tempo e leve tudo o que tenho de ti na minha pele, tuas meias da gaveta, a camisa que te dei, o perfume, papéis esquecidos, tua xícara de café com um cachorrinho preto pintado nela...

- Falas como se o passado fosse hoje. Quase sinto pena. Pra ser sincero, nunca gostei do teu café. Muito forte!

- Que o tempo se encarregue das marcas, te carregue de dentro do meu coração. Dias passem voando, meses, anos, até que eu não lembre a maciez dos teus lábios, o cheiro dos teus cabelos, o tom da tua voz, o calor da tua mão, som do riso, teu corpo dormindo no meu, calor...
- Calor, balbucia ele.
- Até o dia em que eu não lembre do formato dos teus dentes, das mordidas, os defeitos, o perfeito, o teu rosto, o teu nome.

- Qual é o meu nome, Rita? Acaso sabes o meu nome?!
- É isto de dizer adeus soletrando, separando as sílabas, aceitando aos poucos. Esta é uma triste história sem fim, a dor que vira pedra e a gente tem que lapidar. Teu nome é Adeus. Vai te foder, eu tenho mais o que fazer!

Rita se recosta toda torta, deitada no desconforto da pedra gelada na clareira, a lua alta, um morcego sobrevoa seu corpo, ela adormece.

Pela manhã, dói tudo, Rita não consegue se mover. Mexe apenas os olhos, da esquerda para a direita, diverte-se com suas moscas volantes, velhas amigas da retina.

Esquecida do que foi fazer na floresta, Rita espera o sol quente do meio dia, levanta-se alquebrada da pedra e atravessa a clareira, começa o caminho de volta.

- Preciso chegar em casa antes do anoitecer.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O amor é o pai da guerra.

Acredito no amor, no sentido da criação. Não estou falando de Deus, não. Estou falando de coisinhas, fragmentos bons saídos de cada um de nós. É sobre a felicidade plena quando tomamos consciência de que é possível optar pela liberdade. Creio no amor quando percebo que podemos dizer não para qualquer obrigação que nos faça sentir traídos por nós mesmos.
Acredito em amor dos mais variados modos. Quando alguém tem uma causa que envolve outros seres e não tem a ver com lucro financeiro, quando os animais nos provam que somos idiotas, quando nos apaixonamos por um livro, quando alguém olha a gente com admiração e não cobra por isso, quando percebemos que somos apenas uma micro porção de um corpo mágico de tamanho infinito e, portanto, nada somos e somos tudo.
Acho até que há mais amor na Terra do que ódio. Duvido um pouco do amor em vários momentos em que nos encontramos em turma ou em dupla. Porém, isto não é uma regra e sim, ocasionalmente, um fato. Tem vezes que há mais amor quando estamos sozinhos, perdidos no todo, para daí entendermos a fugacidade das turmas e duplas.
Vejo amor na revolta mais do que na calmaria, mas isto pode ser muito relativo. De verdade, me entristeço um tanto - outras vezes exulto - quando não vejo amor no amor das músicas do rádio, nos poemas baratos. Não que não me emocionem, mas é que amor pra mim não pode ser a ilusão da posse, não uma ode ingênua à fantasia que criamos sobre o outro. Acho que o amor de casal, por exemplo, talvez tenha outro nome. Quem sabe, dependência?
Será que é amor quando damos de cara com alguém e resolvemos idealizá-lo até que um dia acordamos e vemos que o quadro que pintamos esmaeceu e daí nos afundamos na decepção e ainda culpamos a pobre criatura por não ser aquilo que criamos para compensar alguma necessidade nossa?
Neste ponto, tenho até pena de mim... Talvez eu tenha nascido com um defeito, sem uma necessária camada de açúcar nos olhos, impedida de acreditar que alguém é perfeito "para mim" até o dia em que lágrimas lavariam a fantasia e chamaríamos um advogado e sairíamos, cada qual para seu lado, loucos a procurar outro amor, como quem compra um pão fresco na padaria.  Mas é que amor, acho eu, é algo maior que propriedade e antropofagia. Tem a ver com lealdade, que é diferente de fidelidade. Muito pelo contrário.

Dó de mim, que nasci assim, uma pessoa sem o romance momentâneo no coração. Só sei de um romance gigante, sem começo meio e fim, sem nome, que liga a todos por fios coloridos que saem dos umbigos e passam por raízes, se ligam às nuvens, gotas de chuva, asas de pássaros, bobagens e seriedades. Um grande amor não tem endereço, tem todos e nenhum, só é possível com individualidade. Quando eu me apaixono, voo as tranças, dou o fora, fugindo da possibilidade de fazer um mantra com o nome de alguém. Para mim, isto seria doentio, terrível, uma prisão, alienação. Há tanta coisa mais importante para fazer e pensar do que conquistar pessoas, coisas, países, povos.

