sexta-feira, 10 de março de 2017

A minha parte mais bonita.

As mudanças que se operaram em mim, para melhor, vem do meu feminismo. Esta verve, esta coisinha, essência que estava aqui desde que eu era um mero grão e que tentaram sepultar desde cedo, então só se mostrava quando me sufocavam pela décima vez, quando me oprimiam de novo, quando me abusavam novamente. O feminismo em mim só vinha em forma de raiva, de ira, de revolta, de urro, de não aguentar mais, tornando-se uma parte difícil, um lado meu do qual me peguei tento vergonha muitas vezes porque ele era rude e o usavam contra mim, me apontando, me excluindo, me julgando.
Porém, num certo dia quando acordei, notei que ele estava livre, solto no meu peito, na garganta, pelo quarto. E era parte real, fluído, natural, belo, intrínseco.
Um dia - ou aos poucos - não vi mais sentido em envergonhar-me do meu estado crítico diante do meu eu covarde e da cultura que me rodeia.
Meu feminismo já não precisava ficar oculto até não poder mais.
Meu feminismo, num certo momento veio todo, floresceu em mim e não havia mais como separá-lo de qualquer das minhas células, poros, neurônios... Descobriu a senha, me tomou toda e ficou plácido, me trouxe respostas.
Nunca fui tão bonita porque meu feminismo é a melhor parte de mim; nunca fui tão completa, nunca tão honesta, tão tranquila e tão segura... Nunca fui tão feliz antes de entender que feminismo é o meu feminino liberto dos modelos, meu eu sem máscaras, minhas vontades respeitadas e minha coragem aumentada.
Se eu gritar é porque preciso, se eu sorrir é de verdade, se eu trepar é porque quero, se eu chorar é porque sou humana, se me revoltar é porque penso, se sou perfeita é porque sou imperfeita, se estou linda é porque sou única, se digo não é porque não. 
biAhweRTher

quinta-feira, 9 de março de 2017

Dando a luz.

Hoje estávamos iniciando a pré-produção das montagens do eixo de Artes Visuais do FLõ festival do livre olhar, lá na La Photo Galeria e numa certa hora uma chuva gigante veio lavando tudo e trazendo a noite. 
Algo começou a mudar dentro de mim naquele momento. Vi minha equipe se empoderando, sentindo-se dona do festival. Fiquei pequena, observando. Meu nervosismo de pré festival foi dando lugar a uma sensção de segurança e paz. Vi as pessoas que eu apresentei umas as outras convivendo, trocando ideias e se tornando amigas, tomando pra si decisões, enriquecendo o nosso mundo.
Percebi que chegou o momento em que o festival se liberta um pouco do meu útero criativo, intelectual, conceitual.
Senti que ele começa a tomar forma não só a partir dos meus sentidos, leituras, interpretações.
O Bom Fim estava às escuras, andei nas ruas e, pela primeira vez em meses, tive uma necessidade de perder o controle do que acontece, descansar algumas horas da liderança.
Comprei um malbec e só penso em ficar sozinha ou com alguém que não esteja sabendo nada sobre o festival.
Vejo pessoas que não conheço divulgando e comentando os eventos. Assisto os artistas (são cerca de 100 obras/projetos no programa), mais de 300 envolvidos direta e indiretamente em cada exposição, espetáculo, sessão de filmes...
Observo-os partilhando orgulhosos suas participações, alguns sem mesmo saber que há uma pessoa chamada biAhweRTher que inventou esta casa cheia de janelas.
É que não importa quem foi, importa quem seremos.
Nunca desisto do que eu quero, sou workaholic e idealista no nível máximo. O envolvimento das pessoas é diretamente proporcional à minha paixão, mesmo que eu, em algum momento, já não tenha a mínima importância.
O festival é como nossos filmes, nossas músicas, nossos escritos e invenções. Há o momento em que não temos mais domínio algum sobre elas.
Ainda assim, apesar de isto ter crescido e não ser mais só um projeto meu no silêncio do meu lar estúdio, eu consigo entender onde eu queria chegar e sinto orgulho de mim, por unir tantas pessoas, por fazer o quase impossível num país que odeia artistas independentes.
É como estar sentada sobre essas nuvens cinzas, sentindo o ar mais fresco e gostando de si mesma.
Sem falsa modéstia, não sei porque eu faço tudo isto, mas sei porque aprendi a gostar de mim.
Que a semana do dia 21 a 26 de março de 2017 seja o melhor que pudermos fazer, ser e subverter.
Um beijo

biAhweRTher

quarta-feira, 8 de março de 2017

O PECADO INFINITO.

É sobre levar o mundo nas costas desde que nos conhecemos por gente, sejamos anarquistas, subversivas, carolas ou niilistas; libertárias, covardes, amordaçadas no porão, de baton, tensas, intensas, vazias recatadas do lar. O elo é uma ferida.
É sobre o fardo e um grito. 
E é sobre essa emoção que está envolvendo boa parte de nós no mundo inteiro no dia de hoje. 
Cada uma é um pequeno mundo gerador de vidas e de mortes - normalmente a própria.
Apenas mais uma, me sinto uma formiguinha, me sinto um dragão, uma leoa, uma ET, uma moça que usa o manto da invisibilidade... Só sei que estou com borboletas no estômago, na garganta está meu coração.
E sendo prática, preciso, devo parar algumas horas para participar da mobilização mundial de hoje. Como dizemos no cinema8ito... 8... i n f i n i t o, 8ito é par, 8ito é coletivo.
Se eu não for encontrar minhas iguais hoje, se eu não sair às ruas, minha culpa será imensa.
Se eu for, a produção do FLõ festival do livre olhar vai parar por algumas horas e minha Culpa também será imensa.
C U L P A. A chave que manipula as minas e nos torna, HOJE, manas. Culpa, o segredo criado pelas instituições para controlar nossos passos. Seja ateia, seja carola, seja puta, seja virgem, seja velha, seja nova, há sempre um espectro apontando um delito inexistente, eficiente.
Precisamos discutir, superar,
desconstruir a culpa.
A propósito de pecado, esta foto foi censurada várias vezes pelo facebook. Fiquei de "castigo" por publicá-la inteira então, aqui, a cortei. Certa vez, um rapaz, ao vê-la, me disse que sentia nojo e avisou que estava "denunciando". A expressão denunciada, censurada, era só minha pele nua suja de vermelho. Infração.
Um beijo e força para todas as manas neste dia de LUTA! Que todos os dias sejam assim. Que não exista competição entre nós, só o olhar e a voz de cada uma, diferente, única, a complementar os milhões de outros olhos e vozes. #NenhumaaMenos
biAhweRTher
Clandestina
Biah Werther II


terça-feira, 7 de março de 2017

Pelos Pelos

Existe cultura, cultura, cultura e cultura. Umas para nosso sim, outras para o não.
Quando eu tinha uns 13 anos comecei a depilar partes do meu corpo por uma imposição. Cegamente comecei a fazer algo que nunca tinha feito parte dos meus pensamentos a respeito do meu corpo porque algumas amigas começaram a me cobrar isto e alguns meninos riam de meninas com pelos no corpo.
A primeira vez fiz escondida de minha mãe, usando um aparelho de barba do meu pai. Cortei minha perna embaixo do chuveiro e saiu muito sangue. Me senti num rito de passagem sozinha naquele banheiro de azulejos azul calcinha.
Foi ruim passar a fazer parte de tal cultura, espécie de obrigação.
É tão fora dos meus valores, tão irrelevante me depilar para me sentir mais mulher ou mais bela, que nunca fui num desses lugares onde as mulheres se torturam com ceras quentes. Só conheço pelos filmes e acho meio ridículo.
Hoje, infantilizar o corpo da mulher tirando todos os pelos, em determinados nichos, é uma obrigação, uma lei. Claro que não faço parte disto, mas me depilo como quem carrega um fardo. Pra ter menos trabalho e porque me machuco  s e m p r e  com lâminas, compro uns cremes caros que facilitam mas pesam no orçamento, então eu sou daquelas que podem passar por você de biquini na praia toda linda com os pelinhos das pernas bem faceiros e se você não curtir dou muita risada e penso:
Você tá revoltadinha porque ainda não me viu no inverno, por debaixo de mil casacos!!
Depilação não é higiene. Higiene é banho. Depilação é uma bobagem cultural pra agradar caras machistas e uma sociedade patética que quer todas as mulheres fingindo que tem doze anos para excitar senhores pedófilos.
Um beijo.
biAhweRTher

domingo, 5 de março de 2017

Fastfood de carne humana.

