quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Nós na Dinamico FM

Visitaê! Mais uma das entrevistas nonsense para o Fábio Godoh. Vale escutar.

http://dinamicofm.com.br/2015/08/11/bockcast-bock-show-ter11ago-com-bia-werther-e-gabriel-flag/


O dia seguinte

Grito que não grita.
Fome. Teus dentes no meu pescoço.
Um saco de ossos quebrados, eu.
Vieste sobre mim,
Dedo em riste como tiros de fuzil.
Atropelada por uma estrela cadente
Sangro tua vontade oculta.
Só, no guarda roupas,
Aguardo o sol poente.
Eu e as palavras,
Tua chuva doce de palavras e quereres
Que leio, leio e, no ato, nada.
Sentados ali, eu do tamanho de uma pulga.
Susto. Grito que não grita.
É no dia seguinte, quando o corpo esfria,
Que se conhece o tamanho da dor.
]bw[

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Agosto

Não costumo ter inferno astral, porque estou sempre apaixonada e feliz, cuidando de minhas coisinhas. Porém, fico reflexiva,,,
Estava a pensar na minha relação com meu filho, que sempre foi muito adulta, apesar de ele ser mais adulto que eu. De como tivemos força pra fugir do lugar comum onde uma mulher resolve jogar em seu rebento suas carências e passa a querer apropriar-se da vida do outro, só porque casualmente esse outro veio parar nesta dimensão por seu intermédio. Penso sobre o quanto sofro e sofrerei a cobrança de, muitas vezes, ser mãe por skype, viajar a trabalho quando a uma mãe cabe apenas se doar e bater no peito a dizer com orgulho que não pensa em si. Não padeço em paraíso algum!
Nunca me apeteceu ficar conversando sobre o formato das fraldas descartáveis no playground, mas assistíamos desenhos animados, tomávamos banho juntos, fazíamos filmes e músicas e ríamos muito, ríamos e dávamos cambalhotas e deixei que ele preferisse nuggets com miojo a cenouras e alface. Desenhávamos juntos nas paredes e boa parte destas artes foram incorporadas na decoração, suas primeiras obras.
Depois a gente se respeitava, eu me divertia de um lado e ele do outro. Sentíamos falta quando um de nós estava longe, mas a vida é assim. Há lugares pra conhecer, tarefas a cumprir e algumas não tem que ser com a mãe ou com o filho. Cada qual vai andar sozinho, tomar decisões.
Hoje peço licença para opinar sobre o que importa, mas nunca me senti no direito de resolver qualquer das suas escolhas do dia a dia. Ele, por outro lado é muito paternal comigo, coisa de capricorniano, sempre cuidadosos e provedores, diante dos leoninos extasiados ao sol.
Há um preconceito ao nosso redor por eu não querer saber o que ele comeu hoje ou não ligar o tempo todo a perguntar se pegou o agasalho. O que agasalha meu coração é a facilidade com que nos dizemos eu te amo e como ele me abraça e aceita qualquer das minhas decisões pessoais que, decididamente, não são parecidas com as decisões de noventa por cento das mães. Eu sou uma mãe que ama ser uma mulher e sou antes de mãe uma mulher. Sou presente, sou ausente, sou o que posso ser, mas nunca serei aquela que vai cobrá-lo, seca e dura, para que seja uma extensão dos meus sonhos, destes cuido eu.
Sumo, não faço dele o centro dos meus dias e o meu amor por ele não compete com os outros amores que sinto. Cabe tudo no meu peito.
O que nos ligará é a liberdade do ser. Parecidos somos, mas não por obrigação, e sim por que nos une um desejo de inventar coisas que causem sentimentos nas demais pessoas. Ele músico, eu uma miscelânea criativa. E quando me perguntam porque eu sou tão jovem, eu não digo nada mas penso:
Deve ser porque nunca procriei um escravo.
]bw[

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O quadrado e o círculo.

O quadrado e o círculo
Vê o círculo de giz? Então te afasta!
Alimenta rudes questões pras quais já inventaste as respostas.
Morre de medo e me deixa em paz.
Me esquece onde me transfiguro aqui no mundo que eu mesma fiz,
Nem pensa em tocar na minha linha invisível que separa a coragem do impossível
Guarda distancia da minha ânsia
Anos luz da semelhança
Mantém lá fora os nãos!
Porque eu... eu não posso com essa mania de realidade
Diferenças e frutos proibidos. Não me aguento diante de tanta sobriedade
Não tenho portas e desfilo em três caminhos que se fundem e dão no mar.
O mar...
Nunca soube dos sistemas angulares, lineares...
Digeri aí o teu tudo, a tal de métrica.
Não obedeço nem padeço, simplesmente esqueço
Faltei no curso de crueldade
Nada sei da exatidão, vergonha, religião.
Fica fora do meu Não espaço!
Longe do meu Não domínio
Segue cego pela concretude
Acumula tuas coisas e coisinhas
Esteja seco do meu orvalho.
Não tenta desvendar, aproximar
Você nunca vai entender que nada há.
Nem chaves, nem ponteiros.
Aqui dentro é fora!
Só o sal, musgo e desejo.
Não há dentro, só o vento.
Aqui é o nada porque de nada se precisa.
Só a invisibilidade.
E sabes do que mais?!
Nunca existiram os tais limites.
Nunca desenhei qualquer círculo de giz!
Eu menti!
Você não viu que não tinha nada pra se ver?
Era apenas ser, meu bem... Apenar ser.
]Ana Beatriz[