Algo me diz que o amor, quando confundido com domínio, é o princípio de todas as guerras. Mas posso estar dizendo uma grande bobagem.

domingo, 17 de agosto de 2014

O que se pensa é mentira.

Na escola de artes, estou entre os poucos alunos (serei a única?) que discorda do mandamento número um:
"O base de todo o artista está no dominar as técnicas do desenho."
Discordo tanto que, numa série de 7 mulheres que comecei neste mês, a segunda se chama Academia e postei o processo todo (sem observação, sem modelo e não realista) na minha fanpage. Ela tá ficando com uma cara de durona! Comecei com grafite, juntei pastel caseiro e agora estou misturando guache. Gosto de usar pincéis velhos, alguns endurecidos pois esqueci na tinta... Porque, embora seja uma heresia, eu acho que pincéis baratos e desgastados dão um efeito incrível. A minha dama está ficando assim:

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Mas sobre regras, em arte, muito me aconteceu de não terminar cursos. Sempre tive problemas com colégio, métodos estáticos e passo a passo, porque eles podem limitar a criatividade. Aprender sozinhos, demora muito mais e desperdiçamos material, tempo e até pessoas. Contudo, não seria justamente este perder-se a exata (inexata) imersão no sentido criativo?
No meu caso, as coisas mais legais que inventei, seja fazendo animação direta na película, fotos, objetos, direção de arte, filmes, figurinos, projeções, trilhas musicais com theremin, caixas mágicas... sempre saíram de algum erro que virou beleza aos sentidos de alguém que comprou, premiou ou aplaudiu. Primeiramente, claro, aos meus próprios sentidos, em minha solidão, gritando eureca e vencendo a insegurança. Pois ainda tem isto de mágico, não saber se o que fazemos serve pra alguma coisa além do nosso próprio prazer.

Na escola, em geral sentamos a aguardar uma lista de materiais e ferramentas que iremos comprar. Depois, aguardamos o tutorial, orientação na busca do acerto. E assim vamos sendo reconhecidos artistas, conforme as avaliações de quem sabe mais e tentará ajudá-lo a escrever alguma história. Infelizmente, como na medicina ocidental, normalmente esquartejamos corpos, fala-se em materiais numa sala e em matérias na outra, o que me parece um pecado, mas quem sou eu?

No ateliê, se você sentar e esperar, nada se dará. Com o tempo, sobre materiais, a gente tem de tudo, inclusive nossos próprios grimórios, referenciais, bibliografia, matérias porta a dentro e porta a fora, como num laboratório de cientista maluco. Por isto, quando buscamos algum curso pra encontrar determinadas respostas, um ambiente pode contradizer o outro, pois neste mar louco em que nos encontramos, que pode parecer uma eterna bagunça, é onde acontecem surpresas impossíveis em uma sala de aula e vice versa. Fazer o elo, ao menos pra mim, sempre foi complicado.

Acho estudar artes importante mas, a meu ver, o conceito de qualquer obra será uma falácia se a metodologia for um arremedo de alguma cartilha.
Sendo assim, quando você faz da arte a sua vida e se assume sem constrangimento, a despeito de qualquer título ou crítica dogmática, você percebe que estudar arte é uma continuidade, é de dia e de noite e por motivação particular. Podem haver os deadlines mas não há tema de casa quando você é artista. Pouco importam as "notas" e sim os segredos desvendados. Se você cria coisinhas que não vão matar a fome de ninguém (talvez nem a sua) verá que você nunca estará "formado", que algumas obras, independentes, podem levar a vida toda pra sentirem-se prontas.

Quando você não vive de arte, mas vive pela arte e não tem resposta quando lhe perguntam o que você faz exatamente, percebe que arte não é um bibelô na estante, que uma obra pode ser apenas uma nova pergunta no mosaico de todo o questionário, onde sempre vem uma nova questão técnica, tecnológica, conceitual. E daí, um dia a gente vai morrer e talvez tudo tenha sido uma coisa só, um corpo todo construído de trabalhos interligados, com veias e coração, pele, pulmão...

Alguém pode me dizer que arte não tem que perguntar, não é pra pensar, mas apenas enfeitar. Sobre aquela busca do belo e perfeito, certo? Pode ser, mas ainda fica uma questão sobre qual mundo, qual parede, qual corpo sua arte irá aformosear. E não estou falando de preço, espaços sagrados e poder constituído. Isso é bobagem, fantasia de alguém que só conhece a teoria. Estou perguntando sobre o tipo de gente com quem seu trabalho irá dialogar. Porque a arte de fato nunca será uma unanimidade. Pra ser unanime tem que ter bom comportamento e esta parte acho que não compete à arte.

biAh weRTher

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Criança Esperança, jabá e ilusionismo.