Desconfio de quem consegue sorrir, dormir, entrar num fastfood, neste domingo, 
sentir-se em casa dentro do ambiente frio de cores estudadas e mensagens subliminares.
Não confio em alguém que consegue viver normalmente após o assassinato do menino João,
que teve seu frágil corpo espancado até a morte por seguranças do fastfood Habib's. 
Ele foi jogado na calçada a espera dos corvos da nossa cultura: Nós.
O apelo que todxs devemos fazer não é o da hashtag do dia para amenizar nossa responsabilidade.
O apelo é para nossa própria consciência, ao som dos gases de nossas entranhas.
O apelo é diante do espelho, é sobre empatia.
Sinta vergonha se você é um pai que pensa que só importa na sua sociedade aquilo que acontece "da porta pra dentro", pois sua ignorância o impede de entender que somos um corpo só.
Envergonhe-se se você é uma mãe que ensina competição e arrogância pois dignidade, amor e respeito são direitos de todos, não apenas dos seus filhos.
Não se iluda, não se entenda imune, não se julgue imaculado.
Cada um de nós matou João e matamos a cada minuto dos nossos dias boçais todos os outros meninos e meninas sem lar, viciados, sem pais, sem país, com seus olhos que são o espelho do qual fugimos idiotizados, ruminando, rosnando, correndo dessas crianças como se os monstros fossem eles e não nós.
Todas as crianças são de todos os pais, responsabilidade de todos. Assim está escrito nas leis mais básicas de todas as sociedades desde que o mundo é mundo. Você não sabe porque está ocupado fazendo compras e chutando crianças de rua.
Se você não sabe nada sobre isto, está na hora de entender antes que seus muros não sejam suficientemente altos para segurar a culpa lá fora. Sinta medo de você mesmo, tome um banho na vergonha e mude antes que o seu bunker seja invadido por você próprio, pelo lado seu que está lá fora, espelhando o seu escárnio. Todo o ódio que se revelará contra a injustiça e virá contra você, emanou do seu egoísmo. Não haverão muros suficientes. Você não é vítima, você é cumplice.
#BoicoteHabibs
biAhweRTher

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Mãe Artista

Sempre fui a mãe menina, amiga, companheira, baixista, parceira de pular na cama até quebrar as molas do colchão tri caro e ficar um sábado todo assistindo maratona da Hora de Aventura. 
Nunca mandei nada, tudo decidido democraticamente. Não creio em organismos verticais.
Quando ele estava na barriga eu era o auge do grunge. Minha banda até nem tanto, mas eu sim. A MTV era massa naquela época. Jimmi Hendrix e Nirvana nas madrugas. Eu tocava violão e tinha certeza que a acústica devia ser ótima dentro da barriga.
Até os 3 anos eu o amamentei e andávamos pelados pela casa. Lá pelos 6 anos, achei que não era mais legal ele me ver pelada e comecei a mudar um pouco esse comportamento. E seguimos felizes, especialmente quando íamos para o mar.
Mas os colegas não o compreendiam muito bem. Nesta mesma fase, ele estava em seu quarto com amiguinhos e, emocionado, quis mostrar uma música nova que conhecera: Geni e o Zeppelin, do Chico. Quando terminou de cantar junto, todo emocionado, encontrou os amigos meio chocados sem entender sua língua. Ele tentou explicar a letra, não funcionou muito bem.
Mas ele não desistia, dias depois levou um amigo pra escutar Joquin, do Vitor Ramil. 
Um dia, estávamos dando carona pra um coleguinha e ele comentou animado que adorava o Jean Wyllys, que era um BBB naquele ano. O coleguinha ficou entre chocado e debochado e disse: - Que nojo, ele é gay!
Olhei pelo retrovisor e o sorriso do meu filho foi se desfazendo, parecia envergonhado.
Pela primeira vez na vida fiz a mãe:
- Também adoro o Jean Wyllys.
Meu filho parecia mais seguro quando me escutou e voltou ao assunto animado.
O menino insistiu:
- Mas ele é gay.
Silêncio. Encostei o carro. Olhei pra o banco de trás e falei para o meu filho.
- Filhinho, você pode gostar de qualquer pessoa que seu coração mandar. Debochar de alguém por ele ser gay é preconceito, e preconceito contra gays além de feio é contra as leis do nosso país.
Pode confiar em mim, é bonito gostar de quem a gente quiser e horrível se preocupar em saber se o outro é gay ou hetero.
Fomos levar o outro pirralho em casa. Meu filho se sentiu muito bem, notei que estava agradecido, mas não entramos de novo no assunto. A mãe do outro menino nunca mais me cumprimentou e achei muito bom, pois usava marcas de roupas feitas por mão de obra escrava, logo não tínhamos mesmo nada em comum. 
Lá pelos 15, a psicóloga me chama assustada pois a vó lhe contou que o guri andava lendo a biografia do Kurt Cobain e escrevendo músicas tétricas. Fomos eu e o pai dele. Eu ri e disse que ele escutara isso desde o meu ventre, que estavam fazendo tempestade em copo d'água. 
Escutei por todos esses anos, de parentes, amigas e psicólogos que meu filho deseja, um dia, ver em mim a mãe. Aquela que invade, que manda colocar o casaquinho, que não o traumatiza viajando a trabalho por dois meses como fiz tantas vezes, que não chora copiosamente porque ele foi pros steitis num compromisso com a escola. 
Acho que até ele mesmo, muitas vezes gostaria de me ver no papel da mãe de tutorial, da mãe normal. E sei que por vezes queria que eu não perguntasse mas desse ordens, fosse entrando sem pedir licença, reclamasse da bagunça e tivesse uns pitis lamentando "dei minha vida, abandonei meus sonhos por você, mimimi!".
Não digo que é fácil não querer ser a mãe santa, a mãe voz de mãe, a mãe assexuada, aquela que vive batendo no peito e querendo morar num relicário. Não digo que não tenho mil dúvidas e as eternas culpas. 
Mas nunca, nunca mesmo acreditei nessa bobagem de que "mãe não é amiga". Que frase horrorosa de se dizer. Se eu pensasse que ,como mãe, meu papel não é o de amiga, eu teria vergonha de mim. Serei o quê? Inimiga, dona de pensão, generala, madre superiora, fiscal?
Um beijo
biAhweRTher

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Texto feminino sobre gestão para o sábado de manhã.

