quinta-feira, 31 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
estamos numa boa pescando pessoas no mar
Para todos os que se interessam pelas atividades mochileiras do cine desconstrução, publico abaixo a íntegra da entrevista cedida à jornalista Simone Marques, do saite da Fundacine. Acho que é uma oportunidade de entender um pouco mais nossa rede.
A matéria editada: http://www.fundacine.org.br/home.php?vz=200&vp=1285
E a entrevista tbm postei na minha sala de imprensa e na sala do FLõ: www.flo.cinema.com.br
E ó: Que se eleja um presidente para cada brasileiro, ok?
Paz e Gentileza e Tamo Vivo !
--------------------------------------------------------------------------------

SM:Quando e como surgiu a oportunidade de realizar o Flõ em Barcelona?
O Flõ de Barcelona começou a acontecer quando o Edu Ioschpe,
que é uma das pessoas ativas do Cinema8ito e do FLõ se mudou pra lá pra estudar cinema.
Assim que chegou o Edu começou a organizar a nossa rede, fortalecendo contatos
com outros coletivos irmãos que atuam na Europa (Representa Corisco, entre outros). Com a presença física tudo ficou
muito mais fácil. O Edu chegou e já conseguiu
exibir nossos filmes em Barcelona várias vezes e em Paris uma vez.
Sempre muito dedicado e muito leal, desde a partida já garantia que
conseguiria levar o FLõ pra Espanha, tal qual fazemos pelo Brasil,
onde já é uma realidade o Cinema na Mochila (FLõ itinerante).
O Edu e eu, biAh, com ajuda dos demais integrantes do Cine8,
começamos testando o público de lá com pequenas mostras em bar e
participando de Festivais, como o Brasil Noar e o Visual Brasil.
Vimos que nossos filmes eram super bem recebidos e, portanto,
os filmes de outros coletivos exibidos no FLõ também agradariam o público.
Daí foi só uma questão de tempo pra conseguir o melhor espaço, datas boas, parceria e toda a produção
que faz parte de uma mostra.
Ficamos neste processo por cerca de 18 meses, conhecendo pessoas,
lugares, mostrando nossos filmes, nossos links, criando uma relação com a cidade
e as pessoas vanguardistas, de cinema e outras artes.
No dia do FLõ em Barcelona, tudo foi como sempre é com a gente, acontecem
coisas surreais que merecerão um livro um dia!
O trem quebrou na ida pra testar os filmes, foi um nervoso só...
Uns goianos estavam no ônibus e, casualmente o FLõ anterior tinha sido em Goiania...
Mas sempre geramos intercambios lindos, tudo dá certo no final, bom que vários brasileiros apareceram, assim como argentinos, catalãos... até um cara de Alegrete estava no flõ de barcelona. Muy lindo!
SM: Em média, quantos filmes são exibidos e em que formato?
Cada mostra que fizemos lá teve um formato, sempre aprendendo...
Mas no dia do FLõ foram 14 filmes, destaques ou premiados do FLõ 2007.
Alguns trabalhos que estão no circuito no Brasil nós não pudemos levar porque
não tinham ainda legendagem e uns poucos atrasaram devido à greve nos correios.
Mas deu pra fazer tudo dar certo e tivemos êxito nesta primeira versão.
Como eu disse, antes exibimos somente nossos próprios filmes, agora
era uma responsabilidade muito maior porque havia uma expectativa por parte
de colegas realizadores que acreditam no Festival do Livre Olhar e nunca deixam
de enviar seus filmes tanto pra competitivas bienais, quanto pras mochilagens.
Queremos crescer com cuidado, acreditamos que ano que vem poderemos,
no mínimo, dobrar o número de filmes, porque o público compareceu,
os parceiros gostaram do conceito, do nosso modo de apresentar a mostra,
de subverter o formato dos festivais convencionais. É tudo muito quente,
até as camisetas dos organizadores são pintadas à mão, uma a uma, são pequenas telas vivas.
Os cartazes são colagens... Enfim, o público sentiu a energia, a alma do FLõ.
SM: Alguma verba para a realização [captação, patrocínio]?
Olha, o circuito do FLõ acontece por pura coragem.
A cada lugar é um apoiador diferente, tudo depende do parceiro (coletivo livre)
que esteja viabilizando.
No caso de Barcelona, não tínhamos ainda um coletivo conosco.
Éramos sómente o Cinema8ito e o Punt Multimédia (espaço que nos abriu as portas pra exibição).
O Punt deu material gráfico, infra-estrutura e divulgação
e isto já é um grande começo. Afinal, o FLõ de Porto Alegre começou
assim também.
Mas é importante dizer que nunca esquecemos os apoiadores,
então o André Arieta dirigiu um VT, na verdade um curtinha de minuto
rodado nas ruas de Porto Alegre, que define super bem o festival
e ao mesmo tempo divulga as logomarcas de todos os apoiadores.
Este curtinha abre todas as motras do circuito, inclusive
o FLõ de Barcelona. Agora o Punt Multimédia entrará no filminho.
É uma marca da nossa 'rede', juntar quem apóia e levar pelo mundo, na mochila.
SM: O festival em Barça é realizado em qual periodicidade?
O Edu pretende fazer anualmente, mas
faremos uma discussão mais aprofundada,
pensaremos bem em tudo o que alcançamos no circuito independente
da Europa nestes quase dois anos.
Certo é que ano que vem teremos FLõ de verão em Barcelona novamente,
mas de minha parte, estou querendo me aprofundar neste nosso rítmo
de exibirmos junto a outros coletivos e fazermos nossas próprias mostras
mais vezes por ano.
A coisa está se desenhando, temos possibilidades se abrindo, como já acontece no Brasil,
agora é olharmos pra frente e criarmos novas alternativas.
SM: Há chances de estender o Flõ ao restante da Europa? qual tua expectativa para o futuro do Flõ?
Na verdade, acho que estaremos fazendo muito brevemente um FLõzinho no Japão, para a comunidade brasileira,
um panorama bem bacana. Acredito muito nesta possibilidade e não é de hoje que temos debatido
internamente e com um contato muito revolucionário que temos lá e que já abriu um certo caminho,
pois já conseguiu até uma boa matéria sobre o Cinema8ito e tem feito por lá cineclubismo muito parecido
com o nosso, voltado pra manifestações mais sanguíneas, mais livres, menos interessadas em poder e palavras de ordem.
Mas, sobre a Europa, estamos namorando com Portugal desde o segundo FLõ competitivo, que foi em 2005,
mas é normal que as coisas vão demorando porque somos de pensar muito bem,
e existem barreiras de verba, agenda, apoios, muita coisa a estudar, conceito...
Mesmo assim, tenho convicção de que será o próximo lugar fora do Brasil onde o FLõ
poderá levar sua mochila de filmes livres.
No Brasil também as coisas vão se fortalecendo passo-a-passo. Algumas cidades
nós já visitamos mais de uma vez, outras conseguimos fechar finalmente circuito neste ano pela primeira vez.
Aliás, 2008 está sendo fantástico, conseguimos chegar a Goiania, por exemplo, um lugar que namorávamos
já há tempos.