Doar uns cobres para o criança esperança? Pra mim, é sintoma de preguiça, culpa, alienação. 
Não preciso de festinha brega da grobo pra me animar, porque sou voluntária pela vida toda e isto não me põe a dançar. Dar de cara com os desequilíbrios inerentes à nossa ostentação não é alegre, não é um show da dupla sertaneja. 
Aliás, não preciso ninguém dando pulinhos e me mandando jogar as mãozinhas pra cima pra eu dar 20 reais por ano pra grobo e sair com a alma lavada, buzinando e xingando gente mal vestida que invade meu pedaço asfaltado da cidade.
Eu não dou um centavo pro tal de criança esperança. Não é com carnaval que melhoro o mundo e mudo meu ponto de vista, mas vendo o mundo real diante do meu nariz. É com consciência e atividade diária, é com educação, empatia, humanidade e menos consumismo que pretendo lutar por outra sociedade.

Passam o ano a defender uma sociedade dividida. Uma guerra entre "classes". Levantam os narizes se segurando na ilusão de que bater salto no xópin os faz pessoas superiores a algum outro ser vivo. Sentem nojo das crianças na encruzilhada. Fecham o vidro do carro, escondem seus guris de apartamento. Conhecem a vida pelos shows de tv e portais de fofoca! Nunca entraram na vila para ver que há mães, trabalhadores, avós, estudantes. Chamam de vagabundos oportunistas os que precisam das ações humanitárias para se manterem vivos. Consideram Ongs um amontoado de atividades falcatruas. Acreditam que não há dívida social, cada qual se vire, sejamos frios, que famílias sem teto se fodam, que todas as crianças não são nossas crianças, que viva os feudos pós mudernos, que nossos impostos não tem que ser para uma sociedade mais justa, que cotas são pra vagabundos, que alguém com roupas simples deve subir pelo elevador de serviço.

Foda-se o tal de criança esperança, viva um país onde as necessidades básicas sejam gratuitas e direito de todos. Viva um país sem uma classe média tão burra e bunda mole que pensa que não tem que pagar impostos porque tem um diploma na parede. Por um país que saberá extinguir os coronéis e seus clãs.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

09

Sofro de TAG - transtorno de ansiedade generalizada -, tanto de nasci de 8 meses. Mas ok, meditação, florais e amor me fizeram superar muito a ansiedade e sua consequente apneia. Minha psiquiatra era muito incrível. Ela não queria me dar remédios porque entendia que, como artista, eu não poderia ficar muito "neutralizada". Então, por pouquíssimo tempo, usei um nadinha de paroxetina. Mas eu sou rápida nisto de ficar boa de gripes e depressões.

Estancia do meu pai, lá longe, no meio do pampa. Minha mãe sente as dores no início da manhã bucólica e gelada, mas como vivia a cavalo nas lides do campo sempre tinha alarmes falsos (a vida nas fazendas gaúchas, gáutchas e uruguayas só é fácil e cheia de vestidos de renda pra quem dança o Pezinho em CTGs da capital)
Meu pai liga pro médico e ele, incrédulo e tranquilo, em seu café da manhã:
- Não te preocupa! Manda ela se acalmar que termino o café, deixo os guri na escola e vou praí.

8 da manhã eu nasci, solita. Minha avó e empregadas ajudaram a mãe. Segundo ela, me teve dando risada, não teve dor, sem lágrima.
Ninguém teve coragem de cortar a placenta. Quando o médico chegou eu estava pelada na cama, no meio das pernas da minha mãe. Nasci em casa. Nasci no campo, nasci numa cama antiga. Dia 09... acredito em numerologia.

Depois que meu pai morreu, nunca mais festejei. Mas não é tristeza, não. É que eu sempre fiz aniversário no dia dos pais, ou um dia antes... e o bolo de chocolate era pra nós dois. Sei lá, deve ser porque ele morreu faz pouco (pra mim, sempre é pouco).

Aniversário... que bobagem!

sábado, 2 de agosto de 2014

nova ocupa


Neste final de semana, estamos editando a apresentação de um novo projeto, pois a partir de segunda vamos atrás de espaço para uma nova ocupação dos sentidos com micro e macro mundos. Que as melhores energias nos abram as portas. Torçam aí, que nós saberemos fazer a festa dos sons e luzes projetadas:D 
A propósito, a trilha nesta tarde de trabalho:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Franz Fanon já morreu há mais de 50 anos, mas é tão atual, tão corajoso, tão humano... Muito fala de nós, os pós e, se tivéssemos coração e gostássemos de ler os pensadores não brancos, por certo ele estaria entre os textos que emocionam e uns enviariam links para os outros pelo celular. E isso ajudaria a abrir as nossas cabeças vazias de pontos de interrogação antes de papagaiamos manchetes alarmistas de falsos jornalistas loucos por defender homens que vivem de vender dinheiro. E nós questionaríamos as definições de fronteira quando víssemos crianças sem pátria sendo assassinadas e não sairíamos para jantar a resmungar "eles que se entendam".
Em setembro de 1961, meses antes de o Fanon morrer, Sartre assinou o prefácio do livro "Os Condenados da Terra". Escreveu ele:
"Não faz muito tempo a terra tinha dois bilhões de habitantes. Isto é, quinhentos milhões de homens e um bilhão e quinhentos milhões de indígenas. Os primeiros dispunham do Verbo os outros pediam-no emprestado. Entre aquêles e êstes régulos vendidos, feudatários e uma falsa burguesia pré-fabricada serviam de intermediários.
(...)
Leiamos Fanon: descobriremos que, no tempo de sua impotência, a loucura sanguinária é o inconsciente coletivo dos colonizados." Jean-Paul Sartre