sábado, 1 de agosto de 2015

Comensal

Tua voz, quando estamos a sós, 
é tão mansa
que qualquer bobagem é um sinal
A minha garganta fica burra e só gagueja verdades
E o meu nome é esperança
de que a noite não acabe.
O teu silêncio me mata.
Quando te animas em propostas
aceito o mais tolo dos convites
festejo o mais idiota dos lugares.
Mergulho em perfume, morro de ciúme
e me traduzo em versão ridícula.
Teu gesto, quando estamos sós,
é tão lento
que mesmo a pior música é dança
O teu olho vaga quando somos nós dois, intimida.
Acelero ao encontro, então chego e paro de respirar.
Tanto que vejo flores saindo do asfalto
Tropeço no invisível, caio e desmaio para o alto.
Atravesso as paredes em busca.
Tua palavra, quando o tempo para
Faz de mim uma pluma e de ti a brisa.
E é só... bruma... líquido...
Só nós dois examinando a lua, atirados no alto
Da duna macia onde morro mastigando tua voz.
]bw[

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Valsa

O vento gela, te leva, me esvazia
O vento afasta, troca, anuncia
Me move, folha arrastada em água fria
Ventana trêmula
Olho na fresta
O vento nas ventas
Sangra a floresta
Vento me busca, me voa, me abre
Eu viro sumo
O vento me invade
Revira o estômago, enche o pulmão
Minuano, sombra que dança
Puxa o cabelo, me trança
O vento é fim dentro de mim
O vento é novo, bafo quente, início
Me preenche...
Chama reluzente, desprendimento
Distração, um vulto ardente.
]bw[


O bule dos adultos, a sororidade, o porão e a letargia.


Nas relações de hoje, tempo em que mulheres falam, a competição é ouro, um vício, a doença humana mais recorrente, causadora de todos os males modernos que a maioria tenta controlar com química, tutoriais de meditação ou pagando o dízimo.
No caso do machismo, esse monte de escaninhos que chamamos de sociedade ainda disponibilizam as armas a homens e mulheres para que as nossas relações se mantenham numa terra sem lei.
Seguimos permitindo que a intimidade muitas vezes se torne uma disputa até pelo que ninguém tem, pelo que não há, pelo que não se precisa para ser feliz. Um dia, você acorda com o inimigo, tipo filme B ruim. E ele não está para brincadeira.
Que atire a primeira pedra quem nunca percebeu, do nada, que caiu em uma armadilha. Quem nunca levou um susto imenso ao se deparar numa realidade onde alguém de sua absoluta confiança passa a agir como um estranho no meio de um campo de batalha? Poucas mulheres que conheço, das mais variadas idades, nunca se encontraram um dia diante de um estranho que usa a pessoa mais próxima, que mais o ama, portanto desarmada, como o saco de pancadas onde ele irá desopilar seus medos, limitações e recalques.
Em geral, algo em nós mulheres, seja por cultura, seja por instinto, nos leva a querer cuidar e defender os nossos abusadores. Vira uma pegadinha, Síndrome de Estocolmo, onde a estratégia do controlador é derrubar a sua auto estima numa espécie de tortura cuidadosa, lenta, a apertar os olhos e olhar você com um ar de "você é uma vergonha "você é louca", "você está cheia de ódio". E, de fato, naquele momento humilhante e indefeso, você sente ódio.
E ele sempre terá umas amigas novas e uns amigos antigos a se juntarem em uníssono: "Você é louca". Essa parte é fundamental pra deixar o bule bem certinho e você bem encolhidinha.
Um abusador, seja pra roubar um projeto seu, direitos seus, seja pra roubar tua alma, tua beleza, credibilidade, pureza, seja por vingança ou ciúme, desamor, seja porque quer estuprar você dentro de casa, seja pra se sentir alguém menos pequeno como ser humano, vai te chamar de louca (ops! isso eu já disse... tou ficando louca), vai te expor em público, cortar tuas falas pela metade com ironia, te humilhar em uma reunião de trabalho ou informal, te convencer que se você não aceitar abusos você será considerada destemperada e que é melhor você ficar calada, ser uma moça elegante pra não ser estigmatizada. É aos poucos, você nem nota...
Vai te deixar paralisada e enquanto você fica na torre ele vai sorrindo e sambando, assinando coisas que você construiu, com a certeza da impunidade, porque você está trancada no armário tomando rivotril.
Um abusador, geralmente, quando sai da sua vida é porque sugou sua última gota, você está inerte num porão, você escondeu os espelhos, você se acha menor, você não se reconhece, você perdeu você mesma e chega a acreditar que ele deve estar certo, você está louca e não foi você quem pagou aquela conta, fez aquele projeto, ficou noites sem dormir pra conquistar alguma coisa que agora, tomada pela insegurança, já nem sabe se merece e nem adianta saber porque ele já subiu no pódio da vida levando consigo.
Mas a pior parte do abuso é que você está tão frágil que não quer se expor e não conta pra ninguém, e tateia em direção à escada, do zero, esperando que o universo conspire e a justiça se faça qualquer dia desses. Porque você, você só quer esquecer e fingir que não deixou no porão muitos dos seus sonhos e na impunidade do abusador muitas das suas conquistas.
Dos primeiros abusadores a gente não tem como fugir porque ninguém nos explica, nossa mãe geralmente acha um a-mor. Os primeiros abusadores a gente só descobre quando já está com vergonha de existir e não sabe quando e como começou o processo, mas que temos que ressuscitar e tratar as dores no corpo físico e no corpo astral como quem sai de uma surra de cinco séculos e cabelos queimados na fogueira.
Mas depois de um tempo, quando a vida corre, a gente reconhece os sinais de um princípio de dominação. Há quem, ainda sim, diga sim para um novo ciclo de tortura, porque não há uma busca de cura social. O machismo nunca foi curado e é orgulho nas melhores famílias e grupos.
Do abuso moral dentro das casas pouco se fala, porque é daqueles assuntos que se cala. E o pior, muito pior do que tudo nessa vida de guerra entre humanos é que, sei lá porque, ainda não criamos abertamente um canal que defenda mulheres do abuso moral, do abuso emocional, aquele que deixa marcas nem tão invisíveis, aquele que tira o brilho e doçura.
Assim, todo o santo dia, novos abusadores sendo preparados - e não são poucos e parecem gente normal. Toda santa noite, novas presas, novas vítimas, novas zumbis, novas mortes em vida, novas mortes em morte mantendo o silencio ensurdecedor da podridão oculta nas vizinhanças cheias de datas, carros, títulos e sei lás.
Em meio a tantas máscaras milenares, felizes mesmo são os vendedores de antidepressivo!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Ruas Avenidas