O fato de algumas entidades ou até alguns veículos da imprensa de cinema ainda resistirem, dificulta um pouco,
mas motiva, vamos conquistando credibilidade aos poucos e isto é mais legal
do que se fôssemos os queridinhos da vez.
Vemos gente que lê nossos releases e finge que não existimos, enfrentamos alguns momentos surrealistas
de festivais que acham que somos algum tipo de concorrência. Mas nós somos tri ripongas e temos
nosso jeito de levar as coisas. Somos de paz e gentileza \o/
A cada dia, percebemos que importantes formadores de opinião vão enviando e-mails legais,
vamos percebendo que já fazemos a diferença e que nosso circuito é, de fato, uma revolução, não só pela forma 'desorganizada'
ou pela coragem de trabalharmos sem nenhuma conexão com poder político, mas porque o que nos interessa
é apenas discutir e exibir filmes livres.
E é esta a nossa expectativa para o futuro do FLõ,
vencer as barreiras sem mágoas ou ranços, brindar a cada novo degrau,
abraçar as dezenas de coletivos que ajudamos a fundar ou que nos ajudaram
a existir como uma parte muito importante do terrorismo audiovisual no mundo.
Não queremos mudar nosso jeito, que é acreditar no novo, nuvem, vento,
subversão. Não faremos parte do circuito mais purpurinado, não é nossa perspectiva.
Somando as mochilagens do Cine8 e os anos de FLõ, já estamos na estrada
a cerca de 8 anos, exibimos mais de mil filmes, fizemos tanta coisa que tem
dias que nos olhamos e achamos que fazem 80 anos, porque mesmo antes
disto já fazíamos mostras cineclubistas non sense desde 1996.
Ou seja, estamos cuidando de cada dia, melhorando o que precisa,
superando as adversidades, nos unindo a pessoas que pretendem as mesmas coisas.
Temos descoberto gente parecida em todos os lugares.
A única real perspectiva é fortalecer a rede, o elo que temos com todos os subversivos :)
A matéria editada: http://www.fundacine.org.br/home.php?vz=200&vp=1285
E a entrevista tbm postei na minha sala de imprensa e na sala do FLõ: www.flo.cinema.com.br
E ó: Que se eleja um presidente para cada brasileiro, ok?
Paz e Gentileza e Tamo Vivo !
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SM:Quando e como surgiu a oportunidade de realizar o Flõ em Barcelona?
O Flõ de Barcelona começou a acontecer quando o Edu Ioschpe,
que é uma das pessoas ativas do Cinema8ito e do FLõ se mudou pra lá pra estudar cinema.
Assim que chegou o Edu começou a organizar a nossa rede, fortalecendo contatos
com outros coletivos irmãos que atuam na Europa (Representa Corisco, entre outros). Com a presença física tudo ficou
muito mais fácil. O Edu chegou e já conseguiu
exibir nossos filmes em Barcelona várias vezes e em Paris uma vez.
Sempre muito dedicado e muito leal, desde a partida já garantia que
conseguiria levar o FLõ pra Espanha, tal qual fazemos pelo Brasil,
onde já é uma realidade o Cinema na Mochila (FLõ itinerante).
O Edu e eu, biAh, com ajuda dos demais integrantes do Cine8,
começamos testando o público de lá com pequenas mostras em bar e
participando de Festivais, como o Brasil Noar e o Visual Brasil.
Vimos que nossos filmes eram super bem recebidos e, portanto,
os filmes de outros coletivos exibidos no FLõ também agradariam o público.
Daí foi só uma questão de tempo pra conseguir o melhor espaço, datas boas, parceria e toda a produção
que faz parte de uma mostra.
Ficamos neste processo por cerca de 18 meses, conhecendo pessoas,
lugares, mostrando nossos filmes, nossos links, criando uma relação com a cidade
e as pessoas vanguardistas, de cinema e outras artes.
No dia do FLõ em Barcelona, tudo foi como sempre é com a gente, acontecem
coisas surreais que merecerão um livro um dia!
O trem quebrou na ida pra testar os filmes, foi um nervoso só...
Uns goianos estavam no ônibus e, casualmente o FLõ anterior tinha sido em Goiania...
Mas sempre geramos intercambios lindos, tudo dá certo no final, bom que vários brasileiros apareceram, assim como argentinos, catalãos... até um cara de Alegrete estava no flõ de barcelona. Muy lindo!
SM: Em média, quantos filmes são exibidos e em que formato?
Cada mostra que fizemos lá teve um formato, sempre aprendendo...
Mas no dia do FLõ foram 14 filmes, destaques ou premiados do FLõ 2007.
Alguns trabalhos que estão no circuito no Brasil nós não pudemos levar porque
não tinham ainda legendagem e uns poucos atrasaram devido à greve nos correios.
Mas deu pra fazer tudo dar certo e tivemos êxito nesta primeira versão.
Como eu disse, antes exibimos somente nossos próprios filmes, agora
era uma responsabilidade muito maior porque havia uma expectativa por parte
de colegas realizadores que acreditam no Festival do Livre Olhar e nunca deixam
de enviar seus filmes tanto pra competitivas bienais, quanto pras mochilagens.
Queremos crescer com cuidado, acreditamos que ano que vem poderemos,
no mínimo, dobrar o número de filmes, porque o público compareceu,
os parceiros gostaram do conceito, do nosso modo de apresentar a mostra,
de subverter o formato dos festivais convencionais. É tudo muito quente,
até as camisetas dos organizadores são pintadas à mão, uma a uma, são pequenas telas vivas.
Os cartazes são colagens... Enfim, o público sentiu a energia, a alma do FLõ.
SM: Alguma verba para a realização [captação, patrocínio]?
Olha, o circuito do FLõ acontece por pura coragem.
A cada lugar é um apoiador diferente, tudo depende do parceiro (coletivo livre)
que esteja viabilizando.
No caso de Barcelona, não tínhamos ainda um coletivo conosco.
Éramos sómente o Cinema8ito e o Punt Multimédia (espaço que nos abriu as portas pra exibição).
O Punt deu material gráfico, infra-estrutura e divulgação
e isto já é um grande começo. Afinal, o FLõ de Porto Alegre começou
assim também.
Mas é importante dizer que nunca esquecemos os apoiadores,
então o André Arieta dirigiu um VT, na verdade um curtinha de minuto
rodado nas ruas de Porto Alegre, que define super bem o festival
e ao mesmo tempo divulga as logomarcas de todos os apoiadores.
Este curtinha abre todas as motras do circuito, inclusive
o FLõ de Barcelona. Agora o Punt Multimédia entrará no filminho.
É uma marca da nossa 'rede', juntar quem apóia e levar pelo mundo, na mochila.
SM: O festival em Barça é realizado em qual periodicidade?
O Edu pretende fazer anualmente, mas
faremos uma discussão mais aprofundada,
pensaremos bem em tudo o que alcançamos no circuito independente
da Europa nestes quase dois anos.