De verdade, isto sim me leva as lágrimas, nunca as notícias dos jornais fofoqueiros mal diagramados ali na frente da padaria. Fanon transcende tempo e espaço, etnias e dogmas, é mundo real. No meio da guerra, sinto ele como um dos imprescindíveis num exercício de aprender a ser gente. Ele e outros tantos que não lemos porque preferimos os resumos preguiçosos pós-mudernos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Acompanha :)


Após dois meses reclusa, na solidão da criação e mini mundos, hoje voltamos à livre multiplicidade inerente ao meu estúdio. Preparar a apresentação multimídia do novo projeto de projeções e outras artes. É que vamos sair a procura de espaço para a ocupação. Tá, mas sigo construindo os micro designs. Curte a fanpage pra acompanhar alguns trabalhos \o/

https://www.facebook.com/estudio.biahwerther

sábado, 26 de julho de 2014

6


Ontem eu tentava me concentrar na justificativa de um projeto que preciso apresentar em agosto e a minha gata ficava passeando por cima da mesa, passando o rabo na minha cara pra me distrair. Até que veio pelo teclado e digitou o número 8898. Óbvio que não joguei no bicho, mas fui fazer a numerologia! Deu número 6. Entre bobagens do significado sobre sensualidade e romance que pareciam artigos da Capricho, a até encontrei algo interessante: "Sua energia em excesso pode prejudicar relacionamentos. Ninguém gosta de alguém que simplesmente é hiper ativo e nunca pára. Relaxe!" Saí a falar nisto o tempo todo. Será que a minha gata agora dá conselhos?
Bá! Pelo sim, pelo não, acho que, no meu aniversário, vou é pro mar ...


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hoje era o dia de começar um treino importante. Queria aprender a olhar nos olhos das pessoas sem que interpretem aí algum desafio. Azar o meu, pois chove a cântaros e todos se guardam sob os guarda-chuvas, olhos baixos mergulhadores de poças obscuras, pestanas fixas na prática do rafting em micro corredeiras. Gente humana imitando passinhos indecisos de quero-quero. Só os cachorros olharam pra mim. Piscavam um olho, depois o outro, sacudiam a água dos pelos e saíam rebolativos. Quando o sol voltar, tentarei de novo, enfim.



                  .Sobre desejos e compromissos, só aprendi que queimaduras ardem e cortes sangram.



sábado, 19 de julho de 2014

Pulso


Ando acreditando que exercitar a respiração é uma prática solitária muiiito milagrosa.  Me parece que livres e leves das sacolas de compras, sem a competição que deixa a respiração rápida, aguda, curtiiinha, conseguimos nos sentir como o necessário nada, apenas parte de um todo muito fluido. Esvaziar a cabeça, encher o pulmão e ir deixando o ar sair de va gar...

Tá, mas estou me resumindo ao nosso tempo. Na verdade, a história é mais comprida ainda. Tenho a impressão de que aprender a respirar demora tanto, mas tanto, que um qualquer para e morre pra que o próximo dê seguimento. Pra piorar, como em todos os ciclos e mundos, a memória individual ou coletiva de determinada célula resolve falhar e daí fudeu! Sempre há um átomo que nasce do zero, esquecido da vida anterior e do próximo ato. E existe ainda a sintonia fina do desaprender sem desaprender. Digo, você precisa deixar de ser criança mas, pra manter sua essência, você tem que morrer criança. Portanto, teremos que entender o real significado do que é ser criança para respirar como um bebê até ficarmos bem velhos. Mas e se alguém dentro de você estiver com apneia e amnesia, a desentender o que é ser um ser? Vai ver, daí você morre velho e infantil no mau sentido de velho e no péssimo sentido de infantil. Morrer talvez seja esvaziar o pulmão e renovar o ar que o outro irá respirar. Bem, esta parte do ápice final não é nenhuma grande novidade.

Conjugar ou Oxigenar.
Descobri que os exercícios para deixar que o ar passe por nossos pulmões livremente, indo embora e se purificando para seguir circulando dentro e fora tem a mesmíssima importância que aprender a não usar demais a primeira pessoa. É uma questão de harmonia, dinâmica. Tema musical.
eu pequena, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles.