Os rapazes andam sem paciência nas relações de trabalho. (ou sempre foram truculentos?). Pavio curto, invasivos, sem o foco na humanização imprescindível e, com raras exceções, um vício de se relacionar com mulheres num tom professoral-patriarcal-"protetor"-além da medida do respeito. Não estou generalizando, claro. Estou falando de uma maioria que anda precisando estudar sobre o princípio das organizações, onde o começo é todo o tempo.
Mas como esperar que os homens compreendam preliminares nas suas experiências profissionais quando a desconhecem como um todo?
Por exemplo, nesta semana, eu que trabalho numa rede de esmagadora maioria feminina, só senti desconforto, desgosto, um gosto ruim, uma falta de tato, tom invasivo ou desconfiança de que posso não saber o que estou fazendo, em situações que envolviam homens. Foram cerca de 4 momentos de desrespeito, descrédito, desqualificação ou de me acharem inferior mesmo.
Na gestão de um processo, projeto, equipe... seja qual o modelo que você adota, não importa o seu modus operandi, o tamanho do seu plano, há uma delicada membrana que só os bons detectam, sejam preparados, tenham estudado administração ou não.
Falo da contextualização, da forma, dos métodos pensados para seus relacionamentos externos e internos.
Não se pode desconsiderar todas as fases e ter pressa.
"Objetivar" pode ser perigoso se você não percebe que no começo de toda e qualquer organização, antes do foco, antes dos cronogramas, antes dos organogramas, você primeiramente pensa a ideia, estuda abordagens, elabora e aprimora a sua interlocução.
A gente não vai chegando e pré-conceituando o que pensamos dos parceiros, prestadores de serviço, estagiários, apoiadores, colegas e, principalmente de nós mesmos.
Há um momento sublime, solene em cada começo de relacionamento que para muitos é perda de tempo.
Você tem, sim, que parar, esquecer os hormônios, dar uma meditada e estudar quem é o outro.
Relacionar-se no trabalho é uma dança e você tateia e precisa ter
s e n s i b i l i d a d e.
Há em grande parte das mulheres profissionalizadas - e falo isso por experimentar a vivência de fato e não por adivinhação - essa necessidade, inerente a todx o indivídux responsável, de conhecer o outro a partir do seu próprio olhar para saber como se reportar a ele. Não importa o que dizem, o que falam, o que parece. Importa o que é naquela situação
e s p e c í f i c a.
Os rapazes andam irritados. As mulheres andam, faz tempo, dirigindo os trabalhos, conduzindo as equipes com mais sabedoria. Eles perdem tempo precioso tendo pressa e achando tolice essa percepção que vem antes dos orçamentos, das metas e das assinaturas. Por que você só deve assinar quando linhas e entrelinhas estão absolutamente absorvidas e sem espinhos.


Uma mulher não precisa provar todos os dias que é capaz de fazer aquilo que ela já assumiu. Se foi escolhida, fez um concurso, passou por um teste ou empreendeu já provou e basta, bola pra frente. Não cabe a cada homem que chega, não cabe a quem vem propor uma parceria ou pedir um apoio, ao cara da van, ao colega, ao assistente de produção te sabatinarem, perguntarem se tu já fizeste isso ou como vai decidir aquilo antes de fazerem suas próprias tarefas ou te passarem um simples orçamento.
Não cabe a cada pessoa que porta um pênis invadir os planos íntimos da tua produção e te perguntarem qual tua cota pra tal projeto ou se ofenderem quando você avisa que não está precisando da ajuda deles além daquela que você solicitou ou para qual quer contratá-los.
Sim, queridos, "as meninas" sabem muito bem o que estão fazendo e onde querem chegar. E sim, amores, "as meninas" tem, como em qualquer ambiente profissional, informações sigilosas que não irão dividir com qualquer um que queira "dar uma força" que não foi solicitada.
Pensem nas relações de trabalho com mulheres, rapazes. Pensem muito nisto e nos falamos daqui uns 20 anos
Um beijo.
biAhweRTher

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Violência Obstétrica e os Comícios nos Sepultamentos

Sigo não compreendendo onde está o problema de o enterro de Dona Marisa Letícia Lula da Silva ter se configurado um ato político!
Também não entendo o que se passa com parte da classe médica brasileira, esquecida do seu compromisso.
Na verdade há anos eu não entendo nada sobre certos médicos.
Quando meu filho nasceu, meu médico estava de férias. Aconteceram tantos erros médicos que eu fiquei em coma e precisei de duas transfusões de sangue e meu pequeno corpo que, com 9 meses de gravidez tinha apenas 56 quilos, se transformou num pano de chão dos médicos. 
Meu filho era o bebê mais quietinho do berçário e eu sempre pensei que era porque ele estava preocupado comigo. 
Depois de tudo erraram de novo, ministrando uma droga da qual sou alérgica. Eu queria morrer, eu queria matar, eu chorava de dor em todos os ossos e músculos, eu queria viver e queria um milagre. Minha família foi até a direção do hospital, o médico que quase me matou sumiu da nossa vista e nem uma repreensão levou, a médica que deu início à sequência de erros nunca mais vimos no hospital. 
Eu era um trapo, minha mãe chorava, meu pai sofria, meu marido tinha apenas 22 anos e tentava ser adulto e ficava do meu lado enquanto eu não acordava nunca. 
Naquela semana quente de janeiro eles erraram com muitas mulheres, uma delas teve que voltar para a sala de cirurgia pois esqueceram um pedaço de trapo dentro dela.
Eu fiquei com sequelas pra sempre. Fizeram uns procedimentos que a pessoa pula em cima de você, meu estômago, meu peito, tudo doeu por meses e meus músculos tiveram fibromialgia por uns anos. 
Nos primeiros tempos, eu não podia caminhar. Eu pedia pro meu marido me virar na cama pois nem isso eu podia fazer sozinha. E ele trazia o bebê pra eu amamentar deitada e ele trocava as fraldas pois eu não podia. Eu era um nada.
Por dois anos eu não podia passar na frente do hospital pois era muito grande o meu trauma.
Eu sofri tanto e, pra piorar, a maioria das minhas amigas ainda não era mãe, então eu não queria contar o que eu tinha passado pra não assustá~las, pois assim como nós, todas e todos tinham várias fantasias boas sobre o parto. Sobre fazer parto natural, gravar o momento do nascimento em vídeo e fazer de tudo um lindo momento.
Mas a gente não teve nada disto. Quando o André chegou com a câmera, eles apenas disseram: - Você não vai poder filmar nem entrar pois tivemos problemas e vai ser um parto muito difícil.
E foi, como uma morte. E eu quando voltei a entender sobre quem eu era, fiz comícios rastejando no hospital. Queria fugir, e queria que alguém trouxesse aqueles monstros pra me explicarem porque tentaram me matar. 
Não sei se quando eu morrer vai ser mais uma vez por erros médicos, coisa que se vê todos os dias. Posso ter sorte e morrer tranquila e velhinha, dormindo na minha cama.
Mas seja isto ou aquilo, quando eu morrer eu quero um comício, um ato político, a leitura dos textos mais radicais sobre liberdade e sobre compromisso e ética.
Que todos os enterros sejam um ato político. Que todos os mortos se vão desta dimensão como pessoas que souberam o que é política e sejam lembrados por isto nas suas despedidas. 
Tendo médicos ou monstros a me cuidar no meu final de vida, o que me interessa é que eu faça por merecer uma despedida assim, transformada em comício!

Um beijo
biAhweRTher

sábado, 28 de janeiro de 2017

FÁCIL É VOCÊ!