Certo é que ano que vem teremos FLõ de verão em Barcelona novamente,
mas de minha parte, estou querendo me aprofundar neste nosso rítmo
de exibirmos junto a outros coletivos e fazermos nossas próprias mostras
mais vezes por ano.
A coisa está se desenhando, temos possibilidades se abrindo, como já acontece no Brasil,
agora é olharmos pra frente e criarmos novas alternativas.
SM: Há chances de estender o Flõ ao restante da Europa? qual tua expectativa para o futuro do Flõ?
Na verdade, acho que estaremos fazendo muito brevemente um FLõzinho no Japão, para a comunidade brasileira,
um panorama bem bacana. Acredito muito nesta possibilidade e não é de hoje que temos debatido
internamente e com um contato muito revolucionário que temos lá e que já abriu um certo caminho,
pois já conseguiu até uma boa matéria sobre o Cinema8ito e tem feito por lá cineclubismo muito parecido
com o nosso, voltado pra manifestações mais sanguíneas, mais livres, menos interessadas em poder e palavras de ordem.
Mas, sobre a Europa, estamos namorando com Portugal desde o segundo FLõ competitivo, que foi em 2005,
mas é normal que as coisas vão demorando porque somos de pensar muito bem,
e existem barreiras de verba, agenda, apoios, muita coisa a estudar, conceito...
Mesmo assim, tenho convicção de que será o próximo lugar fora do Brasil onde o FLõ
poderá levar sua mochila de filmes livres.
No Brasil também as coisas vão se fortalecendo passo-a-passo. Algumas cidades
nós já visitamos mais de uma vez, outras conseguimos fechar finalmente circuito neste ano pela primeira vez.
Aliás, 2008 está sendo fantástico, conseguimos chegar a Goiania, por exemplo, um lugar que namorávamos
já há tempos.
O fato de algumas entidades ou até alguns veículos da imprensa de cinema ainda resistirem, dificulta um pouco,
mas motiva, vamos conquistando credibilidade aos poucos e isto é mais legal
do que se fôssemos os queridinhos da vez.
Vemos gente que lê nossos releases e finge que não existimos, enfrentamos alguns momentos surrealistas
de festivais que acham que somos algum tipo de concorrência. Mas nós somos tri ripongas e temos
nosso jeito de levar as coisas. Somos de paz e gentileza \o/
A cada dia, percebemos que importantes formadores de opinião vão enviando e-mails legais,
vamos percebendo que já fazemos a diferença e que nosso circuito é, de fato, uma revolução, não só pela forma 'desorganizada'
ou pela coragem de trabalharmos sem nenhuma conexão com poder político, mas porque o que nos interessa
é apenas discutir e exibir filmes livres.
E é esta a nossa expectativa para o futuro do FLõ,
vencer as barreiras sem mágoas ou ranços, brindar a cada novo degrau,
abraçar as dezenas de coletivos que ajudamos a fundar ou que nos ajudaram
a existir como uma parte muito importante do terrorismo audiovisual no mundo.
Não queremos mudar nosso jeito, que é acreditar no novo, nuvem, vento,
subversão. Não faremos parte do circuito mais purpurinado, não é nossa perspectiva.
Somando as mochilagens do Cine8 e os anos de FLõ, já estamos na estrada
a cerca de 8 anos, exibimos mais de mil filmes, fizemos tanta coisa que tem
dias que nos olhamos e achamos que fazem 80 anos, porque mesmo antes
disto já fazíamos mostras cineclubistas non sense desde 1996.
Ou seja, estamos cuidando de cada dia, melhorando o que precisa,
superando as adversidades, nos unindo a pessoas que pretendem as mesmas coisas.
Temos descoberto gente parecida em todos os lugares.
A única real perspectiva é fortalecer a rede, o elo que temos com todos os subversivos :)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
em qualquer rua de qualquer cidade :)
carta do Edu :)
__________________________
Compañeros y compañeras...
Bom, depois de uns dias na cama de uma infecção que peguei
após FLõ a la fresca, finalmente escrevo....ufa.
Estou muito contente de haber estado no Flõ a la Fresca..

Cerca de 150 pessoas entre criancas, idosos, vagabundos,
alguns brasileiros, catalanes, argentinos e muitos outros
companheiros estiveram por lá..
Foi uma experiência única e espero que sigamos por
aqui e que aquela noite seja apenas um pequeno passo para muitos
que virão, agradecer a todos que mandaram os filmes..

Foi muito bom compartilhar com o Punt Multimèdia, grande parceiro
de muitas por venir, espero que o ano que vem o correio nao
falhe e cheguem mais filmes, tendremos mais tempo de exibição
também, esse ano foi um teste...e parece que bem sucedido.

Os companheiros que ja estavam acostumados com a nossa
paranóia do bem, ficaram impressionados...contentes..

Bonito ver o povo aqui escutando o hino nacional tao
bem tocado por nosso conterrâneo Yamandu Costa....
A Camiseta customizada do FLõ estava no corpo :D

O povo se impressionou quando contei que o 'Vídeo Terrorismo'
recebeu prêmio no FLO...foi quando expliquei que no FLO
o que vale sao as idéias e nao os modelos fechados...Que havia
ganho o prêmio ATREVIMENTO....escutei.....AHH...UHH..
O povo entendeu e aplaudiu...
APLAUDO A TODOS QUE PARTICIPARAM E QUE COMPARTILHARAM
DE ALGUMA MANEIRA AQUELA NOITE...
UN ABRAZO
EDU IOSCHPE - www.flo.cinema.com.br
__________________________
Compañeros y compañeras...
Bom, depois de uns dias na cama de uma infecção que peguei
após FLõ a la fresca, finalmente escrevo....ufa.
Estou muito contente de haber estado no Flõ a la Fresca..

Cerca de 150 pessoas entre criancas, idosos, vagabundos,
alguns brasileiros, catalanes, argentinos e muitos outros
companheiros estiveram por lá..
Foi uma experiência única e espero que sigamos por
aqui e que aquela noite seja apenas um pequeno passo para muitos
que virão, agradecer a todos que mandaram os filmes..

Foi muito bom compartilhar com o Punt Multimèdia, grande parceiro
de muitas por venir, espero que o ano que vem o correio nao
falhe e cheguem mais filmes, tendremos mais tempo de exibição
também, esse ano foi um teste...e parece que bem sucedido.

Os companheiros que ja estavam acostumados com a nossa
paranóia do bem, ficaram impressionados...contentes..

Bonito ver o povo aqui escutando o hino nacional tao
bem tocado por nosso conterrâneo Yamandu Costa....
A Camiseta customizada do FLõ estava no corpo :D

O povo se impressionou quando contei que o 'Vídeo Terrorismo'
recebeu prêmio no FLO...foi quando expliquei que no FLO
o que vale sao as idéias e nao os modelos fechados...Que havia
ganho o prêmio ATREVIMENTO....escutei.....AHH...UHH..
O povo entendeu e aplaudiu...
APLAUDO A TODOS QUE PARTICIPARAM E QUE COMPARTILHARAM
DE ALGUMA MANEIRA AQUELA NOITE...