Não falo de preservar-se, omitir-se, amedrontar-se, acanhar-se.
Não. Quando falo da economia dos eus, me refiro a revisarmos nossos pensamentos, oratórias, orações com o cuidado de nos fazermos perguntas fundamentais, como quem sai da primeira infância - ou não.
Antes de batermos no peito gritando "EUUU isso, Eu aquilo..." as peguntas que poderíamos nos fazer são diretas como no release de um espetáculo:
Quando, como, onde e por que estou usando a primeira pessoa?

Ás vezes o Eu é desnecessário, noutros momentos primordial. Resta manter a calma, esquecer a ansiedade e descobrir qual o sentido do seu eu. Se for uma necessidade desesperada de provar algo, daí melhor relaxar e observar se a respiração não está curtinha, quase precisando de uma máscara de oxigênio, quase um pedido de socorro e atenção. A correria pra mostrar que a gente É, pode significar que andamos a escolher a criança errada.

Então, aprender a respirar é parte de aprendermos a falar em mim quando for, de algum modo, bom para os outros dos quais sou parte? Me parece que sim,  mas posso estar dizendo um monte de bobagens...




terça-feira, 15 de julho de 2014

A terceira pessoa.


Quando o Ronaldão ficava pra lá e pra cá com a namorada no meio da Copa e depois amarelou, todo mundo culpou o técnico. Depois execraram o técnico que não deixou a Fátima Bernardes entrar na concentração pra comentar a cor das cuecas das princesas ou sei lá o quê. 
Agora a culpa é só do técnico-babá que entrou em cima da hora na Copa. Convenhamos, qualquer patrocinador manda mais nas modeletes que o técnico. 
Ninguém culpa também a CBF, os clubes, a ganância, a "cultura" do brasil deslumbrado por espelhinhos, celulares, jabás e fofoca.
Tal simplificação de nossos temas, pra mim, tem a ver com os ricos consumistas de escolas particulares pagando muitos dinheiros pra entrar num estádio com plaquinha pedindo a "educação" que não receberam em casa. Se antes dos fastfoods de sushi a culpa era sempre do mordomo, na nossa geração dos infantilizados adultos de xópin, tudo é sempre culpa da babá, que não fez seu serviço. Nossa parte é estarmos nas manchetes como as "vítimas", os "inocentes". o "público", o "consumidor". E saímos por aí, terceira pessoa, repetindo bobagens rasas, nos isentando, cobrando "atitude" como manda o âncora da tv, E saímos por aí, terceira pessoa, repetindo bobagens rasas, nos isentando, cobrando "atitude" como manda o âncora da tv, Sem parar um tantinho pra pensar no que queremos dizer com isto. Será que os motivos de tudo e todos não tem raízes em tudo e todos, intrinsecamente, numa sociedade que é um corpo só? Seja numa tola partida de futebol supervalorizada ou em assuntos mais fundamentais, somos espectadores babões, com cara pintada fazendo selfie ou lágrimas cenográficas nos olhos diante das câmeras.
Só digo uma coisa: enquanto as marionetes da seleção postavam bobagem no tuíter e o garvão exultava o fato de serem os campeões de seguidores e réchitéguis, os jogadores alemães usavam um aplicativo desenvolvido pra acompanharem a atuação de cada qual, buscando onde e como melhorar na próxima partida.
Ensinamos os jovens a almejarem um camaro amarelo e peitões. Lhes apagamos a humanidade, passamos a vida desejando vender os filhos pra alguma grande corporação em nome de "segurança" e "sucesso" e agora a culpa é só do Felipão?

A culpa, na real, é do coelhinho da páscoa!!
Isto me remete ao fato de que 99 por cento das pessoas que habitam as redjis sociais nem sabe que rede mesmo é algo que começou no século passado, uma revolução que conseguiu unir artistas, ativistas sociais e voluntários de causas relevantes em torno do planeta. Rede foi quando a gente pode começar a conhecer o que não estava na tv e não tinha jabá pra estar nas rádios e começamos a trocar figurinhas com cineastas, músicos, artistas visuais e coletivos do outro lado do mundo e descobrimos a saída, o milagre de poder co-organizar eventos, festivais, mobilizações, encontrando pares que não estavam na tv e talvez nunca pudéssemos encontrar, como hoje também não estão nos portais de fofoca. Rede foi quando músicos descobriram como ferrar com meijors e passaram a vender suas próprias músicas na internet. Rede é quando você se junta pra criar algo e não uma pracinha, um clubinho pra culpar os outros pela mixórdia que fazemos no mundo. E isto não é outra história, tem tudo a ver com o Neymar.