Fácil não é a mina que faz sexo com um cara no dia em que se conheceram porque os dois ficaram a fim.
Fácil é a mina que aceita estupros, agressões e assédio moral do seu companheiro por anos a fio sem nunca revidar, nunca dizer não, nunca denunciar, aceitando sua própria morte em vida apenas porque ele a sustenta.
O que os machistas e as machistas não tem inteligencia suficiente para entender é que a mulher livre não é o "objeto fácil", que "não se valoriza" e "dá pra qualquer um".
Fácil, objeto, dá pra qualquer um a mulher que usa o corpo como moeda de troca na sociedade carola onde a menina ainda é um produto que as famílias guardam junto com os lençóis.
A mulher livre sexualmente não é aquela que diz sim pra todo mundo, até porque dizer sim é um direito e não um dever.
A mulher feminista é aquela que sabe dizer NÃO e pronto mesmo sendo parte de uma sociedade machista e perigosa.
A mulher livre não oferece perigo para as recatadas do lar simplesmente porque ela não quer nem saber dos cretinos que passam a vida fazendo mal às suas mulheres fáceis e manipuláveis que disputam homens horrorosos só pra dizer que estão "seguras" numa cultura onde estar com um homem ao lado é segurança.
A jovem feminista sabe que lavar cuecas e ser agradável é armadilha e nunca segurança.
A mulher feminista não quer sair por aí bem louca pensando só em dar pra todo mundo sem pensar em outra coisa na vida. Essa é a moça ninfomaníaca, que pode ser feminista ou machista, pois ninfomania é uma doença.
A moça feminista não é "fácil nem difícil", mas apenas uma pessoa que luta pela igualdade e dignidade. Andar como quiser, usar a roupa que bem entender, atuar no seu ambiente como melhor lhe parecer, ser respeitada no seu trabalho e não escutar "brincadeiras" de senhores cretinos 25 vezes por dia.
A feminista é aquela que não vai jogar o jogo do consumismo de pessoas. Dirá não quando não quer e ai de quem fingir que não entendeu.
Feministas não saem dando pra todo mundo. Ou algumas sim, assim como algumas machistas também e cada uma sabe de si. Se não for forçado e não machucar ninguém, transe com quem quiser, onde e quando quiser.
Pessoas (homens e mulheres) que respeitam o feminino, não vêem o corpo e a sexualidade como produto, como moeda, como consumo, como antropofagia, como prisão.
Assim, dar pra qualquer um não é coisa de feministas, mas de mulheres que se entregaram ao medo.

"Qualquer um" não é necessariamente o cara que transa com uma mina no dia em que a conhece simplesmente porque os dois ficaram muito a fim.
"Qualquer um" pode ser o marido que faz Gaslighting com sua mulher por anos a fio, simplesmente porque a sociedade lhe garante mais segurança.
Então, pare com essa bobagem de advogar a causa do seu algoz. Isso tem nome, é Síndrome de Estocolmo.
Pare de ser medrosa, deixe de ser tão fácil!

biAhweRTher

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O TEMPLO

Tenho escrito tantos textos para o FLõ festival do livre olhar, para o blogue e etc que voltei a sentir dor nas mãos, especialmente o sofrido dedo indicador da mão direita. Mas são belas as minhas mãos, acho eu... Tem dias que fico como as crianças, deitada na rede olhando as mãos contra a luz do sol, movendo os dedos e contanto as linhas. Daí eu toco umas músicas e gravo pequenos vídeos dos dedos tocando as cordas.
Dedos são o ponto final ou início do corpo?
Não sei se meu corpo é tão bonito como eu penso que é.
Muito provavelmente não. Mas só o fato de ele aguentar a vida difícil que levo já o faz meu herói. Não me curvo, ajeito a coluna.
A maior parte do ano o carro que divido com o meu sócio, fica lá em SC. Fico com ele no verão e em julho, apenas. Mas daí fico com as câmeras e lentes a maior parte do tempo, coisas de sociedade entre pessoas que foram casadas e ainda são sócias.
Agora, estamos com um carro zero que tem alguns dias apenas, e eu já vou me despedir, mas fico com as câmeras aqui pra rodar meus trabalhos...
Enfim, ficar tantos meses do ano a pé, com câmeras e projetores e pedaços de cenografia e 30 quilos nas costas pra lá e prá cá não é coisa pra gente fraca. 
Tem dias que dói até a alma e depois ainda olho meu corpo no espelho e quero ele bem, expressivo, falante,
pois ele também é objeto do meu trabalho de arte, retratos nus, espelho dos meus gestos. O levo para massagens e sessões de reiki. Ele agradece e me sorri após o banho de sal grosso com ervas. 
Meus ouvidos gritam. 
Meu quadril tem um defeito de nascença que me ensinou sobre viver com dores eternas que se agravaram com os desrespeitos médicos que sofri durante o parto do meu filho, quando quase fui a óbito e quase me tornei mais um ser etéreo, sem corpo.
Resisto.
Meu corpo é líquido. Quando caminho deixo as ondas e curvas levarem meus movimentos pois detesto ângulos.
Meu corpo é um mini mundo cheio de micro seres vivos com quem preciso conviver e dialogar. 
Sou aquilo que entra em mim, me alimenta e hidrata, forma e cor. Se comer mágoa, serei cinza. Se beber água, serei transparente. Se ingerir pessoas, ficarei doente.
Sou um ecossistema e isso é um milagre.
Meu corpo é a terminação nervosa dos meus sonhos, onde se concretizam, se efetivam ideias que, para muitos, são impossíveis.
O meu corpo é objeto do meu prazer e da minha libertação. Dele emanam redemoinhos, espelhos e pêndulos. Dói e sorri, treme e ressona.

Quando alguém toca meu corpo sem permissão sou um tatu bola, viro bicho, viro náusea, sou ódio, sou tristeza.
Dos meus dedos e pulsos machucados e cheios de marcas da vida artística saem as ondas de energia criativa, respostas e perguntas. 
Do meu umbigo, feixes de luz me conectam com o universo.
Graças ao meu corpo sou única e sou apenas mais uma.
Um beijo
biAhweRTher

sábado, 21 de janeiro de 2017

Livre olhar. Liberdade para filmar.