UN ABRAZO
EDU IOSCHPE - www.flo.cinema.com.br
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flõ barcelona
domingo, 20 de julho de 2008
dando A Curva
Destaco 'A Curva', curta de Salomão Santana (CE),
que brilhou no FLõ de Barcelona nesta semana !!
Já são 257 curtas experimentais acessados diariamente via cine.CLUBE.8ito \o/
O 'cineclube virtual' é um programinha de curtas
experimentais com 101 realizadores associados virtualmente :)
É canal livre e desorganizado que brevemente terá uma salinha mais particular pra nossos filmes terem mais e mais destaque.
Pra juntar teu filme, basta uploadear no grupo e esperar a aprovação,
porque exibir em coletivo é massa \o/
A idéia deu super certo, alguns filmes saem do virtual e vem pra mochila, outros eram da mochila e pararam ali...
http://br.youtube.com/group/cineCLUBE8ito
Us 8itos! www.flo.cinema.com.br
O fórum livre de 1142 assinantes? http://www.grupos.com.br/grupos/cine8
Paz & Gentileza \o/
biAh weRTHer
_______________________________________________________________
que brilhou no FLõ de Barcelona nesta semana !!
Já são 257 curtas experimentais acessados diariamente via cine.CLUBE.8ito \o/
O 'cineclube virtual' é um programinha de curtas
experimentais com 101 realizadores associados virtualmente :)
É canal livre e desorganizado que brevemente terá uma salinha mais particular pra nossos filmes terem mais e mais destaque.
Pra juntar teu filme, basta uploadear no grupo e esperar a aprovação,
porque exibir em coletivo é massa \o/
A idéia deu super certo, alguns filmes saem do virtual e vem pra mochila, outros eram da mochila e pararam ali...
http://br.youtube.com/group/cineCLUBE8ito
Us 8itos! www.flo.cinema.com.br
O fórum livre de 1142 assinantes? http://www.grupos.com.br/grupos/cine8
Paz & Gentileza \o/
biAh weRTHer
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cinema8ito
sexta-feira, 18 de julho de 2008
desliguei o sol !
Que dia tão noite este dia ... pois que ontem eu apaguei meu sol !!
E será que já não tinha feito isto antes?
Afinal, à distancia, a gente vê as estrelas mesmo depois
de milênios, quando já estão meras cinzas.
Fiquei o dia (que parecia noite) todinho tentando falar sozinha mas as palavras
fugiram. Ahã! descobri que até eu posso ficar sem elas. Reza a lenda, que minha
família me tem um certo asco porque tenho muitas, palavras.
Mas acho que não, sabe... acho que é desculpa, porque
já tinham este olhar quando eu era pequena, e na época eu só emitia os sons por dentro da cabeça, mesmo quando estava deitada lá nos galhos dos umbus contando maranduvás ou atirada na terra fofa dos jardins imensos, tipo morta, que eu na época nem sabia que flor era coisa de morto e lá eram tantas.
Eu só gostava de sentir os perfumes. Meu nome era silêncio e os esconderijos tinham sons de cigarras, de ratinhos,
filhotes de passarinho, marimbondos, aquela esquisita modulação dos tons na troca das páginas dos livros que lia, o barulho de água, o crepitar do fogo nas folhas secas depois da varreção do quintal em finais de tarde quente, os porcos desesperados lá no matadouro no início dos sábados frios, os sussuros dos meus pais escondendo ninhos de páscoa, a rádio Caiçara que a empregada ouvia de manhã ...
Meus mesmo? Só os sons dos pensamentos que me vinham ...
Voltando ao meu dia, tive certeza de que é possível ficarmos com uma sensação tão grande de vazio que a cabeça fica só ar. Cabeça de vento mesmo, pode dizer!
Não me vinham respostas e nem sei se eu tinha perguntas exatas ou claras.
Fiquei solta no ar neste dia-noite e fui fazendo as coisas, meio lentamente, de um jeito estanque. Até que, já de noite (noite), descobri que não tinha sentido fome nem sede. Fui tentar resolver. Encontrei um resto de champanhe na geladeira, de antes de ontem, que foi uma noite-noite quando eu tinha que brindar o momento mais feliz da minha vida. Dia de sol aquele.
Mas agora é outra noite, foi já durante o dia.
Peguei o tal resto de champanhe e saboreei solenemente, meio como beber o corpo em enterros do sertão. Porque tinha pouco, voltei à cozinha
e, rá, no meio da bandeijinha verde portuguesa (óbvio), estava a garrafa, menos de meia, do vinho Periquita. Sim! Eu realmente
estava exultante há duas noites. Parecia que tinha chegado o paraíso todo, de mala e cuia, entrando aqui sem cerimônia. Ao mesmo tempo eu tive tudo naquele dia, ganhei um ano inteiro, o sol, um lugar perfeito, aspirações, inspirações, as nuvens, as mais doces lembranças, estrelas na varanda, os pés nus na grama e a lua.
Uau! Ti méti!
Pela primeira vez, nem me importava com minhas felicidades de cinema e, egoísta, nem lembrei tanto quanto deveria dos meus perfeitos amigos 8itos e Flõs.
Que bom que deixei os restos de vinhos, pois daí, hoje, motivos opostos de brinde... tive o que tomar!
Estive catatônica!
Tentei fuçar no lastfm de uns amigos pra ver se me lembrava
de algo raro pra ouvir e comentar. Nada... Tentei editar alguma coisa minha e postar,
pra ser eu mesma, mas eus mesmas não têm cabeça de vento, né!
Recorri até ao twitter, ver se alguém tinha alguma dica curiosa, uma novidade engraçada, uma frase feita ridícula, uma opinião nojenta, qualquer coisa que me desapertasse o peito momentaneamente nem que de revolta. Não tinha nada que me chocasse mais que eu mesma!!
Claro, pra o Dedé eu liguei, animada e carinhosa. Tá, e filmes assisti pois curadoria era a única coisa útil a fazer nesta escuridão. Era, sobretudo, algo pra me tirar do formigamento...
No entanto, não acendi as minhas velas lindas pela casa, não passei cremes no corpo,
não conversei com as minhas gatinhas, esqueci de combinar o encontro de garotas artistas e lindas na noite de sábado,
deixei minha mãe mandar seus sinais de desprezo pelo telefone, sem achar que isto é o pior de todos os meus problemas ...
Poxa, que dia! Quem desliga o próprio sol, se sentiria como, afinal?
Se alguém já desligou o seu, me diga: o que vem depois?
E será que já não tinha feito isto antes?
Afinal, à distancia, a gente vê as estrelas mesmo depois
de milênios, quando já estão meras cinzas.
Fiquei o dia (que parecia noite) todinho tentando falar sozinha mas as palavras
fugiram. Ahã! descobri que até eu posso ficar sem elas. Reza a lenda, que minha
família me tem um certo asco porque tenho muitas, palavras.