Trilha para tarde criativa no estúdio...

sábado, 12 de julho de 2014

Feed a Child

Tentando criticar o fato de que há animais domésticos mais bem alimentados do que muitas crianças carentes, o Feed a Child produz comercial racista absurdo e acaba tendo que tirá-lo do ar e se explicar em seu sítio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Uma pet bed, o Romero Britto, muxoxos e Carlinhos Brown


Procurando uma cama nova pra minha cadela Júlia Albertini, descobri, pela bagatela de 165 dólares, horríveis pet beds assinadas pelo Romero Britto (aquele senhor que publicou em seu saite um texto se identificando como o novo Picasso). A parte boa é que vendo o referido objeto horroroso com os mesmos rabiscos industrializados de sempre, perdi a preguiça e arranjei um tempo para abrir minha máquina de costura. A Júlia Albertini agradece ;)
Certo, precisamos ser justos! Afinal, Romero Britto não é o único vendedor de latinhas coloridas a representar a infantilidade do moderno consumidor de coisinhas coloridas idênticas a outras coisinhas coloridas.
Outro dia mesmo, vi umas telas do Carlinhos Brown - que, inclusive, é pra muitos uma espécie de Romero Britto da música brasileira - e pensei comigo: tudo o que é ruim sempre pode piorar...
De verdade, as pinturas do Carlinhos Brown me lembraram uns exercícios das aulas de pintura, quando todos tínhamos que jogar umas tintas "organicamente" sem o direito de filosofar porque, afinal, nós eramos pequenos demais pra conceituar qualquer bobagem.
Depois de dias fingindo que sabíamos (ou não) o que estávamos fazendo sob os muxoxos e humhums da mestra ou de uma aprendiz que nos avaliava quando ela estava em viagem, a  maioria das jogações de tinta ficava o mesmo retrato de um ovo frito. Só que uns ovos fritos eram mais pra ovos pochê.
Então, vinha o momento tenso, quando a professora elegia alguns pra analisar como pretensos pintores muito ruins e outros, muitas vezes filhos de gente do meio acadêmico, ela e a bolsista escolhiam para serem o exemplo do pintor promissor.
Nesta parte. minha  alma vídeo artista me forçava a gravar, mas claro que nunca divulgava, porque não seria ético mostrar estudantes de arte sendo enxovalhados diante dos colegas como soldados num quartel. Mas era muito interessante. Elas colocavam a mão no queixo, faziam uma parada dramática, emitiam sons, trocavam olhares cúmplices e discorriam sobre a incrível expressão superior do gesto de alguns, destacando aquela mancha azul mais azul que a mancha azul dos demais e o pontinho roxo mais incrível que o pontinho roxo de outros alunos menos geniais. E a performance andava, passando por inevitáveis comparações com grandes nomes até que amarravam a avaliação dando um quase zero pra os pontos roxos péssimos e um quase 10 pra os pontos roxos praticamente orgásmicos!
E havia uns poucos alunos - acho que inclusive eu - que eram analisados com mais pressa, como nem isto nem aquilo, quase uns nadas. Creio que isto se dava devido a nossa tendência a um certo comportamento marginal e é sempre melhor não confrontar diretamente os punks... nunca se sabe.
De fato, esse mundo dos grandes nomes das 8 artes brasileiras, tanto quanto o planeta da acadimía e os olhos das curadorias são coisas que eu sou louca demais pra entender ou marginal demais pra ter saco ou bruxa demais pra ter paciência.
Logo, por fim, pelo sim, pelo não, melhor a minha cadela ter uma cama nova assinada por mim!


quarta-feira, 9 de julho de 2014

quente, porém gelado

Ó, inventei um chocolate quente que pode ser gelado e dos dois modos é simplesmente supimpa:

Cacau em pó, Maizena, Leite laite, Um nadinha de creme de leite (tudo pra mim tem que ser laiti), uns 3 ou 4 cravinhos, um pauzinho de canela ou uma pitada de canela em pó, um pedacinho de nada (tipo uma rodelinha de meio cm) de pimenta vermelha, uma colher de sopa de geleia de morango daquelas que vem com os pedaços do morando (siiimmm, uso a laiti), uma colherinha de vinho branco ou mesmo cointreau ou xerez ou...

Tá, não vou dar o passo a passo porque já estou abrindo demais o meu grimório, mas só posso dizer que eu faço em dobro, pra poder provar uma parte quando está quente e a outra eu deixo na geladeira, já que dos dois modos é genialll. Claro, a gelada pode ser acompanhada até com um espumante bem brut.