E assim, as pessoas passam como rios e fontes.
Algumas, chuva forte em minha cabeça, escorrem no meu corpo e perdem-se no ralo.
Há os orvalhos lentos, profundos, quase fúnebres que evaporam ao sol...
Poucas me devoram como ondas do mar.
Existem ainda as marolas, lambendo mansamente as pernas...
Em frente, me pergunto quais delas serão eternas.
]bw[



sábado, 27 de junho de 2015

Nos falaremos em cem anos.

Toda a vez que começo a me reaproximar do cinema gaúcho porque preciso rodar algum trabalho mais complexo tecnicamente, tenho dificuldades em me fazer entender. O processo passa por árduas tarefas no sentido de não declinar do meu conceito, de não seguir modelos que circulam de filme em filme, de imprimir particularidades nem sempre escravas da ânsia por popularidade... principalmente por ser respeitada do alto da minha vivência nada pequena em várias artes, especialmente no cinema experimental.
Passo por decepções que vão de tons irônicos até a insistência para que eu me renda ao "possível" e "prático".
Me vem essa sensação de estar desembarcando numa conversa de produtores de comerciais para a televisão. Claro, obvio que você tem todo o direito de querer passar a vida produzindo curtas para a RBS e brigando sobre qual a melhor câmera da moda e como o seu filme precisou de mais geradores e sobre quem corre mais... Mas o que me surpreende é que, muito provavelmente, a grande maioria não optou por fazer um cinema contido, quadrado, agradável aos olhos dos jurados, professores, produtores, empregadores, exibidores... A meu ver, fica claro que muitos desconhecem arte porque sõ tiveram tempo de decorar planilhas e correr com um celular em punho pra mostrar que são bons.
Mas conhecimento sobre o que acontece fora da turma, a contravenção, história, modernidade, aquilo o que o mundo anda fazendo, o que é uma vídeo arte e onde ela encontra o cinema, a possibilidade mágica de misturar, tirar o cinema dessa prisão da cultura televisiva e libertar, dar a ele o direito de voltar a ser arte, expandir a mente, sair das panelinhas de fofoca, parar de competir sobre quem tem mais gente e equipamentos a se debater dentro de um set... isso parece que poucos puderam ver.
Certa vez me magoei quando uma professora do IA me disse em aula que cinema não é arte, mas outra coisa. Hoje entendo que ela não falava do meu cinema e, muito certamente, nem teve tantas oportunidades de saber que o cinema gaúcho tem sim, como todos os cinemas do mundo, gente que o desconstruiu pra reencontra-lo, autores que experimentam num campo livre.
Nunca vou entender o que acontece com o cinema gaúcho. Entra ano e sai ano e ele fica mais sob controle, menos de peito aberto, mais ensimesmado no bom mocismo dos roteiros coerentes.
Que seja, mas ao menos estudem, vivam as ruas dos cinemas livres do mundo, para que os cinemas que não correm prá lá e prá cá entre os editais, os festivais, os comerciais e a tv, possam também ser produzidos. É importante que todos os envolvidos neste "mercado" saibam a importância daquele que confronta, que nao se rende, que questiona e inventa outras alternativas (será que eu já não disse isto em 1998,2002,2007?)
Será que só chegaremos a um diálogo daqui cem anos, amores, quando meu trabalho estiver sendo observado por ser diferente no nosso tempo e o seu curta de tv premiado for mais um entre milhares esquecidos? Será que só então, você que tentou me convencer a tornar meu trabalho mais óbvio ou riu da minha cara diante da impossibilidade das minhas ideias, vai então me olhar e dizer:
- Ahhh, finalmente entendi!
A primeira lição, queridos, é ver que tudo pode, que todos podem, que sempre haverá mais do que aquilo que sabemos de cor e sempre existirão muitos outros mundos, interpretações, valores e conhecimentos. É importante perceber que as conquistas de uma categoria, os representantes dela e as conhecimentos técnicos tem que ser oferecidos a todos, não só aos bem comportados (acho que isso eu também jã disse em 1998, 2002, 2005, 2007, 2009..).
As diferenças são soluções e não trincheiras.