Mas acho que não, sabe... acho que é desculpa, porque
já tinham este olhar quando eu era pequena, e na época eu só emitia os sons por dentro da cabeça, mesmo quando estava deitada lá nos galhos dos umbus contando maranduvás ou atirada na terra fofa dos jardins imensos, tipo morta, que eu na época nem sabia que flor era coisa de morto e lá eram tantas.
Eu só gostava de sentir os perfumes. Meu nome era silêncio e os esconderijos tinham sons de cigarras, de ratinhos,
filhotes de passarinho, marimbondos, aquela esquisita modulação dos tons na troca das páginas dos livros que lia, o barulho de água, o crepitar do fogo nas folhas secas depois da varreção do quintal em finais de tarde quente, os porcos desesperados lá no matadouro no início dos sábados frios, os sussuros dos meus pais escondendo ninhos de páscoa, a rádio Caiçara que a empregada ouvia de manhã ...
Meus mesmo? Só os sons dos pensamentos que me vinham ...
Voltando ao meu dia, tive certeza de que é possível ficarmos com uma sensação tão grande de vazio que a cabeça fica só ar. Cabeça de vento mesmo, pode dizer!
Não me vinham respostas e nem sei se eu tinha perguntas exatas ou claras.
Fiquei solta no ar neste dia-noite e fui fazendo as coisas, meio lentamente, de um jeito estanque. Até que, já de noite (noite), descobri que não tinha sentido fome nem sede. Fui tentar resolver. Encontrei um resto de champanhe na geladeira, de antes de ontem, que foi uma noite-noite quando eu tinha que brindar o momento mais feliz da minha vida. Dia de sol aquele.
Mas agora é outra noite, foi já durante o dia.
Peguei o tal resto de champanhe e saboreei solenemente, meio como beber o corpo em enterros do sertão. Porque tinha pouco, voltei à cozinha
e, rá, no meio da bandeijinha verde portuguesa (óbvio), estava a garrafa, menos de meia, do vinho Periquita. Sim! Eu realmente
estava exultante há duas noites. Parecia que tinha chegado o paraíso todo, de mala e cuia, entrando aqui sem cerimônia. Ao mesmo tempo eu tive tudo naquele dia, ganhei um ano inteiro, o sol, um lugar perfeito, aspirações, inspirações, as nuvens, as mais doces lembranças, estrelas na varanda, os pés nus na grama e a lua.
Uau! Ti méti!
Pela primeira vez, nem me importava com minhas felicidades de cinema e, egoísta, nem lembrei tanto quanto deveria dos meus perfeitos amigos 8itos e Flõs.
Que bom que deixei os restos de vinhos, pois daí, hoje, motivos opostos de brinde... tive o que tomar!
Estive catatônica!
Tentei fuçar no lastfm de uns amigos pra ver se me lembrava
de algo raro pra ouvir e comentar. Nada... Tentei editar alguma coisa minha e postar,
pra ser eu mesma, mas eus mesmas não têm cabeça de vento, né!
Recorri até ao twitter, ver se alguém tinha alguma dica curiosa, uma novidade engraçada, uma frase feita ridícula, uma opinião nojenta, qualquer coisa que me desapertasse o peito momentaneamente nem que de revolta. Não tinha nada que me chocasse mais que eu mesma!!
Claro, pra o Dedé eu liguei, animada e carinhosa. Tá, e filmes assisti pois curadoria era a única coisa útil a fazer nesta escuridão. Era, sobretudo, algo pra me tirar do formigamento...
No entanto, não acendi as minhas velas lindas pela casa, não passei cremes no corpo,
não conversei com as minhas gatinhas, esqueci de combinar o encontro de garotas artistas e lindas na noite de sábado,
deixei minha mãe mandar seus sinais de desprezo pelo telefone, sem achar que isto é o pior de todos os meus problemas ...
Poxa, que dia! Quem desliga o próprio sol, se sentiria como, afinal?
Se alguém já desligou o seu, me diga: o que vem depois?
quarta-feira, 16 de julho de 2008
UM DIA FORA DO TEMPO
Cine.Sangre.Gaúcho.
Há algumas horas comecei a pensar sobre se algum dia farei O filme da minha
vida. Ando editando vários experimentos ao mesmo tempo, filmes ou não,
e todos me parecem o mais importante de tudo enquanto desenho...
eu circulo entre tantos recomeços.
O dia fora do tempo está chegando!
Ano passado o meu dia fora do tempo foi no Rio
e foi excitante. Produzimos o !LOCa! livre olhar carioca numa
noite de vento em que exibimos em tela translúcida. Ai o vento...
tri Ana Terra! Gestações!
Me recordo das sensações daquele dia, de cada um de nós,
dos meus dias antes daquele. Foi o período que mudou a minha vida, o gosto dos meus próprios lábios no espelho e vários cheiros e vozes. Talvez o meu grande recomeço,
mas a mostra nem tinha a ver tanto com isto, estava ali como uma diversão del cine mochileiro, e foi açúcar.
Dia fora do tempo de 2007, 25 de julho,
o !LOCa! tinha tema, era CORPO, ou algo assim.
O vento meio quente nos cabelos em uma
esquina no centro do Rio. Tudo mudando, olhos.
Agora estão curtos, os cabelos, não os olhos!!
Mostramos filmes 8itistas do Brasil e da Espanha,
filmes do Representa Corisco, do Mitavaí Filmes,
Filmes do Cerrado... O nosso 'Fim' não passou bem
mas o vento e as pessoas, as surpresas.
Pausa... maias, culturas dizimadas... faz refletir muito nesta noite
em que faltam menos de 24 horas pra o FLõ de Barcelona e estes dias foram cansativo devido aos derradeiros preparativos. O Edu vai gravar e fotografar, o mestre Gusma vai cuidar do bar. Verão catalão. Esses meninos floristas são lindos demais e eu sinto muito orgulho de nós e minha vida é tão linda e complicada.
No Brasil é inverno seco e quente. Por vários motivos cinematográficos, meu 25 de julho será gaúcho, então começamos a programar por internet uma mostra
coletiva de 3 cineclubes gaúchos numa cidade que fica no sopé da serra...
Somos todos coletivos diferentes, como devemos ser, mas parecidos porque somos livres e tem quentura entre nós, uma necessidade que não quer ser explicada.
Coube a mim enviar, hoje mesmo, uma proposta de formato,
mas calmaí que estou livre, nuvem, coisa de gente do flõ!
Estive na tal cidade do sopé da serra só uma vez na vida,
tinha uns 12 anos, passeio de família. Este des-reconhecimento é sempre
muito inspirador pra uma mochilera.
Casualmente, pensando nisto de sul e sudeste e norte e mundo e céus,
assisti num sábado de manhã super fria,
uma entrevista de um profissional de marketing - mais pareceu uma auto-crítica -
a respeito do modelo social meio antiquado e posudo de nós, gaúchos.
Ele fazia uma analogia muito curiosa. Dizia que pra fazer uma leitura da nossa sociedade conservadora no RS bastaria olharmos o infinito e observarmos as silhuetas lentas das cabeças de gado, sumindo e reaparecendo nas planícies,
ao crepúsculo, voltando sempre (essa parte ocaso eu imaginei),
cabisbaixas em seu movimento sem crítica e sem desvio, a câmera leeenta, ordeiras cabeças, silenciosas ao longe, as cabeças do gado, em câmera leeenta, sob olhar garboso do proprietário das terras (esta última também fui eu que visualizei).