Não, não fiz foto porque estou com preguiça e, afinal, isto não é um blog de culinária!

beijos

Não é sobre futebol


Vi um dos jogadores declarando que "Deus me dará a resposta" pro vexame. Tal frase, junto com as mães que passaram o ano iludindo os filhos e agora "Não sei como explicar a eles" são marcas da falta de identidade de um país que festeja um Deus brasileiro, sendo que nunca vimos a cara de Deus e, dele, só se sabe que não aceita diálogo.
Olha, um país que incentiva as crianças a chorarem por bobagem, onde as pessoas usam manual até pra lavar o cabelo, maior consumidor de livros de auto ajuda... Dez passos pra isso, 20 formas daquilo...
Vamos falar sério! Tudo bem o Galvão Bueno, as patricinhas, os poetas e as criancinhas estarem em lágrimas por uma derrota que era óbvia ontem - embora com transbordamento na fonte de chocolate - mas pô, os adultos sabem que nós iremos perder pra Argentina, que perderá pra Holanda que - tomara que não - perderá pra Alemanha.
Do mesmo modo, nós sabíamos há meses que este é um ano de el Niño, contudo as prefeituras esperaram sentadas pra depois abrirem seus pedidos por roupas velhas dos guarda-roupas privilegiados. Será que ninguém sabe que não adianta esperar que Deus enxugue a chuva e as lágrimas? Será que nenhuma prefeitura poderia ter se preparado, evacuado, prevenido, como acontece no Japão que aguarda um tufão exatamente nesta semana? Será que adianta esperar que o Senhor amenize a instabilidade emocional dos filhos pequenos da classe média?
Japão, Alemanha, Holanda... como são azarados esses coitados. São mais organizados e adultos em brincadeiras como o futebol e também na vida real, mas não dormem na casa de Deus, pobres ateus...

sábado, 5 de julho de 2014

Eu suponho, Tu supões, Ele supõe.



O problema não é apenas termos trocado os livros das estantes por lembrancinhas baratas dos pacotes rápidos de viagem. Porque desaprender coisas como ler e escrever não seria necessariamente um motivo pra perdermos o caráter e a empatia que eram ensinados em casa nos tempos idos, quando a maior parte da população só sabia escrever o nome.
Claro que ler ajudaria mas não sei se evitaria a malícia que as crianças estão decorando antes mesmo de ir pra escola. A maioria de nós abusa da desonestidade, da falta de educação e do ódio e assim treinamos quem nos cerca, Seja pobre, seja rico, seja a exibicionista classe média, seja marginal, o pai de família, a moça de bolsa de marca, a dona de casa evangélica, somos todos muito mal educados, não apenas ignorantes (são coisas diferentes).
Mais do que ignorância, a marca da moderna luta de classes é a falta do exercício da lógica e a falta de mais filosofia no café da manhã, no colégio, até na missa.
Nossos avós diriam que estamos esquecendo de usar a cabeça pra pensar antes de sairmos repetindo bobagem boca a fora.
Curtas frases ferinas estão na moda, tanto quanto os selfies de ladinho e ninguém para pra pensar que talvez não seja engraçadinho, mas apenas idiota.
Vejo vários raivosos latindo que é um absurdo os condenados do mensalão poderem trabalhar, sem acordarem para a verdade de que todos os condenados deveriam trabalhar!
A parte o signo de ódio que tomou conta dos emergentes (a vida empilhada em cidades consumistas causa mesmo a síndrome da raiva), o pior é a vazies das cabeças.
Vejamos: se você é a favor de cadeias viradas em depósitos humanos, se você é contra a reeducação, a ressocialização, se você entende o "castigo" como a solução para os dramas sociais do mundo, será que você não está apelando para a ignorância?
Será que é tão difícil pensar um tantinho mais e perceber que você está apenas sendo o elo para o ciclo de ódio? É tão difícil compreendermos que não somos vítimas, mas parte atuante? Não estamos num feudo, frágeis consumistas de bem pagando nossos impostos e esperando o milagre. Não se iluda! Somos tão responsáveis pelos erros e acertos quanto o assaltante, o milionário, o político, o vendedor de crack e é ridículo o discurso do homem de bem isento de responsabilidades apenas porque usa roupa limpa, engorda um patrão, faz suas orações e vai todos os dias no supermercado!
Numa sociedade corrupta, todos são corruptos de algum modo e basta pensar uns dois minutos pra entender esta obviedade.
E quando você chama de vagabundos os poucos indígenas que ainda não embranqueceram, você não está exigindo que todos se adaptem com naturalidade ao nosso sistema de jogo de poder e desigualdade como se nosso modo de vida, só porque somos maioria, fosse a única verdade?
E quando você acha que direitos humanos são sinônimo de defesa à marginalidade, você não está tentando preservar o desrespeito às leis conquistadas em nome de uma harmonia social?
E quando você acha que prostitutas, sem teto e drogados devem ser mantidos ocultos sob os tapetes para fingirmos que a sociedade está limpinha, você não está perpetuando uma sociedade podre e injusta como nos tempos das perucas com talco a esconder os piolhos?
E se você crê que é bonito alcançar o status de elite (tem gente que acha que isso é qualidade), você não está dando um tiro no pé já que pra existir a elite é preciso que existam oprimidos e revoltados ou você não teria como ser superior a alguém?
E quando você generaliza todos os sindicatos a uma reunião de vagabundos, você não assina o atestado mais retrógrado por desconhecer que ao longo de séculos trabalhadores morreram para que a escravidão fosse banida e para que leis trabalhistas lhe garantissem a segurança que tem hoje de poder pagar a prestação do seu apartamento no condomínio com vista para o outro condomínio?
Será que pensar, elaborar, fazer perguntas, procurar respostas e conhecimento antes de repetir bobagem não deveria ser um exercício desde que aprendemos a falar?
Você redige pessimamente seus perdigotos, pululando os dedinhos nas teclas do celular e tudo bem, é sua única diversão na praça de alimentação do xópin! Afinal, há muita gente sábia que tem cem anos, mal sabe escrever, mas sabe contar histórias vividas mais verídicas que as dos livros. Então, siga escrevendo garranchos digitais, mas ao menos pense antes. Quem sabe desabrocham poemas surrealistas de alma crítica e sátira.
O problema não é essa mania feiosa de adultos não saberem mais que existem vírgulas e, com isto, não conseguirem escrever algo que faça sentido. O que realmente faz mal ao mundo é o que acontece antes do escrever. O problema do nosso tempo é o que nós deixamos de pensar, cuidar, combinar as idéias, conversar, esquecidos de que, na verdade, raciocinar pode ser tão bom e libertador quanto tomar um banho de sal grosso. Quem pensa, no mínimo, se expõe menos ao ridículo de abrir a boca pra dizer besteira 
e espernear como criança na loja de brinquedos.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