]bw[

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A mais bela punk e o São João.

Minha irmã, que morreu há alguns meses, nunca foi magrela como eu. Ela era sempre a mais linda e moderna nas turmas de adolescentes que eu admirava de longe enquanto aprendia com seus LPs do Pink Floyd, Led Zeppelin e Yes. Desfilava firme entre os fãs apaixonados e dava porrada em quem viesse com elogios bobocas. Eu era tímida e ficava num canto do recreio com um livro, escondida nas toucas e cachecóis que a mãe tricotava, conversando com os cheiros do inverno, sofrendo bule de umas meninas loiras lindas e até de professoras. Ela não me dizia nada, era até meio fria comigo como toda a menina de 12 ou 13 anos diante dos irmãos pequenos, então eu vinha a saber só depois, através de colegas, que ela virava bicho quando descobria que alguém tinha me magoado. Não sei o que fazia, só sei que teve gente até me pedindo desculpas no dia seguinte.
Num ano daqueles, os colegas da quinta série votaram nela como mais bela prenda. Teve um ataque, ofendeu-se, chegou em casa puta da vida. Minha mãe tentando lhe mostrar que era um posto bonito, que poderia costurar um belo vestido.
No dia da festa junina, as concorrentes das turmas subiram no palco em fila, sorridentes em seus vestidos de rendas. Minha irmã, após insistirem em chamar seu nome, apareceu no palco atrasada, de botas pretas e a minissaia mais linda eu já vi. Quando todos fizeram silêncio, chocados com seu figurino, ela pegou o microfone, soltou uma breve frase feminista e saiu da fila de prendas, desceu as escadas batendo as botas incríveis, o nariz no céu! Adolescentes aplaudindo, os pequenos rindo da minha cara, os adultos horrorizados.
Eu, la do fundo, me orgulhei dentro das luvas, cresci e hoje sou igual a ela. Meu rosto nunca mais ficou quente de vergonha, o que me deixa corada é a gargalhada, esta felicidade de, diariamente, nos pequenos palcos, saber declinar da competição entre as mais prendadas. Tem ocasiões em que decepcionar é mais doce do que ser agradável. Há dias em que descobrir que alguém que amo tem vergonha de mim - porque artistas, ainda hoje, são irmãs das prostitutas - é me aproximar da certeza de que posso ser uma mulher livre.
]bw[

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Acorda e vai pro colégio!

Lá nos isteites, nas cidades altamente moralistas, berço da KKK, é comum famílias brancas isolarem os filhos do mundo moderno. Mães donas de casa ensinam a matemática, o inglês e a bíblia em casa, para evitar que os filhos se contaminem dos aprendizados mundanos. 
Parte do Brasil desembarcou solene e contraditoriamente no século XV a partir de espertas religiões eletrônicas, e agora querem também preservar os filhos dos perigos que a mistura com gente estranha representam.
Feudo, casta, seja lá o nome disso, quando você se fecha no umbigo dogmático você pode se tornar perigoso, porque desconhece que há um mundo com outros bilhões de seres vivos para conviver, dividir, interagir, reconhecer... A empatia vira pedra por gerações.
As nossas escolas estão cheias de problemas? Sim, mas a solução é ocupa-las, não esvazia-las!
A família tem como função educar, a escola é uma continuidade, porta para a socialização onde você descobre suas asas a partir das diferenças. Escola não é apenas conteúdo, é comunicação, são trilhos e há percalços.
Agora, mesmo que a escola fosse apenas aprender o dois mais dois, se você olhar ao redor de si com humanidade observando a atual situação do planeta, perceberá que países como o nosso não podem abrir qualquer precedente pra que a escola deixe de ser um meio, um portal, incentivo e obrigação.
Há milhões de crianças muito pobres além de nossos filhos brancos privilegiados. A garantia de escola para todas as crianças de modo igual é um avanço, bolsas que os incentivem a não abandonar a escola é mais um degrau. Nunca voltar ao zero!
Se você mudar o que o país levou séculos pra conquistar em nome do medo que famílias brancas tem da vida real, daí é melhor rasgarmos todos os direitos e virarmos canibais.
Aliás, não esqueçamos que a violência na sociedade moderna, inclusive nas escolas, nasce sempre e sempre dos terrores promovidos pelas linhagens encasteladas.
]bw[

domingo, 21 de junho de 2015

W.O.