Ando pensando...
Faz tempo que somos artistas e invencionistas, nem lembramos quanto, séculos? Milêniossss.
Ah, pra quem assiste ou mesmo exibe os filmes da Globo e de Oscar,
eu já explico: Não! Não somos artistas de novela, dos gestuais estudados!! Não! Nem
somos daqueles artistas que aprendem modelos nos cursinhos de passo a passo... Por favor...
Desculpa explicar, mas é que se você diz que é artista
já perguntam de qual canal de tv. E se e diz que é cineasta já perguntam detalhes de tapete vermelho... E isto não é o que nos dá a motivação do querer.
Tu sabe, falo do artista louco, o poeta, sentido puro, antiquado, insuportável,
apaixonado e bipolar, auto-exilado das divisões do ouro, porque louco é burro! Que doce esta minha burrice! Tem gosto de beijos com vinho e o prazer do erro.
Ainda existe, e como!, este artista. Acho que com a internet tem muito agora.
Este artista FORA DO TEMPO
SEM UM PEDACINHO DO ESPAÇO ÓBVIO,
SEM TELA, MEIO LOWTECH PORQUE AMANTE DO FOGO.
Mas muito pleno do oculto dia fora do tempo.
Um artista pra quem sobram as sobras e os maiores êxtases.
Estes artistas dos quais se espera a coragem de dizer o que ficou proibido, de fazer xixi na decoração pastel, soluçar ou gargalhar na hora mais errada!
Ovelhas malditas, seja no século dezoito, seja no século 22.
Repetitivos como é repetitiva nossa sociedade e como são repetitivas as ladainhas
e os filósofos e os adivinhadores e os comerciais de cosméticos.
Em cada província do planeta sobra pra nós essa armadilha de trazer a questão
e cair em desgraça. Mas nos resignamos e entramos na jaula. Circo.
Não acho que estejamos conseguindo muito. Ou estamos?
Sei lá! O que sei desde os 15 anos é que temos uma
comunicação transcedental com nossos pares do passado e do futuro e de outros mundos. Algo como um inconsciente coletivo que nos leva adiante,
passando a história real por baixo da mesa do bar enquanto eles passam
a grana por baixo da mesa de reunião.
A história real do homem - e até de muitas revoluções - não está nos livros oficiais,
mas sim na subjetividade do que levamos nas sacolas em formatos que as tecnologias
de cada época vão ditando pra que se complementem
num mosaico sanguíneo.
No Rio Grande do Sul, temos uma coisa que nem acho particular
já que circulo bastante com minha mochila e vejo que é até comum.
É que os artistas da minha geração... talvez de todas...
fazem de tudo um pouco. Multimídia, diziam nos anos 90 quando eu já fazia
quadrinhos, música, cinema, literatura, instalações... insanos nós!
Agora não sei como estão chamando os 'faz-tudo'.
Na escola eu dizia: 'um lance meio renascentista'. heeheheh
Começamos muito cedo a sentir esse incômodo, é como uma menstruação.
Daí a gente vai pela vida abrindo caminhos, estudamos um pouco de tudo, devoramos livros cheios de letras,
quadrinhos, vinis, mp3, mofos, vhs, rascunhos, dimensões absurdas e, claro,
alguns de nós, da nossa geração, acabaram por juntar tudo isto numa arte que precisa deste todo, a de fazer cinema.
No Rio Grande do Sul,
como todos os lugares, a relação com seus artistas livres é torturante.
Olham pra gente como se fossemos dizer algo proibido, mesmo que estejamos quietos em nosso canto num dia muiiito cristão (até meu pai, véio comunista, tem seus vários momentos).
E nestas falácias da política, quando estamos jovens, alguns se colocam atrás da gente porque somos bois de piranha e não medimos conseqüências. Mais tarde vamos ficando mais comtemplativos, alguns se auto-exilam outros seguem falando demais.
Seja como for, a sociedade dos tapetes nos teme como se estivéssemos bêbados mesmo que estejamos na fase mais sóbria.
Desconfiam, como se fossemos dar um BUUUU em seus velhinhos a qualquer momento, pelo simples prazer de subverter, incomodar, manchar a tranqüilidade da vila pacífica (não pacifista).
De fato, nós somos, seremos ou fomos incomodativos, cansativos, verborrágicos. Disto nenhum de nós escapará. In-su-por-tá-ve-is nós. E alguns nos dizem na cara, o que é bom porque é raro. Assisti a um documentário sobre Porto Alegre, onde alguns antigos nomes das artes falam da cidade no início do século vinte, teatro vazio, as pessoas arrumadas, nas janelas e praças fazendo fofoca.
Eu tenho amigos de todas as artes porque elas se misturam, como eu já disse,
nessa nossa cena 'underground' do faz-tudo.
Muitos ainda vão fundo, misantropia, confronto, dedo na ferida, ironia, estes papos antigos que se repetem por dezenas de séculos e em algumas castas incomoda mais que em outras. Tudo depende do momento político.
O Ionesco teria dito, sobre a história do homem, algo que, pra mim, seguirá acontecendo até o final dos tempos... Ao menos foi creditado a ele. Mas seja quem for que tenha dito, o que importa é o fato real. As exclusões, as negociatas, a vaidade e a perfumaria serão sempre o que moverá os livros oficiais de história recheada de causos, falsos heróis,
a desenhar mitos, marcando a uns com a dor e a outros com moedas. Tudo depende da política. Ou seja, a verdadeira história não está nos livros de história.
Pra isto é que nós artistas que não somos artistas de filme pra tv (por favor!!)
existimos no absurdo, na desconstrução, no mau comportamento,
na inquietude do underground, das artes nuas, nas revoluções, os artistas da rua, as redes livres, esse aperto no peito, o vento e, no nosso caso cinemista, o terrorismo audiovisual :)
Voltando aos pampas gaúchos, as coisas aqui são como no mundo todo.
Ou seja, o poder, a tradição, as fronteiras, a propriedade, a marca a ferro, o poder constituído e a purpurina, o preço, como em todo o Brasil e no planeta afora, é o que vai dizer como será contado cada pedacinho da história (odeio quando usam o vocábulo estória porque eu sempre gostei das mudanças, acentos que caem, palavras que morrem. Morte é bom... dia fora do tempo).
E aqui, no Rio Grande do Sul, diferente de lugares mais cosmopolitas que tenho visto, o conservadorismo é considerado de muito mais valor que a vanguarda. Aqui as pessoas tapam os ouvidos e os olhos, passam batom e enchem a boca repetindo frases feitas sobre o valor do 'tradicionalismo', uma palavra que confundem, talvez, com artesanato... Não sei. Não sei o que seria tradicionalismo... Talvez quisessem falar de folclore?