mantra...

Para pautar a vida...

  • Nada superficial
  • Não à mera ostentação
  • Ninguém que seja unânime
  • Nenhum que venda sorrisos
  • Nunca pagar para dança
  • Nunca nas filas do sexo!
Toda a transparência
Toda simplicidade
Todas as diferenças 
Pela equidade






sábado, 28 de junho de 2014

Inverno

Tá lindo este dia frio e chuvoso com muito vento. Lembrei que lá pelos meus 14 anos eu curtia ler e fazer tricô em dias assim, quando não tinha aula. Eu sabia muitos pontos, tanto que uma vez passei um inverno ganhando vários dinheiros fazendo tricôs pra uma loja de ricas que a mãe conhecia. Creio que as peruas exploravam meu talento, mas eu adorava inventar pontos jacquart e ganhar grana. Teve uma madruga que eu e meu pai ficamos vendo um filme do Truffaut. o Fahrenheit 451 - versão antiga, claro. Meu pai chorava nesse filme e depois me explicava a trama, porque tudo ele explicava, puxou por mim. Enquanto isso eu consegui fazer quase um blusão inteiro entre as 8 da noite e as 8 da manhã, era meio viciante e eles não me convenciam a ir dormir. Eu usava agulhas muito grossas, tipo 12 ou algo assim... Sabia também fazer luvas, tocas, cachecóis e polainas. Ainda bem que fiz tricô quando era pequena, porque daí quando eu tiver 80 posso sair pra namorar e tomar uns porres 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sal

Queridas pessoas, 

Nesta semana, o meu ateliê está em fase transparente 
Eu tinha pedidos de Caixinhas Mágicas a espera, então comecei uma nova série. Ainda hoje vou postar algumas imagens do designs exclusivos que comecei agora.
Também aproveitei o momento pra voltar aos meus estudos de vidro e resina, pois amo muito a transparência, como dá pra notar em meus projetos de webdesign ou mesmo nas fotos submersas.
Uma curiosidade é que durante os laboratórios com novos materiais e processos aqui no estúdio, aproveitei pra estudar artistas de vários lugares que trabalham com mini mundos como eu. Bem, só posso dizer que ninguém bate os italianos, não só pela técnica, mas pela criação. Um objeto transparente pode ficar brega ou um sonho. Mas tudo é uma questão de cultura e conceito e não podemos esquecer que ninguém sabe mais de vidro do que a Itália. Lembro da primeira vez que vi um murano legítimo de perto. Enfim, voltando à minha modesta realidade, vou seguir meu trabalho aqui, pois tenho pedidos de caixinhas mágicas e tenho muito o que estudar pra que meus trabalhos transparentes sejam tudo o que eu gostaria. Falta muito. Enfim, quem quiser encomendar, aproveite :

Atelier: 51-3341-3929

Visitem este álbum da minha fanpage, pra conhecer melhor este singelo braço do meu estúdio criativo:
CAIXAS MÁGICAS


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Site

Oi queridas pessoas,

Em breve meu sítio estará no ar. Adiei um tanto, porque a estréia envolverá uma exposição esquisita e um pouco de interatividade. Mas já tenho dado ele como endereço, pois dá caminho aqui pro blog, para a fanpage e etc.
Enfim, estou envolvida com alguns projetos de cinema, umas fotos de moda e design de site para uns clientes, mas logo volto a cuidar só de arte por um bom tempo.
A propósito, estes abaixo são alguns dos trabalhos que andei fazendo por estes dias aqui no estúdio.

beijos