Não acredito nessa bobajada dos 10 passos para o sucesso. Não dou importância para os prêmios, não sou muito competitiva, desdenho dessa jogatina contemporânea tomada pelos valores fálicos. O pau maior, o mais jovem a fazer sei lá o quê, o primeiro a inventar o mimimi, o melhor paranauê... sei lá sobre isso.
Só quero adivinhar o momento de dizer sim ou não, poder levar 10 anos pra escrever um livro ou 8 pra terminar um filme e o prazer dos adiamentos.
Eu retardo várias coisas!
Só me importa perceber quando alguma "vitória" não valeria a pena porque se tratava de mera vaidade. Quero é não ter horário e trabalhar a qualquer hora e que me dê prazer entregar prazeres. Me interessa é não acreditar nesse blabláblá do preço das pessoas.
Vou te dizer, se me dá vontade, eu desisto, deixo pra lá e não me sinto derrotada por isso. Porque desistir de algo, alguém, algum, se você não estiver distraído pela pressa, pode ser lindo. Mudar de ideia, se dar o direito de transformar-se, de ser ao longo do caminho quantos você quiser, de se conhecer sem as interferências rasas...
Não quero ser escrava do julgamento alheio. Dispenso o caminho previsível de asfalto, sempre em frente, focada, querendo segurança. Me interessa a floresta, os desvios, os rios, os inesperados, os sons sem refrão.
Por isso, quando, ocasionalmente, volto alguns passos ou me deixo ficar lenta, me sinto viva a rascunhar, reescrever, aprimorar. Não acredito que o que realmente importa tem um prazo, como não creio que não se pode transitar entre passado e futuro tornando-os mera parte do presente, pois a única verdade é,de fato, o presente. Isso de dizer que é inviável passar pela vida sem ser competitivo são bobagens que andam colocando na tua cabeça.
Então, não perca tempo tentando disputar comigo uma vaga, um lugar, um homem, atenção, os créditos, o último pedaço... Não sou boa companhia para brincar de rival, acabo rindo na hora de fazer carão! Pule a etapa do duelo porque sou distraída. Desarme-se, não me fuzile com os olhos, apenas tome posse do seu troféu. Nada que existe foi feito só pra para mim que morro de preguiça dessas coisas cheias de pó que colocamos nas estantes pra nos convencer que somos vencedores!

sábado, 20 de junho de 2015

]Solstício[



Como sou pop, meu feicibuque me acordou já na sexta sobre dezenas de raipes eventos urbanos, momentâneos.. belos, não nego, com suas lampadinhas coloridas led de interruptor... Mas eu queria um solstício xamânico. Que o fogo do meu coração aquecesse a minha pele e queimasse meus avessos. Não gosto de frio! Assim, escorri por uma estrada que cantava e dançava, serpente, e eu fervia e guiava no escuro. O inverno, equilíbrio, vinhos bronzeados. Acendemos aqui uma fogueira onde deposito todo o gelo que os normais arremessam em mim. O pouco é desnecessário. O pouco não alimenta nem suprime o fogo que me incendeia. O pouco que se foda! É inverno, sinto calor e quero tudo!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Algo fora do lugar.