Mas veja que as mulheres precisaram esconder os vestidos de chita e forjar outros, de seda, pra aparecerem nos livros onde a cultura real ninguém viu. Parece que todos foram muito brancos e trabalhavam no campo sorrindo com lindos dentes em roupas de domingo. Ai bota aqui o seu pezinho? Alguém que usa bota de garrão tem mesmo um pezinho?
A ingenuidade ainda se mistura com o cheiro de naftalina dos casacos, as peles brancas nos salões proibidos, os deslumbres, o acreditar que somos europeus.
Hummm, melhores!, por assim dizer.
Não é nada de novo pensarmos nisto tudo, nem nada de novo cair em desgraça e virar fantasma pelo simples fato de cogitar tudo isto...
Mas é que se aproxima o dia 25 de julho, que é o dia fora no tempo
no calendário maia e é inverno, e tenho tido tantas felicidades e
tantas esperanças e sinto tudo tão perigoso e tão palpável, tão longe, tão perto.
Paz y Gentileza \o/
biAh weRTHer
Há algumas horas comecei a pensar sobre se algum dia farei O filme da minha
vida. Ando editando vários experimentos ao mesmo tempo, filmes ou não,
e todos me parecem o mais importante de tudo enquanto desenho...
eu circulo entre tantos recomeços.
O dia fora do tempo está chegando!
Ano passado o meu dia fora do tempo foi no Rio
e foi excitante. Produzimos o !LOCa! livre olhar carioca numa
noite de vento em que exibimos em tela translúcida. Ai o vento...
tri Ana Terra! Gestações!
Me recordo das sensações daquele dia, de cada um de nós,
dos meus dias antes daquele. Foi o período que mudou a minha vida, o gosto dos meus próprios lábios no espelho e vários cheiros e vozes. Talvez o meu grande recomeço,
mas a mostra nem tinha a ver tanto com isto, estava ali como uma diversão del cine mochileiro, e foi açúcar.
Dia fora do tempo de 2007, 25 de julho,
o !LOCa! tinha tema, era CORPO, ou algo assim.
O vento meio quente nos cabelos em uma
esquina no centro do Rio. Tudo mudando, olhos.
Agora estão curtos, os cabelos, não os olhos!!
Mostramos filmes 8itistas do Brasil e da Espanha,
filmes do Representa Corisco, do Mitavaí Filmes,
Filmes do Cerrado... O nosso 'Fim' não passou bem
mas o vento e as pessoas, as surpresas.
Pausa... maias, culturas dizimadas... faz refletir muito nesta noite
em que faltam menos de 24 horas pra o FLõ de Barcelona e estes dias foram cansativo devido aos derradeiros preparativos. O Edu vai gravar e fotografar, o mestre Gusma vai cuidar do bar. Verão catalão. Esses meninos floristas são lindos demais e eu sinto muito orgulho de nós e minha vida é tão linda e complicada.
No Brasil é inverno seco e quente. Por vários motivos cinematográficos, meu 25 de julho será gaúcho, então começamos a programar por internet uma mostra
coletiva de 3 cineclubes gaúchos numa cidade que fica no sopé da serra...
Somos todos coletivos diferentes, como devemos ser, mas parecidos porque somos livres e tem quentura entre nós, uma necessidade que não quer ser explicada.
Coube a mim enviar, hoje mesmo, uma proposta de formato,
mas calmaí que estou livre, nuvem, coisa de gente do flõ!
Estive na tal cidade do sopé da serra só uma vez na vida,
tinha uns 12 anos, passeio de família. Este des-reconhecimento é sempre
muito inspirador pra uma mochilera.
Casualmente, pensando nisto de sul e sudeste e norte e mundo e céus,
assisti num sábado de manhã super fria,
uma entrevista de um profissional de marketing - mais pareceu uma auto-crítica -
a respeito do modelo social meio antiquado e posudo de nós, gaúchos.
Ele fazia uma analogia muito curiosa. Dizia que pra fazer uma leitura da nossa sociedade conservadora no RS bastaria olharmos o infinito e observarmos as silhuetas lentas das cabeças de gado, sumindo e reaparecendo nas planícies,
ao crepúsculo, voltando sempre (essa parte ocaso eu imaginei),
cabisbaixas em seu movimento sem crítica e sem desvio, a câmera leeenta, ordeiras cabeças, silenciosas ao longe, as cabeças do gado, em câmera leeenta, sob olhar garboso do proprietário das terras (esta última também fui eu que visualizei).
Ando pensando...
Faz tempo que somos artistas e invencionistas, nem lembramos quanto, séculos? Milêniossss.
Ah, pra quem assiste ou mesmo exibe os filmes da Globo e de Oscar,
eu já explico: Não! Não somos artistas de novela, dos gestuais estudados!! Não! Nem
somos daqueles artistas que aprendem modelos nos cursinhos de passo a passo... Por favor...
Desculpa explicar, mas é que se você diz que é artista
já perguntam de qual canal de tv. E se e diz que é cineasta já perguntam detalhes de tapete vermelho... E isto não é o que nos dá a motivação do querer.
Tu sabe, falo do artista louco, o poeta, sentido puro, antiquado, insuportável,
apaixonado e bipolar, auto-exilado das divisões do ouro, porque louco é burro! Que doce esta minha burrice! Tem gosto de beijos com vinho e o prazer do erro.
Ainda existe, e como!, este artista. Acho que com a internet tem muito agora.
Este artista FORA DO TEMPO
SEM UM PEDACINHO DO ESPAÇO ÓBVIO,
SEM TELA, MEIO LOWTECH PORQUE AMANTE DO FOGO.
Mas muito pleno do oculto dia fora do tempo.
Um artista pra quem sobram as sobras e os maiores êxtases.
Estes artistas dos quais se espera a coragem de dizer o que ficou proibido, de fazer xixi na decoração pastel, soluçar ou gargalhar na hora mais errada!
Ovelhas malditas, seja no século dezoito, seja no século 22.
Repetitivos como é repetitiva nossa sociedade e como são repetitivas as ladainhas
e os filósofos e os adivinhadores e os comerciais de cosméticos.
Em cada província do planeta sobra pra nós essa armadilha de trazer a questão
e cair em desgraça. Mas nos resignamos e entramos na jaula. Circo.
Não acho que estejamos conseguindo muito. Ou estamos?
Sei lá! O que sei desde os 15 anos é que temos uma
comunicação transcedental com nossos pares do passado e do futuro e de outros mundos. Algo como um inconsciente coletivo que nos leva adiante,
passando a história real por baixo da mesa do bar enquanto eles passam
a grana por baixo da mesa de reunião.
A história real do homem - e até de muitas revoluções - não está nos livros oficiais,
mas sim na subjetividade do que levamos nas sacolas em formatos que as tecnologias
de cada época vão ditando pra que se complementem
num mosaico sanguíneo.
No Rio Grande do Sul, temos uma coisa que nem acho particular
já que circulo bastante com minha mochila e vejo que é até comum.
É que os artistas da minha geração... talvez de todas...
fazem de tudo um pouco. Multimídia, diziam nos anos 90 quando eu já fazia
quadrinhos, música, cinema, literatura, instalações... insanos nós!