Assisti pela primeira vez "Diavolo in corpo", Marco Bellocchio, 1986.
Imagino que deva ter sido polêmico na época, devido às cenas de sexo verdadeiro entre os protagonistas. 
Pessoalmente, gostaria de rodar uma cena de sexo explícito em um filme que ainda não pude começar a tentar recursos devido ao excesso de projetos atuais. Mas o meu roteiro pede sexo a vera.
Ok, sei que vai dar uma puta incomodação. Até fumar cigarros em cena querem proibir. A ficção no cinema e no teatro, pra alguns desentendedores de arte, não pode buscar a perfeição.
Lembro de assistir algumas entrevistas coletivas do "Antichrist", Lars von Trier, 2009. Certos jornalistas, diante de uma obra impactante como aquela, só conseguiam pensar nos órgãos genitais do elenco, como se nunca tivessem visto antes ou ficassem pelados só de olhos fechados. Chegavam ao cumulo de perguntar à Charlotte Gainsbourg porque havia aceitado fazer cenas reais de sexo. Ela respondia com sua elegância implacável: - Porque o roteiro pedia.
A atriz tem seu corpo como instrumento e o entrega à obra.
O jornalista tem seu ponto de interrogação como ferramenta e o vende para o senso comum. Calma, não estou generalizando. Nem toda a atriz é destemida e nem todo o jornalista é boçal.
Voltando ao Diabo no Corpo, assim como outros filmes não pornográficos onde há cenas reais de sexo - para quem trabalha com elenco pode ser óbvio o que penso - a intimidade dos atores os fez se saírem mais do que bem em todas as demais cenas. A cena de sexo oral é boa justamente porque não tem o apelo obrigatoriamente fake dos filmes pornográficos. Gostei bastante da naturalidade e me parece que foi nesse laboratório que se desenhou todo o resto. 
Só um parêntese. Eu dou spoilers sempre e não peço desculpas porque não vejo cinema como um joguinho de abobadinhos que não querem ter o sustinho atrapalhado. Geralmente, assisto os filmes fora do seu prazo, acho que tem mais graça, então me sinto mais a vontade ainda pra fazer spoiler, já que a maioria das pessoas já viu mesmo.
Enfim, porque cenas de sexo bem filmadas ajudam a performance de um elenco? Ah, isso é óbvio. Se você tirou a roupa no set, as personagens entram mais fácil. E se você transa com o colega de cena (em cena, não estou falando de fofoquinha sobre casos entre colegas de trabalho), você derruba barreiras que precisam não existir para um filme ser bom.
Os laboratórios que vivenciei como elenco e-ou diretora sempre foram ricos de estratagemas para nos sentirmos mais íntimos e, claro, no processo haviam momentos de trabalhos corporais coletivos que operavam milagres. Daí minha teoria de que quando há cenas de sexo, sejam elas reais ou não, os laboratórios para dar veracidade às cenas vão colaborar imensamente para outros momentos, sejam eles de tensão, briga, despedida, reencontro...
Ok, tomara que isso não faça, como sempre, um monte de senhores se assanharem com piadinhas achando que vou querer transar com eles porque falo abertamente sobre sexo no cinema.
E tomara que não pensem que estou querendo criar um modelo de preparação de elenco que envolva sexo. Não é nada disso. Cada filme é um filme. Estou apenas refletindo sobre o fato de, em pleno 2017, ainda fingirmos que sexo não existe e ficarmos no "ai meu Deus" quando aparece num filme, porém se o filme for pornô com um sexo agressivo machista e ruim, pode. Daí tantos degenerados, abusadores e cretinos espalhados pela sociedade a fora. No dia em que olharmos com liberdade e naturalidade a vida e a arte e onde elas se cruzam, acho que estaremos adultos enquanto humanidade.
Um beijo
biAhweRTher

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

1999 .... ASSISTA O FILME MAIS LOUCO DA DIRETORA DE ARTE MAIS ASSUSTADORA DA CIDADE!

Hoje volto para a beira do mar. Trabalhar no FLõ sob as ondas por uns dias. 
Mas antes de pegar a estrada com as minhas gatinhas quero mostrar um filme que disponibilizei no meu Vimeo nesta madrugada, após muitos anos de pedidos do elenco para que eu o fizesse.
CHAMA-SE "O Fim", Dirigi produção e arte. Fiz a locução, inventei elementais e seres estranhos e pintei corpos nus.
Foi rodado numa quente madrugada de janeiro de 1999, nas catacumbas do CEUE, em super 8. Usamos PlusX e Ektachrome até onde me recordo, mas meus alfarrábios de cronogramas e riders técnicos tem tudo anotado, isso é sempre bem bacana de lembrar e comentar. Os diários de pré produção, rodagem e estréia desse filme valeriam um livro.
Eu tinha vergonha dos meus primeiros porque, sendo uma jovem confrontadora e diferente, passei muito bullying.
O FIM, na verdade não foi meu primeiro filme, em 1997 nós começamos a rodar o 16 mm "A Verdade às Vezes Mancha" e em 1998 comecei a Rodar "Lilith... a Última Viagem do Século". Lilith... rolou o país e fez muitos fãs, estreou em 1999 também, se não me engano. O "Verdade" só estreou no ano 2000, junto com o meu 35 mm "Suco de Tomate" que foi muito mais famoso e rodou o mundo. Naquela época valorizávamos Gramado, mas ninguém aplaudia nossos filmes.
Nossos amigos faziam filmes legais, engraçados ou com citação de grandes mestres. E tinha os filmes loucos do Cristiano Zanella, que eu amava. Mas era quase só eu de mina. Dirigindo eram menos minas ainda. Os filmes passavam e a galera se abraçava e se beijava. Os meus passavam e todo mundo ficava em silêncio.
Eu ia ganhando fãs lá fora enquanto viajava com os filmes, levando oficinas e mostras, o Cinema na Mochila... mais tarde, o FLõ festival do livre olhar.
Mas os prêmios eram mirrados porque ninguém sabia o que fazer com o que nós fazíamos. Alguns jurados vinham se explicar. Ganhamos prêmios de júri popular e isso é bom, mas nunca achei bonito não me reconhecerem como a grande diretora de arte que sou. Isto me magoava muito, pois os entendidos sabem que sou foda e meus amigos que ganhavam prêmios dirigindo arte sabiam que sempre mandei ver como ninguém. Nunca mandei assistente de arte ao xópin pedir roupinha emprestada e pouco aluguei objetos. Sempre desenhei, fiz maquete e construí cada ponto de luz, cada roupa maluca. Fiz mesas. cadeiras e camas penduradas em árvores para nossas cenas...
Enfim... ASSISTAM "O FIM". É um filme de quando eramos crianças mas nele há muitos nomes que hoje são os fodas das artes aqui no sul. O diretor João de Ricardo é um deles. Messias Gonzalez e muitos outros que depois eu linco. E tem até o Carlos Carneiro, que tinha 20 anos, já era a pessoa mais querida e foi assistente pra comprar cerveja pro André Arieta(sem minha cerveja, não rodo) e (quase) aparece no final, como um policial.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sobre críticos e agressores.

Observei que toda a crítica, até a mais injusta e maliciosa feita pelo pior inimigo, pode ser interpretada e utilizada para o meu bem. Claro, nunca o nosso olhar entende exatamente o que outra voz nos dirige pois as partículas se reposicionam no caminho entre nós e fica só a impressão, a marca do gesto que define se a mensagem é de amor, de ódio, de vingança, de agradecimento... O resto, o texto, é bobagem.
Não são plenamente os critérios alheios que importam numa crítica, mas um diálogo paralelo. Só o receptor da mensagem tem o poder de definir se o tiro é de chumbo ou de pétalas, nunca o crítico mensageiro. A crítica para o crítico é como a obra para o autor, depois que sai, é desconstruída e reinterpretada e não há o que ele possa fazer a respeito.
Assim, concluí que uma crítica, mesmo que muito peçonhenta, é como um anagrama que só cabe a mim transpor,
 Depende apenas de qual parte minha vai recebê-la. Pode ser o umbigo, pode ser o cérebro, pode o coração ou uma parte que não sabia que havia em minhas entranhas ou almas.
Escolher com quais olhos vou escutar e ler é primordial pra que eu saiba fazer uso, ou não, dos olhares extrínsecos.

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A crítica ganhou sinônimo de agressão, quando não é. Quando é agressão, não é crítica. Já recebi críticas bem ácidas de pessoas inteligentes e formadoras de opinião. Era pessoal, pois sou muito politizada e, em nosso meio, se você confronta o estabelecido vai pra fogueira sem dó. Só que aquelas pessoas eram entendidas, tinham a voz e o direito à crítica em espaços especializados. Apesar de injustas, eram formais e eu tinha que fazer uma limonada com elas. Daí, aprendi que mesmo que seja uma crítica maldosa, sem ética e tendenciosa, você sempre vai tirar algo de bom que pode ajudá-la a melhorar. Nem que seja aprendendo a controlar o ego, a ser fria ao ler coisas horrorosas a seu respeito, a saber cozinhar o tema antes de sair dando respostas.