Em um ano, foram várias. Uma colega muito querida do IA, a minha irmã mais velha que era pintora, uma professora de artes, uma amiga artista plástica que eu conhecia desde 1995 ... agora mais uma, que se aproximou de mim há vários anos, pelo facebook, pois além dos muitos amigos em comum, tínhamos este amor pelos animais.
Escrevo textos repetitivos sobre essas mortes, da sensação de que morremos todas um pouco, porque estamos diante de uma epidemia sinistra.
Não, não me digam que Deus quis assim, não me digam que pra morrer basta estar vivo ou que tudo depende de avanços científicos.
Estas mulheres que cito eram jovens, tinham tantos projetos, geravam belezas, misturavam cores, tinham leituras livres sobre o espelho feminino, representavam o mundo das fortes, iluminavam caminhos, apontavam um novo jeito de ser mulher.
Para mim, volto a dizer, estamos contaminados por alimentos, por poluição, por dores que impingimos uns aos outros, vítimas todos os dias quando nos deixamos levar por uma sociedade bélica, numa cultura pós moderna onde é proibido nos vermos como parte e como iguais. Eu sei, você acha irresponsável quando eu digo que a epidemia do câncer de mama é mais do que um tema da medicina.
Mas a meu ver, e já disse também isto, é sintomático que o seio que alimenta e garante a vida da humanidade esteja doente, bólido de metástases. Só quem viu de perto (e quem não viu ainda?), sabe que é uma doença que tem o poder de infectar com sofrimento todos os que estão ao redor da vítima. Todos viram fantasmas.
Só sei que há algo errado, não era pra ser assim, não é natural.
E é por isso que, a cada morte, a cada uma de nós que se vai, eu que sou vista pela minha médica como parte de um grupo de risco devido o histórico na minha família e porque, bem jovem, precisei arrancar o meu ovário esquerdo, me torno mais vagarosa.
Não me apresso a viver as coisa rápidas e as competições, a pensar que uma hora dessas eu talvez venha a ser mais uma nas estatísticas .
Ao contrário, a cada enigma, a cada estrela que se apaga, eu vejo que é preciso não perder tempo como a pressa urbana. Histeria, ódio, frieza, egoísmo, dinheiro, superfície, o trânsito, a ostentação, a gritaria, todos estes sintomas de uma doença coletiva que é mãe de muitas doenças físicas.
A cada malícia, você se contamina, mata um pouco alguém e a si mesmo.
Você pode me dizer que não estou falando coisa com coisa, mas estou convencida de que há uma mensagem e um aprendizado a tirarmos das doenças incontroláveis. E não são apenas as pesquisas científicas que vão nos ajudar a entender o que se passa. Me parece que, pelo menos por agora, que a medicina parece mais vencida do que assume, o que podemos é mudar o modo como vemos os que estão ao nosso redor.
Depois do fim, nada mais vai adiantar e não adianta chorar. Por enquanto, o que podemos fazer é nos desarmar, não mais jogar e sim alimentar a empatia, nos igualar e amar. Quem sabe assim, mudados, menos apressados, mais interessados em trocar o mais puro oxigênio, um milagre aconteça e mulheres possam morrer com mais dignidade, sem tanta dor, tão cedo, cansadas de sofrer.
Certo, você pode acreditar que o câncer só precisa de remédios químicos, mas eu acho que nós estamos metabolizando os mais variados tipos de veneno que nos entregam para alimentarmos corpo e alma. Sinto como se os mais humanizados, os menos enraivecidos, as menos armadas, acabem sendo abatidas em maior número, o que não deixa de ser uma terrível contradição.
Caso eu esteja dizendo bobagem, pelo sim, pelo não, não quero ser aquela que esqueceu de dizer eu te amo ou não teve tempo de olhar alguém nos olhos ou que agiu como se os que estão ao nosso redor fossem viver pra sempre e pudéssemos deixar pra amanhã. Vivamos bem devagar e com entrega o que realmente importa e não fechemos tanto as portas.
]bw[

domingo, 14 de junho de 2015

Se mentes e Para fusos

Se mentes e Para fusos.

Remo contra as ondas,
Já não nado no seu nada.
Mergulho no escuro, partindo, submergindo...
Você gira em torno de si, você ilha.
Eu acidente geográfico.
Você iceberg
Eu, floco indigente no espaço, derreto ao sol,
Escorro rios, oceanos.
Você ri lá do alto do pescoço, fixo, perverso.
Eu, sem um plano, disperso.
Cedo, você dorme.
Tarde, eu desperto.
Você se veste de sonho.
Nasci pesadelo.
Te ofereço os morangos,
Você me desperdiça, despedaça. Esmolas.
Me divirto cambaleante, salto ofegante
Num velho colchão de molas.
Você, porão oculto. Eu me enfio no sótão e me atiro do telhado.
Amarfanho nas pedras e pontas. Eu deserto.
Não uso chaves, saio pelas janelas, pulo as cancelas.
Você bate a porta, encerra, emperra.
Arranquei paredes com os dentes,
Eu sangue, você suor.
Você cerveja gelada, a cabeça sobre os ombros.
Corta as asas, rasga a língua.
Eu vinho, aparo os cabelos úmidos da insone madrugada.
Você tem tantas certezas.
Eu nunca lembro de nada.