Agora não sei como estão chamando os 'faz-tudo'.
Na escola eu dizia: 'um lance meio renascentista'. heeheheh
Começamos muito cedo a sentir esse incômodo, é como uma menstruação.
Daí a gente vai pela vida abrindo caminhos, estudamos um pouco de tudo, devoramos livros cheios de letras,
quadrinhos, vinis, mp3, mofos, vhs, rascunhos, dimensões absurdas e, claro,
alguns de nós, da nossa geração, acabaram por juntar tudo isto numa arte que precisa deste todo, a de fazer cinema.
No Rio Grande do Sul,
como todos os lugares, a relação com seus artistas livres é torturante.
Olham pra gente como se fossemos dizer algo proibido, mesmo que estejamos quietos em nosso canto num dia muiiito cristão (até meu pai, véio comunista, tem seus vários momentos).
E nestas falácias da política, quando estamos jovens, alguns se colocam atrás da gente porque somos bois de piranha e não medimos conseqüências. Mais tarde vamos ficando mais comtemplativos, alguns se auto-exilam outros seguem falando demais.
Seja como for, a sociedade dos tapetes nos teme como se estivéssemos bêbados mesmo que estejamos na fase mais sóbria.
Desconfiam, como se fossemos dar um BUUUU em seus velhinhos a qualquer momento, pelo simples prazer de subverter, incomodar, manchar a tranqüilidade da vila pacífica (não pacifista).
De fato, nós somos, seremos ou fomos incomodativos, cansativos, verborrágicos. Disto nenhum de nós escapará. In-su-por-tá-ve-is nós. E alguns nos dizem na cara, o que é bom porque é raro. Assisti a um documentário sobre Porto Alegre, onde alguns antigos nomes das artes falam da cidade no início do século vinte, teatro vazio, as pessoas arrumadas, nas janelas e praças fazendo fofoca.
Eu tenho amigos de todas as artes porque elas se misturam, como eu já disse,
nessa nossa cena 'underground' do faz-tudo.
Muitos ainda vão fundo, misantropia, confronto, dedo na ferida, ironia, estes papos antigos que se repetem por dezenas de séculos e em algumas castas incomoda mais que em outras. Tudo depende do momento político.
O Ionesco teria dito, sobre a história do homem, algo que, pra mim, seguirá acontecendo até o final dos tempos... Ao menos foi creditado a ele. Mas seja quem for que tenha dito, o que importa é o fato real. As exclusões, as negociatas, a vaidade e a perfumaria serão sempre o que moverá os livros oficiais de história recheada de causos, falsos heróis,
a desenhar mitos, marcando a uns com a dor e a outros com moedas. Tudo depende da política. Ou seja, a verdadeira história não está nos livros de história.
Pra isto é que nós artistas que não somos artistas de filme pra tv (por favor!!)
existimos no absurdo, na desconstrução, no mau comportamento,
na inquietude do underground, das artes nuas, nas revoluções, os artistas da rua, as redes livres, esse aperto no peito, o vento e, no nosso caso cinemista, o terrorismo audiovisual :)
Voltando aos pampas gaúchos, as coisas aqui são como no mundo todo.
Ou seja, o poder, a tradição, as fronteiras, a propriedade, a marca a ferro, o poder constituído e a purpurina, o preço, como em todo o Brasil e no planeta afora, é o que vai dizer como será contado cada pedacinho da história (odeio quando usam o vocábulo estória porque eu sempre gostei das mudanças, acentos que caem, palavras que morrem. Morte é bom... dia fora do tempo).
E aqui, no Rio Grande do Sul, diferente de lugares mais cosmopolitas que tenho visto, o conservadorismo é considerado de muito mais valor que a vanguarda. Aqui as pessoas tapam os ouvidos e os olhos, passam batom e enchem a boca repetindo frases feitas sobre o valor do 'tradicionalismo', uma palavra que confundem, talvez, com artesanato... Não sei. Não sei o que seria tradicionalismo... Talvez quisessem falar de folclore?
Mas veja que as mulheres precisaram esconder os vestidos de chita e forjar outros, de seda, pra aparecerem nos livros onde a cultura real ninguém viu. Parece que todos foram muito brancos e trabalhavam no campo sorrindo com lindos dentes em roupas de domingo. Ai bota aqui o seu pezinho? Alguém que usa bota de garrão tem mesmo um pezinho?
A ingenuidade ainda se mistura com o cheiro de naftalina dos casacos, as peles brancas nos salões proibidos, os deslumbres, o acreditar que somos europeus.
Hummm, melhores!, por assim dizer.
Não é nada de novo pensarmos nisto tudo, nem nada de novo cair em desgraça e virar fantasma pelo simples fato de cogitar tudo isto...
Mas é que se aproxima o dia 25 de julho, que é o dia fora no tempo
no calendário maia e é inverno, e tenho tido tantas felicidades e
tantas esperanças e sinto tudo tão perigoso e tão palpável, tão longe, tão perto.
Paz y Gentileza \o/
biAh weRTHer
domingo, 13 de julho de 2008
FLõ invade o verão da Espanha
Amigos que se alegram a cada vitória dos livres artistas \o/
Mostro abaixo um feliz fly de divulgação da etapa Espanha do nosso FLõ :)
Não sei se é mais emocionante exibirmos mais uma vez nossos próprios filmes no velho mundo ,
se é podermos contar com curtas de realizadores GENIAIS de todo o Brasil numa noite de verão barcelona,
ou se é vermos nossa rede desorganizada cada vez mais fortalecida e feliz.
Será um pequeno panorama de algumas horinhas de FLõ - que,
dentro do Brasil, já se espalhou feito uma peste. Que consigamos no futuro vários dias de FLõ naquela ciudad, como fazemos em cidades do Brasil ! Arte e subversão !! Tamo vivo!!
Espalhem pra seus amigos cineclubistas de Barna, levem uma mochilagem pra
suas cidades, vejam o e-fly e encontrem mais detalhes no nosso sítio: www.flo.cinema.com.br
Paz e Gentileza \o/
biAh weRTHer - www.biahwerther.blogspot.com
blog de una artista llivre
Mostro abaixo um feliz fly de divulgação da etapa Espanha do nosso FLõ :)
Não sei se é mais emocionante exibirmos mais uma vez nossos próprios filmes no velho mundo ,
se é podermos contar com curtas de realizadores GENIAIS de todo o Brasil numa noite de verão barcelona,
ou se é vermos nossa rede desorganizada cada vez mais fortalecida e feliz.
Será um pequeno panorama de algumas horinhas de FLõ - que,
dentro do Brasil, já se espalhou feito uma peste. Que consigamos no futuro vários dias de FLõ naquela ciudad, como fazemos em cidades do Brasil ! Arte e subversão !! Tamo vivo!!
Espalhem pra seus amigos cineclubistas de Barna, levem uma mochilagem pra
suas cidades, vejam o e-fly e encontrem mais detalhes no nosso sítio: www.flo.cinema.com.br
Paz e Gentileza \o/
biAh weRTHer - www.biahwerther.blogspot.com
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
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