Assinado: A leonina menos egocêntrica da cidade (ou não).

Tudo menos inveja.

Quando der aquela incontrolável vontade de invejar algo legal que alguém fez, saia correndo, se ame e goze.
Depois volte do seu canto com a paz de quem está satisfeito, conheça de novo a invenção do outro e pense:
"Puxa, que coisa bem linda isso! Mais uma pessoa genial como eu, a fazer coisas incríveis que melhoram esse mundo louco, cheio de ódio contra o qual temos que lutar".
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Entende? Não inveje, faça parte \o/
Todo mundo sabe, mas nunca é demais repetir que o pior inimigo do invejoso é ele mesmo. É como servir-se da própria carne aos poucos.
O remédio é amar-se. Gostar de si.
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Observei que o senso comum, essa mania de que só celebridades e ricos de ocasião são possuidores
de dons especiais sobre-humanos é o combustível maior da cobiça que leva a essa raiva cega geradora dos zumbis do século XXI, se esfolando uns aos outros no trabalho, em casa, na escola, no xópin...
Tudo isso não é você, são bobagens que a publicidade, o mau jornalismo, o seu patrão e os rotuladores contratados pelas grandes corporações andam colocando na sua cabeça fragilizada.
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A sofreguidão é tanta no seu coração, que até o tom de voz dos ídolos destes tempos é desesperado. Já notou que cantores, apresentadores, blogueiros, pastores... todos esses milionários que moram em um portal inalcançável que fica do outro lado da tela, todos eles gritam até quase jogarem os pulmões na sua cara? Quando você está em paz, essa gritaria não te representa.
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Você, entretanto, é livre para considerar anormais as emulações obrigatórias, mesmo que alguém te ache um mentiroso por não sentir inveja, gostar da sua vida e não querer a do outro.
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Há modos simples para não se deixar levar por esse surto de sofreguidão que assola a globalização padronizadora dos gostos e o achatamento das ideias e essa mania de sentar diante das telas e ver o quanto o outro é melhor, mais bonito e rico que você. Esse jeito é se gostar, é duvidar da maioria, se conhecer, falar sozinho, se descobrir brilhante e, claro, se masturbar.
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Estão mentindo pra você que você é um invejoso quando seus olhos discordam da maioria e não acham geniais as duplas sertanejas só porque são ricas, nem linda demais a mulher dos lábios injetados só porque está em todos os programas dando entrevista. Essas imagens recorrentes adoecem você e esse é o princípio do surto de zumbis eletrônicos.
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Você não é proibido de discordar e não é invejoso por ser crítico, você apenas está a caminho de ter o seu próprio olhar.
Há em você uma pessoa bem mais impressionante do que há em muitos que você inveja, então se prestar a ser mais um invejando e pincelando ódio no mundo é uma perda de tempo idiota.
Não invejar, é simplificar, é libertador.
Um beijo.
biAhweRTher
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

SOBRE HOMENS INCOMPLETOS E SUA INUTILIDADE

Já me aconteceu de ter parceiras incríveis trabalhando comigo em pré produções e, do nada, elas terem que sair de projetos porque nos dedicamos demais e os carinhas delas começavam a exigir que se afastassem. Teve um ano do FLõ, que a pessoa mais apaixonada pelo projeto foi obrigada a sair e sofreu muito. Era o namorado ou o festival.
Quando se trata de processos livres - não falo de arte vendida em galeria de xópin, mas de hibridismo, festivais independentes, filmes e etc - a gente dorme e acorda com o trabalho porque não existe o critério padrão de espaço-tempo. Não há um relógio que desligue sua criatividade, não há uma parede que defina o local da sua sensibilidade. Tudo e todos são referências e inspiração.
Não estou aqui dizendo que se trata de uma regra, estou apenas elaborando sobre minha experiência como liderança de coletivos, que começou lá nos anos 90 e não é nada pequena.
Desculpae os meninos machos, mas é bem recorrente que quando você está trabalhando só com manas, gays ou rapazes já conscientes da relevância do seu eu feminino,
as coisas vão rolando muito mais intuitivas, profícuas e menos desconfiadas, burocráticas.
NÃO estou dizendo que um grupo sem machistas é perfeito, digo que é necessário. Claro que há discordância entre pessoas criativas e isso é importante, faz parte, é salutar, empurra pra frente. Óbvio que meninas se estranham no meio do processo.
Mas quando há um homem na equipe ou há um homem, de fora, com poder de decisão sobre as escolhas de uma das mulheres da equipe, tudo fica mais truncado e começam a surgir desconfianças.
Dialogar com mulheres, gays e homens femininos sobre processos criativos e levar adiante tais processos é algo parecido com as ondas do mar. Uma complementa, continua a outra.
Nada é duro demais porque a arte necessita de adaptações, a produção e as tomadas de decisão encerram nuances e subjetividades, tal qual as próprias obras que iremos expor, exibir, performar.
 A necessária humanização de um grupo, a sensibilidade de saber que cada qual tem seu tempo e para cada um o tratamento e as expectativas são diferentes... são itens muito mais facilmente alcançáveis quando todos os homens envolvidos são humanos já treinados para entender, aceitar e festejar o feminino que habita todos os seres vivos.
Claro, as linhas curvas dos relacionamentos não deveriam faltar em qualquer local de trabalho, não importa qual a matéria, mas isso é um crescimento que a humanidade ainda levará uns mil anos pra compreender.
Porém, quando o trabalho envolve arte, daí todos os espinhos fálicos e todos os cantos angulares das relações devem ser p r o i b i d o s. Simples assim. Num coletivo que trabalha com arte, não cabem pessoas que vêem as mulheres como seres menores a precisar de alguém que pense por elas. Em um coletivo que trabalha com expressões artísticas não cabem homens que pensam que todos os gestos de uma mulher são recatos para seus pênis. Pessoas que oprimem a si mesmas inutilizam as vivências saudáveis, minam, desmotivam, corroem.
Gentilezas \o/
biAhweRTher

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O mesmo diário.