domingo, 7 de junho de 2015

Ficha Cadastral

Desde pequena faço um exercício que tem dado super certo no sentido de conseguir olhar as pessoas ao meu redor com confiança e ter essa facilidade que eu tenho e consegui ensinar pro meu filho, de abraçar as pessoas com todo o corpo, sentindo elas, e dizer eu te amo com todo o gosto ou me afastar porque é preciso.
Eu aprendi, nem sei com quem, a nunca, nunca mesmo, perguntar quando conheço as pessoas, coisas como de onde elas são, que idade elas tem, se se consideram negras ou brancas, se tem alguma religião, se foram à faculdade, quanto ganham, qual seu gênero.. Sabe todas essas coisas que as fichas de emprego e inscrições em concursos perguntam? Pois é, desdenho todas, embora veja que há uma regra nos relacionamentos que obriga a todos, "por segurança", a quererem saber estes itens a respeito de amigos, vizinhos, conhecidos, amores..
Me parece que assim, deste modo, sem ter curiosidade em saber se a pessoa tem 20 ou 40 anos, se ela é ateia, se é cristã, se é alemã, eu posso saber o que importa nela.
Minha curiosidade é mais por coisas como o tom da voz, os gestos, os tiques, a flor que mais gosta, cheiro - eu adoro cheirar as pessoas -, como se sente num dia de sol, se gosta de um bom banho de chuva, quais suas bandas prediletas, a comida, o que pensa das crianças que morrem de fome e dos homens que caçam animais.
Sinto que, ao saber antes de mais nada o que a pessoa sente e não o que aparenta ou representa me faz conhecê-la de fato e daí, talvez um dia, por acaso, eu descubra sua idade ou saiba que nasceu na mesma cidade que um cara famoso ou que, ela mesma, é famosa e que já visitou a Islândia. Só que daí eu já a conhecerei e todas estas representações superficiais que nos separam em castas, linhagens, turmas, tribos e gerações e teimamos em transformar em ficha de cadastro ao conhecer as pessoas, já não farão diferença nenhuma, porque eu saberei quem é aquela pessoa e daí, perdidamente apaixonada ou louca pra me afastar, entenderei que sabê-la católica ou velha ou rica, de fato, não faz qualquer diferença, pois esses não são valores reais.
Não creio que, antes de tudo o que podemos ser neste enorme planeta louco, precisemos forjar um mural onde ficarão expostos o diploma, o sobrenome do pai e o saldo da conta bancária. Não, acho que podemos ser muito mais leves e livres do que isto.
E assim, por ter esta mania de não querer saber quem você é por fora antes de alcançar o ritmo do oxigênio que entra e sai do teu pulmão, quando eu digo eu te amo ou esqueço que tu existe, isto sai como um suspiro, porque é bom falar e demonstrar os sentimentos por motivos absolutamente animais. O resto são bobagens que andam colocando na tua cabeça.

]bw[

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Claustra

Ando maloqueira.
Apraz-me a deselegância. Desconexões, cabelos desfeitos... Suor.
Saturam-me nossos beiços em bico e as biografias sagradas,
bem como me cansam os esnobes, as fontes fininhas descrevendo os sagrados, os ícones, pretensos.
Eu curto até o Skank e o Buchecha, já to quase ali de pular com a Ivete sem galo. Acho meio morno o minimalismo, por demais clin a postura tão clean. Azulejo do lavabo, corredor de hospital, língua no céu da boca.
Desprezo a necessidade de ser uma moça ABNT bem branca a prometer que sou desinfectada e que dissertei sobre a nata mais pura da filosofia onde pairam os nomes mais cheios de consoantes e que, agora, após longa caminhada bem amparada pelo berço intelectual, estou sóbria como sóbrias ficam todas as descentes quando passa a fase de rebeldia e você se reinventa, pura a navegar no vestido de seda marcando a cintura. Mas que falácia é essa?
Não posso com a hipótese de sair dizendo que fui até a Índia pra ser uma mulher melhor e agora medito e pratico o sexo tântrico, e sou chique, muiiito chique em minha simplicidade dócil performática que vai até o meu passaporte e passa pelo meu sapato incomum. Pois é necessário que eu seja incomum, um primor, o requinte. Lenta mente.
Não me apetece rezar que meu apartamento tem fotos assinadas do cara pálido que expôs na bienal de São Paulo e que bebi o chai com o moço daquela banda de camisa vintage que faz sucesso em Portugal e tem muitos fãs que estudaram francês, de chapéu em Ipanema e,ah, sim!, que fiz balé quando tinha cinco anos e, claro, todos exultavam meu dom para o piano e eu era do coral.
Não tenho paciência de comprar um vestido com sapatinho forrado para o casamento de uma parenta que vai sorrir ao me ver doce, finalmente dulce, castra, catra.
Eu quero os maloqueiros, eu rasguei o meu dinheiro, eu morri pra meio mundo,
eu quero a quentura da vida, viandas e bolinhos de chuva cheios de açúcar com muito café. Mas não podem ser grãos nobres, não podem ser os nobres. Eu só preciso de uns cobres pra ir até ali e pegar carona pra o sol. Ficar da cor do sol, abrir a boca e bocejar num barulho proibido, dançar aos sons barulhentos, macumbas e remelexos. E corpos de verdade.
Pouco se me dá, entende?
Pouco se me dá. Eu regozijo a vida real, quisera poder entender os índios, os meninos, os velhos fedorentos. Me agarro com os cachorros de rua e converso com eles. Já quase entendo o idioma das vacas e desejo muito morrer e renascer macaca que é, pra mim, uma sagrada evolução. Depois eu seria uma aranha, uma larva e, no final das vidas, nasceria uma abelha.

É que ando me alvoroçando com a verdade.
Porque, na verdade, ninguém é limpo, ninguém é sublime, ninguém é mais, ninguém é brilhante, ninguém é porra nenhuma.