Balanço na rede amarela, olhando, escutando, me afogando no mar. Ao meu lado, Júlia Albertine, perra leal. Ao redor as felinas, Uma e Glau, uma atenta, outra preguiçosa.
Praia vazia.
Foram-se como chegaram, histriônicos, eletroeletrônicos, glutões, alcoolizados. Em nome da paz, as bombas assaltaram a tranquilidade dos animais.
A despeito do rastro de latinhas e ossos, os pássaros estão em festa.
O ano não é novo, o ano não existe, assim como as fronteiras espaciais que dividem os jardins, as cidades, os países, guardando retirantes de olhos fundos no limbo do tempo e do espaço.
O ano não é novo, é apenas um número qualquer que marca o início do círculo carcomido. A vida humana é uma cobra que devora o próprio rabo.
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Balanço na rede amarela, pra lá e prá cá, namorando o mar.
Resolvo visitar a outra rede, que se diz social. Antissocial. Segue a mesma, como nos últimos dias, todos esquizofrênicos. Tentamos pensar positivo mas desistimos, tentamos acreditar mas duvidamos, tentamos nos fortalecer mas nos divorciamos.
As notícias hoje – confesso que li por alto – são sobre as primeiras tragédias do ano. Prefeitos fantasiados assumem seus postos, cinismo, descrédito. Novas notícias sobre assassinatos no país em nome da intolerância e do extremismo.
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Antissocial, largo a rede e fico na rede amarela, o mar está verde, o mar está tanto, o mar está. Um rapaz se aproxima do portão:
- Oi, quer milho verde?
- Quanto? - Negocio o desconto. Ele conta uma receita que sua irmã inventou.
- Tchau, guria!
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Algum vizinho solta duas bombas, livrando-se do estoque que sobrou. Lembram tiros de canhão ou algo assim. Mais uma bomba.
Pensei em começar um movimento anti bombas nos festejos. Em nome das bombas que estão matando crianças nas guerras, em nome dos animais que não tem nada a ver com nossos valores doentios. Pensei... não sei. Vai que algumas pessoas aderem... Soltar bombas em festejos nos tempos de guerra (que são todos os tempos) me parece um deboche, um sarcasmo, algo de criança má, egoísta, mal educada.
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Mais tarde, se não chover, vou sair dessa rede e caminhar até a reserva Tupancy, encontrar as capivaras que este ano ainda não vi. O parque, agora, é uma espécie de zoo para divertir humanos e não um local para preservar as características nativas.
Hoje, os loteamentos oprimiram o Tupacy e o transformaram num intruso entre os carros de som e o exibicionismo. Já não se vêem mais os orgulhosos casais de marrecas desfilando com seus filhotes rumo ao mar. Não mais.
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Aproximam-se nuvens. Tomara que chova no final da tarde, daí eu vou lá na vendinha e compro farinha e faço bolinhos de chuva e começo a reler alguma biografia. Verão sem biografias foda pra gente comentar o ano todo, não é verão.
O bem te vi canta como se a vida fosse perfeita. As aves negras dão rasantes nas ondas. O casal de quero-queros ensinando o pequeno filhote a voar, o mar, o mar, o mar...


Um beijo.
biAhweRTher


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Terapeutas e Réus

Outra decisão para 2017 é tentar julgar menos.
A gente vê o tempo todo a galera afirmando que não julga os demais, pois julgar os outros é coisa de babaca.
Impressão minha, ou chamar alguém de babaca é um julgamento (emissão de conceito, opinião sobre alguém ou algo)?
Por isso, talvez o melhor é a gente assumir que julgamos, sim.
É tão da nossa natureza que institucionalizamos o julgamento como o topo na solução de conflitos em todos os sistemas organizados (ou nem tanto) da existência humana desde o início dos tempos. Aliás, já se sabe que várias comunidades não humanas se resolvem em julgamentos.
Não é de todo ruim julgar, ruim é não pensar, elaborar, aprimorar e ser imparcial.
Deixar de julgar os outros duvido que deixemos e nem adianta mentir. Talvez o que devamos mesmo é nos embasar mais, termos mais conhecimento dos fatos e do caráter daquele que tomamos por réu em confronto aos nossos próprios critérios de ética e conduta em momentos de disputa ou mesmo de exibicionismo.
Porque né... entre tantos julgamentos, a gente sempre julga que a razão é nossa.
O melhor modo é pensar bastante. Espichar muito o pensamento. E, no caso do nosso país, bastante terapia.
Isso! Que em 2017 o Brasil consiga fazer uma terapia em grupo. Eu to dentro e até participo da vaquinha pra pagar a equipe de terapeutas que vamos ter que importar de algum lugar. Talvez da Islândia? Do Uruguay? De Galápagos? De um planeta distante?
Um beijo.
biAhweRTher

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2017 ANOS ENFRENTANDO TROLLS.

Enquanto meu perfil principal segue bloqueado porque postei uma foto de arte onde quase se podia ver um mamilo, as redes sociais fazem um pacto com grupos que as utilizam pra organizar ataques a feministas, gays, negros....
A maior parte das páginas de incitação e organização de espancamentos e perseguição está nas redes sociais em grupos fechados e até fanpages.
Estava pensando agora nas grosserias que um certo ex-músico e seus seguidores (muitos deles fakes cheios de ódio de mulheres, negros e gays) me fizeram no tuíter pelo fato de eu defender a liberdade de gênero. Ainda bem foi pela internet pois haviam ali perfis de pessoas bem perigosas, como um tal de @O_Martorelli que odeia refugiados e pessoas do sexo feminino. Suas postagens são, na maioria, abusivas ao extremo, não se tratam de "opinião" mas de ódio gratuito e ainda assim segue ali, agredindo e ameaçando quem bem entender.
Os espancamentos, como o que levou à morte aquele senhor assassinado por defender travestis, acontecem todo o tempo em versão virtual nas redes sociais e por que a maioria das pessoas não tem defesa, eles vão se fortalecendo e indo espancar nas ruas.
Desta vez, tudo começou por eu lhes dizer que deveriam respeitas as pessoas que não tem uma família "tradicional".
O ex-músico passou a me perseguir e incitar outros a cometerem deboches. Mas não era de hoje que me tratava como uma idiota e trazia seus seguidores para me atacarem.
Printei o que me disseram e bloqueei o mentor e os mais grosseiros,
Em um mês é o segundo caso de ataque moral na internet que vou levar para a justiça, após muitos anos passando de tudo.
Acredito que, como alguns já tem feito no exterior, o certo é começarmos a processar os administradores das redes sociais.
Por exemplo, no caso das recorrentes perseguições do feicibuque ao meu trabalho como fotógrafa.
E sobre as gangues virtuais, percebi que muitas pessoas estão processando este tipo de agressão e ganhando causas.
Resolvi que é o certo a fazer. Assim é que eles vão parar, quando perceberem que ninguém mais os teme. Até porque não adianta ocultar-se sob um perfil falso. Há maneiras bastante simples de revelar seus rostos.
E essa é uma das minhas decisões para o novo ano.
Não vou deixar de divulgar meus trabalhos, como muitos me aconselham pra eu "não me incomodar." Nem vou "tomar cuidado" ao defender a igualdade e o respeito.
Serei eu mesma mais do que nunca e não vou fugir da internet e perder meus fãs, meus clientes, meus parceiros e a possibilidade de ver todos os dias amigos que estão longe.
Seguirei sendo eu mesma e, se for o caso, processarei até esse tal de Deus preconceituoso que alguns falsos religiosos inventaram pra usar como desculpa para seus atos psicopatas e fortunas sujas.
De resto, adoro ano novo com chuva porque daí estraga a festa das poluições na beira da praia, os pássaros cantam livres, dá pra ler um livro de boa escutando o mar.
Renovar as energias no silêncio e em paz.
Um beijo.
biAhweRTher

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O VÍDEO MAIS INGÊNUO DA CLARICE FALCÃO

Estava escrevendo um texto sobre o clipe da Clarice Falcão, que deixou tantas pessoas com ódio dela, mas sou demorada. Então vou postar aqui uma compilação de impressões que escrevi pra algumas pessoas que, sabendo do meu trabalho com nu, vieram me perguntar o que achei do vídeo.
Primeiramente, quero dizer que se você não conhece o trabalho e a relevância da Clarice entre jovens, talvez não tenha entendido bem (embora eu ache que a simplicidade do filme descomplica o entendimento se você é uma pessoa envolvida com comunicação, arte, internet, desconstrução do moralismo).
Clarice, juntamente com seu ex namorido Gregório prestou um super serviço e seguiu sozinha e maravilhosa depois de se separarem. São pessoas livres, leves, esclarecidas, cultas e desmontam essa bobagem de que "essa nova geração é alienada e mimimi".
O trabalho deles com o Porta dos Fundos foi fundamental, é revolucionário no que se refere a usar a internet pra questionar o momento político moralista, carola, direitista, fascista do país.
Clarice é uma mina filha de pais intelectuais, me sinto à vontade com os discursos dela porque também cresci numa casa entre livros, informação e pensamento esquerdista.
Como toda a mana de hoje, ela defende o empoderamento feminino e debocha do medo que as pessoas tem da realidade, como por exemplo o medo do pênis e da vagina porque tentam nos obrigar a fingir que nosso corpo é vazio no meio das pernas.
Dado o contexto, vamos ao clipe.
É um filme claramente debochado e ao mesmo tempo complexo em sua simplicidade infantil,
Sim, não é imoral, mas bem infantil o modo como a equipe criativa retratou a nudez.
Quem conhece o trabalho dela, sabe que a estética da Clarice incomoda as pessoas que ainda estão muito ligadas em explicações acadêmicas para a arte. Ela irrita sobremaneira aqueles que consideram imprescindíveis os vibratos e as superproduções. E por outo lado, o clipe incomodou muito quem faz e pensa vídeo clipe do mesmo modo como tecnicamente se contróem os filmes de casamento. Ou seja, você tem que usar um padrão e você tem que fazer uma vitrine de equipamentos e softwares.
De todas as raivinhas que li sobre o clipe a que menos entendo é o choque com a exibição dos pênis e das vaginhas, já que a nudez ali está super natural, sem qualquer apelo erótico.
Aliás, aí está o mérito do vídeo.
Ela mostra órgãos sexuais com tanta naturalidade e infantilidade que ninguém sente tesão e, pra mim, é por isso que irritou a galera que prefere mulher pelada chupando a barriga no comercial de cerveja e paus agressivos em cenas machistas de filmes pornô.

Um beijo.
biAhweRTher

VOCÊ PRECISA ENTENDER QUE O MUNDO MUDOU!

Várias pessoas que leem meus textos e acompanham os comentários já perceberam que sofro assédios nauseantes de um sem número de senhores repugnantes que frequentam meu feicibuque.
Mais uma vez, vou comentar o fato pois não sou só eu, claro, que passo por isso.
Não sei quanto às outras mulheres, mas sinto um nojo tão profundo que não dá pra traduzir em palavras. É a mesma sensação que nos vem quando algum estranho passa a mão na rua. É um misto de ódio, náusea e impotência. Triste demais.
Me constranjo, fico me policiando quando redijo um texto, reviso várias vezes ou deleto quando percebo que geram comentários que parecem diálogos de filme pornô dos anos 1970. 
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Eu não tinha que explicar isto, mas ontem, quando teci comentários sobre os caras me azarando no supermercado porque eu estava sozinha de minissaia as onze da noite comprando vinho, fiz uma crítica, uma piada sobre o fato de muitos homens não terem ainda desembarcado em 2017. 
Estava rindo da cara dos homens e não pedindo cantadas baratas nos comentários ao post.
Também, se escrevo um texto sobre a sensação de sair sozinha de carro à noite escutando música e cantando pela cidade, não tem entrelinhas, é uma coisa que faço há anos quando quero ficar c o m i g o, bem feliz, pois eu me amo e a d o r o minha companhia. 
Não estou procurando homens pelas ruas ou na internet. 
Não sou de comentar minha vida pessoal, então não sei de onde tiraram que estou procurando namorado ou um sexo casual. Não entendo os convites insistentes de alguns homens horrorosos pra sair no sábado, como se eu por acaso, só porque não posto selfies bregas agarrada num dono não tivesse com quem sair no sábado!!
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De uma vez por todas, quando estou sozinha não é porque não tenho sexo no meu lindo lar-ateliê que vocês nunca poderão conhecer, mas simplesmente porque não sou propriedade de ninguém e foi-se o tempo que uma mulher tinha que andar 24 horas por dia com um dono levando-a pela coleira pra que não ser assediada. Mas que história é essa de me tratarem como uma mulher que, por não expor um status de relacionamento, não exige que vocês metam seus rabos no meio das pernas?
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Isso que vocês fazem senhores, essas piadinhas metidas a elogios, são abusos que atrapalham imensamente a tranquilidade da gente, tiram o direito de ser o que somos, de brincar, de rir. 
É muito ruim ter que cuidar tudo o que se diz pois algum senhor desesperado sem tratamento psicológico pode pensar que é uma mensagem direta pra ele.
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Alguns agem inbox e são de uma insistência inexplicável diante do silêncio. Talvez dentro da lógica dos abusadores, se você cala é porque consente ou está se fazendo de difícil.
Outros ficam com piadinhas em comentários públicos que eu deleto sem pedir licença, pois não sou obrigada... 
Mas como são muitas pessoas e comentários, às vezes demoro pra ver que alguém passou da linha do respeito, então fico profundamente envergonhada quando percebo que algo nojento está por horas ou dias entre as reações e antes de eu deletar alguém já leu e resolveu andar também pelo viés dos mal amados (que são aqueles homens que ainda não entenderam que internet é vida real, não um enorme chat pra buscar um sexo virtual enquanto a sua senhôra ressona).
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Não estou dizendo que caras mais novos também não sejam inconvenientes e despreparados para a naturalidade no relacionamento interpessoal, como se não fosse natural andarmos por aí vendo que existem pessoas de todos os gêneros e o mundo não é um imenso puteiro cheio de meninas e meninos à disposição das suas mãos e teclados lamacentos. 
Mas, infelizmente, precisamos assumir que os senhores de mais de 50 anos, quando resolvem se expor ao ridículo são imbatíveis. 
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Quando eu era pequena, minha mãe vivia reclamando disso. Não tinha internet naquela época, mas os vizinhos mais velhos eram como os de hoje, mesmo sabendo que ela era uma moça casada, na dela com seus filhos, vinham abordá-la com elogios (eles juram que assédio é um elogio brincalhão) e ela sofria muito com isso, mas acho que não comentava com meu pai e nem comentava com as amigas, pois muito provavelmente eram as esposas dos tais vizinhos. Sofria quieta, mas os tempos mudaram e eu comento porque isso pode ajudar de algum modo.
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Não sejam tarados abusivos, não venham com a velha desculpa de que o meu modo de escrever ou vestir é o problema pois o problema é a sua interpretação abusiva.
Se escrevi algo que lhe pareceu uma insinuação, seja menos egocêntrico; se usei minissaia e acha que só pode ser porque quero dar pra você, procure um terapeuta; se fui no supermercado sozinha comprar um vinho e só por isso você pensa que eu estava caçando, você está se tornando perigoso; se eu escrevo que saí de carro sozinha escutando música e você interpreta que fui em busca de um homem, se enfie numa camisa de forças.
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Não senhores, ninguém está procurando vocês. Possivelmente nem a esposa de vocês os quer e já tá preparando as malas faz horas pra ir embora com um cara que vive no nosso século.
E quando eu escrevo que alguns homens ficaram com os olhos em cima de mim porque eu fui no super de minissaia toda linda buscar um vinho, eu não estava me sentindo lisonjeada porque estar linda é uma contingência que independe de vocês. 
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Ninguém é bonita pra vocês, tirem essa idiotice da cabeça! Ninguém sequer nota vocês, tanto que precisam vir na internet fazer comentários horrorosos em textos de minas livres.
Nós somos bonitas quando estamos realizadas e felizes, somos bonitas pra nós mesmas.
Quanto a mim, ainda estou puta da vida com as reações ao meu texto de ontem, não preciso usar uma merda de um super mercado pra arrumar sexo pois sou tão maravilhosa que minhas relações pessoais são duradouras, saudáveis, lindas e se dão de modos não desesperados. 
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E não esqueçam, busquem uma terapia senhores, virem gente, desembarquem em 2017 ou abandonem o barco e vão viver em outra dimensão.
biAhweRTher