]bw[

Caminhantes

Olha a lua! Círculo, elo...
Interminável fim.
Uma cobra morde o rabo.
Vê a estrada que caminha,
cego coração?
Gelo em forma fumegante,
escorrega tua mão distante.
Inclemente som do silêncio.
Sintonizo, apuro ouvidos e...
Não! Não é remanso, antes uma festa!
Nada meu entre os convivas,
a mudez era só pra mim.
Nem lua, nem sol.
Redomas angulares, agudas fugas.
Não era início e não há fim.

]bw[


O paranauê publicitário e a Tecnoinquisição

Dizia Goebbels - aquele que inventou o mega produto Hitler e iniciou a escola que gerou crias midiáticas que vão de xuxa a pastores evangélicos a perfumes em Cristo a casas no céu a big méque, deuses tecnológicos e políticos barbie ... - que "o ser humano quer acreditar".
Bingo!
Ninguém tem tempo a perder averiguando. A vida é curta pra saber que religião quer dizer religare = reler, religar, reunir (eu diria... quem sabe... repensar?)

Voz uníssona: - Nós só precisamos acreditar, ter fé!! Relaxa e goza. Aceita que dói menos. Cala a boca e passa a carteira!
Não iremos elaborar sobre talvez, só talvez, estarmos ridículos no papel da competição dos deuses. Assim como é idiota acreditar que faz algum sentido o prêmio dos melhores do ano.
Mas me diga: Qual o deus melhor, mais querido, com a barba maior, mais zangado, mais cheio de propriedades no reino dos céus? O meu ou o teu?

Tudo é produto.
E quando colocamos um produto no mercado, basta ir à mídia e prometer qualquer bobagem que anda na boca do povo, numa brincadeira de "me engana que eu gosto". Feito! Se dizem, tá dito.
Nós vendemos de tudo pra nós mesmos, toda a sorte de mentiras e, do outro lado, recebemos lacrimejando agradecidos e crentes.

É por isso que estamos sempre em círculos crendo de novo e de novo. E a nossa era, que está apenas começando - essa que a partir de hoje vou chamar de Inquisição Tecnológica -, é o tempo em que se queimam bruxas de novo, só que o acendedor é eletrônico e as fogueiras ecológicas.
Quem viver verá. A coisa ainda vai ficar muito pior. Porque nós queremos a-cre-di-tar e precisamos i-g-no-rar. Não perderemos tempo investigando pois a vida é curta.

Sobre o caso Boticário, os crentes acreditam que podem boicotar uma campanha que, quanto mais polêmica, mais grana vai gerar.
Pior ainda é que os caras visitam os comentários do vídeo do Boticário pra manifestar seu boicote em redes sociais da Google, que é uma empresa abertamente apoiadora das causas LGBT.
É que aquele que acredita demais, ignora demais porque relaxa demais no sinal que move o homem em suas descobertas e soluções:
o ponto de interrogação.

De verdade, defendo a campanha do Boticário mesmo entendendo que é mero paranauê publicitário. Porque é bonita, é bem desenhada e corajosa num momento em que desmistificar é preciso antes que as coisas fiquem ainda mais perigosas na tecnoinquisição onde pessoas morrem, são assassinadas simplesmente porque amam um outro alguém.

Porém, não deixarei que a empresa Boticário seja meu exemplo pra nada, porque já duvido da desigualdade. Não acredito na desigualdade, a abomino e desejo que todas as crianças a partir deste momento nasçam com o direito de serem iguais para viverem suas diferenças.
Não vou comprar nada pro meu namorado no Boticário pra ir contra o boicote. Primeiro porque tenho mais de um namorado, então o gasto ficaria grande demais e eu dou a desculpa de que considero esses dias especiais invencionice da sociedade de consumo.

E também, eu não vou comprar nada no Boticário porque, apesar de ser a favor da belíssima campanha eu, antes de mais nada, já boicoto o Boticário há tempos porque é uma empresa que patrocina eventos de moda onde desfilam caros modelos feitos por trabalhadores escravos e onde se vê modelos lindas usando roupas feitas a partir do sacrifício animal.

Assim, amores, só posso dizer que Google, Boticário e trololós só fazem o seu dever social, o tema de casa, o retorno ao público ao se manifestarem contra a homofobia, que é ilegal. E eu preferiria não colocar seus nomes em uma bandeira minha, porque não precisamos de paranauês publicitários pra sermos gente boa e nem devemos confiar em grandes corporações. Eu não acredito na sinceridade de qualquer coisa que se manifeste em uma produção publicitária. Se as eminências pardas da boticário aparecerem descabeladas num vídeo de celular manifestando-se contra a homofobia, daí sim, eu até confiaria na honestidade do conceito. O resto são coisinhas que a gente quer acreditar.

Gentilezas \o/

domingo, 31 de maio de 2015

Um olho que entra e sai

Vagar.
Vago, o tempo lento.
Algo se revira por dentro.
A pressa, prece. Enganos.
Exageros.
A cabeça num buraco. Avestruz.
Pés estanques.
Mão suada, boca seca.
Da garganta rouca
A frase louca
Uma formiga na ponta da língua.
Ferida, cócegas, ais.
Visgo.
Um olho que entra e sai.
]bw[